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Janeiro Roxo: hanseníase é transmitida pelo ar, mas tem tratamento

Imagem de microscopia eletrônica do microrganismo causador da hanseníase - Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images
Imagem de microscopia eletrônica do microrganismo causador da hanseníase Imagem: Kateryna Kon/Science Photo Library/Getty Images

Do VivaBem*, em São Paulo

18/01/2022 16h58

No último sábado (15), o juiz Fabio Tenenblat, da 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro, proibiu o presidente Jair Bolsonaro (PL) e representantes da União de usarem o termo "lepra" e derivados. A decisão acompanhou um pedido do Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase) após Bolsonaro fazer um discurso com a palavra.

O movimento argumentou que "lepra" tem "teor discriminatório e estigmatizante em relação às pessoas atingidas pela hanseníase e seus familiares, outrora submetidos a isolamento e internação compulsória em hospitais-colônia".

A doença, agora conhecida como hanseníase, está longe do conceito estigmatizante do passado, mas ainda não é amplamente conhecida pela população. A condição, transmitida pelo ar, tem tratamento —gratuito, pelo SUS (Sistema Único de Saúde)—, mas muitas vezes demora a ser diagnosticada.

O que é hanseníase?

A hanseníase é uma doença infecciosa com transmissão por vias aéreas superiores (mucosa nasal e orofaringe), assim como ocorre com a covid-19 e em quadros de resfriado. No entanto, é preciso um contato prolongado com o portador do bacilo —pelo menos 20 horas ou mais por semana. Por isso, os casos normalmente ocorrem em pessoas da mesma família, colegas de escola ou trabalho, por exemplo.

Ela é causada pelo Mycobacterium leprae, também conhecido como bacilo de Hansen (alusão à Gerhard Hansen, bacteriologista que descobriu a doença em 1873). O tratamento, poliquimioterapia, é gratuito e consiste em um combo de três antibióticos.

Quais os sintomas

A pessoa pode apresentar perda de sensibilidade nas mãos e, progressivamente, comprometimento total. Os sinais de hanseníase tendem a ser mais evidentes apenas com o surgimento de lesões esbranquiçadas ou avermelhadas. De maneira geral, os sintomas demoram a aparecer. Isso acontece porque o período médio de incubação da doença é de cinco anos, já que o bacilo se reproduz lentamente, segundo a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

Sintomas de hanseníase

  • Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo;
  • Dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas;
  • Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade (dormências, diminuição da sensibilidade ao toque, calor ou dor);
  • Área de pele seca e com falta de suor;
  • Edema ou inchaço de mãos e pés;
  • Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos;
  • Febre, edemas e dor nas juntas;
  • Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
  • Ressecamento nos olhos.

Janeiro Roxo

Janeiro Roxo é o mês de alerta para conscientização sobre a doença. Com a campanha "Precisamos falar sobre hanseníase", o dia 30 deste mês marca o Dia Mundial de Combate e Prevenção à condição.

A data foi criada para informar a população sobre a doença, em um esforço contra os preconceitos e a desinformação que podem permeá-la. Também há promoção de ações educativas e ajuda de identificação de novos casos de hanseníase.

*Com informações de reportagens publicadas em 26/01/20, 07/09/21 e 08/01/22.

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