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Triglicerídeos: dieta e exercícios derrubam taxas e evitam complicações

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

08/02/2022 04h00

Resumo da notícia

  • Triglicerídeos são um tipo de gordura circulante no organismo cuja função é estocar energia
  • Boa parte de sua formação decorre da metabolização dos alimentos que consumimos
  • Altas taxas levam à aterosclerose, pancreatite, esteatose hepática e síndrome metabólica
  • Silenciosos, eles só podem ser medidos por meio de um exame sanguíneo

Você sabia que só uma parte do seu sangue, o plasma, possui mais de 600 tipos de gorduras importantes para o funcionamento do seu corpo? Muitas delas estão associadas a enfermidades como o infarto e o AVC (acidente vascular cerebral).

O colesterol é o clássico vilão da história, porém, altas taxas de triglicérides ou triglicerídeos igualmente preocupam porque acrescentam àqueles riscos a pancreatite e o excesso de gordura no fígado.

Níveis anormais de triglicerídeos e colesterol são chamados de dislipidemias e, em geral, não apresentam sintomas. A única forma de detectá-los é por meio de um exame sanguíneo. Taxas altas desse tipo de gordura podem se manifestar em homens e mulheres igualmente, inclusive em jovens, mas é mais comum no grupo masculino, a partir dos 30 anos.

Para a maior parte dessas pessoas, o tratamento se dá por meio de mudanças no estilo de vida, como adoção de uma dieta equilibrada e rica em fibras, além da prática de atividade física. Os médicos garantem que essas medidas podem reduzir em até 70% as taxas do triglicérides.

Apesar disso, em alguns casos, o uso de medicamentos se somará a essas práticas para reduzir, ainda mais, o risco de complicações.

Entenda o que são triglicérides

Trata-se do tipo mais comum de gordura circulante na corrente sanguínea, e a sua função é estocar energia nas células gordurosas.

Embora o organismo seja capaz de produzi-la, a maior parte dela provém dos alimentos, que são metabolizados e transformados em gorduras, que podem ser depositas nas paredes das artérias (aterosclerose) e no fígado.

Referidas genericamente pelos médicos como lipídios, os triglicérides integram o mesmo grupo de gorduras como o colesterol. Taxas elevadas deles são definidas como dislipidemias.

Qual é a diferença entre colesterol e triglicérides?

Embora os triglicérideos possam ser "fabricados" pelo organismo, eles são amplamente adquiridos por meio da alimentação. Já o colesterol é produzido, majoritariamente, pelo corpo, mas a dieta também pode influenciá-lo.

Para se ter uma ideia, mudanças no estilo de vida podem reduzir o colesterol ruim (LDL) em cerca de 25%; as mesmas condutas, no triglicérides, reduzem as taxas em 70%.

Por que eles são importantes?

Os níveis de triglicérides são indicadores da saúde metabólica. Altas taxas de triglicérides podem sinalizar aumento de risco para doenças cardiovasculares (AVC e infarto) —especialmente quando há desequilíbrio no colesterol, e a ele se somam condições como o diabetes e a hipertensão (pressão alta).

Níveis elevados também estão relacionados à pancreatite e esteatose hepática, ou seja, o famoso acúmulo de gordura no fígado.

Quando as taxas triglicérides são consideradas altas?

De acordo com cardiologista Plínio Almeida Barros Neto, a linha de corte para que os triglicérides sejam considerados normais é de 150mg/dL, mas esse valor só se aplica às pessoas que não apresentam outros fatores que aumentem o risco de ter infarto ou AVC.

"Para os que já tiveram algum desses eventos, esse índice cai para 120mg/dL. Importante saber que essa interpretação é sempre personalizada, a depender da presença ou não de outros fatores de risco, como níveis elevados de colesterol", esclarece o médico.

Veja as demais taxas de corte:

Categoria níveis de triglicérides

  • Normal (sem doença cardiovascular prévia): Menos de 150mg/dL
  • Alto: 150 a 199mg/dL
  • Muito alto: 500 mg/dL ou +

Causas das altas taxas de triglicérides

Vários fatores podem contribuir para o aumento dos triglicérides. Os mais comuns são os que você vê a seguir:

  • Histórico familiar (dislipidemia familiar)
  • Consumo excessivo de alimentos, especialmente carboidratos (massas, arroz, açúcar etc.)
  • Sobrepeso ou obesidade
  • Uso do tabaco
  • Consumo excessivo de álcool
  • Uso de alguns tipos de medicamentos (ex. corticoesteroides, antirretrovirais etc.)
  • Problemas genéticos
  • Doenças endócrinas (hipotireoidismo, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, acromegalia, síndrome do ovário policístico)
  • Diabetes descontrolado
  • Doenças do fígado ou dos rins

Quem precisa ficar mais atento?

Altas taxas podem aparecer entre homens (já aos 30 anos) e mulheres (após os 40 anos), mas são mais frequentes no grupo masculino e nas seguintes condições e grupos:

  • Sedentários
  • Pessoas com obesidade
  • Dietas ricas em açúcar (carboidratos)
  • Idade superior a 65 anos

Saiba como o aumento de triglicérides é diagnosticado

Na maioria das vezes, o aumento do triglicérides não apresenta sintomas. Portanto, para saber suas taxas é preciso submeter-se a um exame de sangue chamado dosagem de triglicerídios em jejum de 12 horas.

Triglicérides e síndrome metabólica

A síndrome metabólica se caracteriza pela presença de, ao menos, 3 entre 5 situações determinantes, geralmente relacionadas ao consumo excessivo de calorias, além do sedentarismo. Confira:

  • Aumento da circunferência abdominal
  • Aumento das taxas de triglicérides
  • Aumento da pressão arterial
  • Redução do colesterol bom (HDL)
  • Aumento da glicose de jejum

Taxas entre 150 a 199mg/dL, consideradas altas, são também associadas à síndrome metabólica, fator de risco para o infarto, AVC e diabetes.

O que fazer para reduzir as taxas?

A estratégia inicial para o controle dos níveis de triglicérides é mudar o estilo de vida, o que inclui:

  • Controle do peso
  • Exercícios moderados a vigorosos regulares
  • Cessação do tabagismo
  • Limitação do consumo de açúcar e alimentos refinados
  • Redução do consumo de bebidas alcoólicas
  • Preferência por gorduras saudáveis, como o azeite

"Essas alterações podem melhorar consideravelmente as taxas de triglicérides, o que também melhora a saúde metabólica como um todo. Isso significa que a pressão, a glicemia e o colesterol (HDL) podem ser equilibrados, assim como a saúde em geral", fala o endocrinologista Thiago Fraga Napoli, coordenador do Ambulatório de Obesidade do HSPE.

"A exceção são os pacientes com dislipidemia familiar. Para estes, a terapia com medicamentos é essencial", acrescenta o médico.

Como é o tratamento com remédios?

A cardiologista Carla Suely Souza de Paula explica que o tratamento farmacológico é uma opção para pacientes cujas modificações no estilo de vida não trouxeram o resultado esperado, ou nos quadros em que existam outros marcadores de risco.

"No entanto, ele será obrigatório quando as taxas de triglicérides sejam igual ou superiores a 500 mg/dL. Os remédios mais frequentemente usados são as estatinas (como a atorvastatina) e os fibratos, que poderão ser indicados por maior ou menor tempo, a depender da resposta de cada paciente, que deverá seguir com dieta equilibrada e atividade física", completa Paula.

Saiba o que deve mudar na dieta

Os especialistas afirmam que os objetivos do tratamento podem variar, a depender de cada quadro, mas em geral, para além da atividade física regular, é indicado que se adotem as seguintes práticas dietéticas:

  • Reduza o consumo de carboidratos (massas, farinhas, pães, açúcar etc.);
  • Diminua a ingesta de gorduras saturadas (gordura animal, queijos, manteiga, carne com gordura etc.);
  • Inclua gorduras saudáveis no prato;
  • Evite o álcool. Mesmo pequenas quantidades podem alterar as taxas;
  • Aumente o consumo de fibras (verduras, legumes, leguminosas, frutas, nozes);
  • Dê prioridade a laticínios com baixo teor de gordura;
  • Insira mais peixes no cardápio familiar: a sardinha é uma boa opção;
  • Reduza o consumo de alimentos com açúcar adicionado (bolachas, bebidas gaseificadas etc.);
  • Aposte em grãos integrais (farinha, farelo ou flocos de aveia), linhaça, chia, quinoa etc.

Fontes: Carla Suely Souza de Paula, cardiologista do Huol-UFRN (Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte), que integra a rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Plínio Almeida Barros Neto, médico cardiologista e professor do curso de medicina da FOB-USP (Faculdade de Odontologia de Bauru); Thiago Fraga Napoli, endocrinologista titular da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia em São Paulo), coordenador do Ambulatório de Obesidade do HSPE (Hospital do Servidor Público Estadual) e doutorando em endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Revisão médica: Plínio Almeida Barros Neto.

Referências: Ministério da Saúde; Pappan N, Rehman A. Dyslipidemia. [Atualizado em 2021 Jul 15]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560891/.

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