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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Terceira dose em discussão e vida sem máscara? A semana da pandemia

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Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

13/08/2021 16h33

Terceira dose da vacina no Brasil e no mundo, índice de isolamento baixíssimo, imunizante da UFRJ (Universidade Federal do Rio de janeiro) sendo analisado e novo medicamento: fique por dentro das principais notícias da semana a respeito da pandemia do novo coronavírus.

3ª dose de vacina vem aí?

tarcísio - Globo/João Miguel Júnior - Globo/João Miguel Júnior
Imagem: Globo/João Miguel Júnior

A discussão sobre a necessidade de uma terceira dose de vacina contra a covid-19 está ganhando terreno semana a semana. Em Israel, quase metade das pessoas com mais de 60 anos já a receberam.

Nesta sexta (13), a FDA (agência reguladora dos EUA) autorizou a aplicação de uma dose de reforço —ou terceira dose— contra a covid-19 da Pfizer e da Moderna para parte das pessoas com sistema imunológico comprometido. França, Reino Unido, Alemanha e Chile anunciaram que aplicarão a terceira dose para idosos e/ou pessoas vulneráveis.

E em terras brasileiras? Algumas cidades já discutem a respeito. A morte do ator Tarcísio Meira, 85, que já estava imunizado com duas doses de vacina, colocou, mais uma vez, a eficácia dos imunizantes em xeque —ainda que haja explicação científica para a morte, já que o sistema imunológico de um idoso não responde tão bem a qualquer vacina, o fato de que ele tinha outros problemas de saúde e o vírus ainda estar em plena circulação no Brasil.

Só para refrescar a memória: nenhuma vacina te protege 100%, ela não é um escudo mágico e nem te deixa de corpo fechado para a morte, por isso continue se protegendo até que estejamos em um momento mais seguro.

Para mostrar que as vacinas funcionam, sim, um estudo da Info Tracker mostrou que pessoas completamente vacinadas representaram somente 3,68% das mortes por covid que ocorreram no Brasil entre 28 de fevereiro e 27 de julho.

Por outro lado, o Ministério da Saúde vai iniciar um estudo para avaliar a necessidade de reforço para quem tomou a CoronaVac. Essa hipótese vem sendo levantada, principalmente, pelo aumento de casos da variante delta, que é altamente transmissível. Essa semana ainda tivemos a novidade brasileira: a variante gama-plus.

A própria comunidade científica ainda tem opiniões bem divididas sobre a necessidade dessa terceira dose em idosos e imunossuprimidos e de quando ela deveria ser tomada: já ou mais pra frente?

Alguns especialistas acreditam que antes de pensar em uma terceira dose é preciso que todos tenham sido vacinados, o que ainda não é o caso. "Enquanto países ricos já vacinaram mais de 50% da população, há países que não ultrapassaram 1% da população vacinada", lembra Gustavo Cabral, imunologista e colunista de VivaBem.

As farmacêuticas defendem que estudos têm demonstrado a necessidade de um reforço. A chinesa Sinovac anunciou resultados de dois estudos que apontaram para uma alta eficácia de uma terceira dose da CoronaVac. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), por sua vez, solicitou esclarecimentos a Pfizer sobre os estudos relacionados à terceira dose de sua vacina.

A vice-diretora da OMS, a brasileira Mariângela Simão, ressaltou o risco de que uma nova campanha por uma dose extra nos países ricos signifique uma escassez ainda maior de vacinas no restante do mundo.

Essa discussão ainda vai longe. Portanto, vale aguardar para que mais estudos sejam feitos e ficar de olho no que decidirá fazer o Ministério da Saúde.

Vida normal vem aí? Calma, ainda não é bem assim

Continue usando máscara - iStock - iStock
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Até ontem (12), 22,15% da população brasileira estava completamente imunizada, só que conforme o país avança na imunização e as taxas de internações vão caindo, as discussões sobre uma volta à vida normal ficam cada vez mais acaloradas. Para se ter ideia, o resultado da flexibilização no estado de São Paulo é que a adesão ao isolamento social é igual à de antes de a quarentena começar.

Essa semana, Marcelo Queiroga, ministro da Saúde, disse que até o final do ano a população brasileira "poderá tirar de uma vez por todas essas máscaras". Precipitado, não? Os EUA, que haviam suspendido a obrigatoriedade dos protetores, recomendaram a volta deles no fim de julho.

E por aqui ainda não estamos em uma posição confortável para desobrigar o uso. "Isso é uma loucura. Essa não é hora de estarmos falando em retirar a máscara e retirar as ações não farmacológicas, como evitar aglomeração. O foco agora é vacinar o mais rápido possível o maior número de pessoas, controlar a pandemia e evitar que surjam novas variantes", ressalta Gustavo Cabral.

O Boletim Infogripe divulgado pela Fiocruz nesta quinta indica mudança na curva da pandemia, com a interrupção na tendência de queda e a possível retomada do crescimento do número de casos e mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

Portanto, pensar em retirar as máscaras, ainda em um momento tão instável é, no mínimo, colocar a si e aos outros em risco.

Vacina em teste e novo medicamento

Mutações fazem com que surjam novas variantes do vírus SARS-CoV-2, causador da covid-19. - iStock - iStock
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No início dessa semana, a Anvisa confirmou o recebimento de um pedido para que seja autorizado os estudos de fase 1 e 2 da vacina contra a covid-19 da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a UFRJVac.

O imunizante em desenvolvimento pela instituição de ensino superior utiliza a técnica de proteína recombinante, presente em vacinas como a contra a hepatite B, HPV e gripe, mas em nenhuma autorizada pela Anvisa para uso contra a covid-19 no Brasil.

A UFRJVac é uma das quatro vacinas contra a covid-19 que estão sendo desenvolvidas em solo brasileiro e que ao menos já pediram à Anvisa autorização para o desenrolar de estudos clínicos.

Outra boa nova é que a diretoria da Anvisa aprovou por unanimidade o uso temporário emergencial do medicamento injetável Regkirona, um anticorpo monoclonal produzido em laboratórios, contra o coronavírus.

O Regkirona não é um tipo de droga, mas, sim, uma proteína criada pela empresa, como esses anticorpos que o nosso corpo produz, contra uma porção (RBD, na sigla em inglês) da proteína spike do Sars-CoV-2.

Segundo Jean Pierre Schatzmann Peron, imunologista e professor da USP (Universidade de São Paulo), a função desse anticorpo é "grudar" nessa molécula para impedir que o vírus interaja com nossas células.

"Na verdade ele está mimetizando o papel dos nossos próprios anticorpos, e me parece ser uma alternativa bastante eficaz. Mas o ponto é que esses imunobiológicos são complexos de serem feitos e, por isso, é um tratamento de altíssimo custo", diz. "O SUS vai cobrir isso? Não sei. As pessoas vão ter dinheiro para pagar individualmente? Não sei", pondera.

Vale dizer que esse medicamento é indicado apenas para o tratamento de casos leves e moderados em adultos que não necessitam de oxigênio e que apresentam alto risco de progresso para a forma mais grave da doença.

"Coronavírus: o que você precisa saber" é um boletim produzido pela equipe de VivaBem com uma análise rápida das notícias mais relevantes dos últimos dias sobre a pandemia de uma forma simples e prática para todo mundo entender.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL