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Covid-19: segunda dose da vacina dá reação? É mais leve ou pior?

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Imagem: iStock

Danielle Sanches

Do VivaBem, em São Paulo

09/08/2021 12h46

De acordo com o boletim epidemiológico da covid-19 do fim de julho, divulgado pelo Ministério da Saúde, 5,4 milhões de pessoas não voltaram aos postos de saúde para completar a imunização com a segunda dose dentro do intervalo necessário.

No Brasil, as vacinas que pedem a aplicação de duas doses são a Oxford/AstraZeneca e da Pfizer, ambas com intervalo de 3 meses, e a CoronaVac, que prevê três semanas de espaço entre as aplicações. Apenas a vacina da Janssen requer a aplicação de uma única dose.

O número de pessoas que não volta para o reforço é preocupante, já que os estudos sobre nível de eficácia e proteção foram feitos com base nas duas aplicações. Portanto, quem não procurou completar o ciclo vacinal está vulnerável ao novo coronavírus.

"Além disso, é importante lembrar que a pessoa não sabe se e por quanto tempo está protegida com apenas uma dose, já que não há estudos sobre isso", afirma Juarez Cunha, presidente da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações). "Com a variante Delta ganhando espaço por sua alta transmissibilidade, essas pessoas estão colocando a própria saúde e de todos em risco, já que podem se contaminar e passar o vírus", alerta.

Segunda dose dá mais reação? É pior?

Nas redes sociais, diversas razões são apontadas para "fugir" do posto. A mais comum é o medo das possíveis reações que as vacinas podem causar, especialmente após a segunda dose.

De fato, relatos das redes mostram que o imunizante da Pfizer tem apresentado efeitos colaterais mais intensos após a segunda aplicação, com dores de cabeça e no corpo, febre e cansaço que podem durar até 48 horas.

A informação é também aparece na página de informações da vacina no site do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) americano, que informa que eventos adversos como febre, dor de cabeça, fadiga e calafrios são mais comuns após a segunda dose.

No entanto, no caso da vacina Oxford/AstraZeneca, esses sintomas costumam ser relatados com mais frequência após a primeira dose, que também pode provocar náuseas e diarreia. A situação virou até brincadeira entre os que receberam a vacina, que diziam ter sido imunizados "na base da paulada" —em alusão às dores no corpo após a aplicação.

Já a CoronaVac costuma ter pouca reação —é uma vacina considerada menos reatogênica.

De acordo com Cunha, essa variação depende da tecnologia utilizada em cada vacina. "É da natureza de cada imunizante e a resposta pode variar de acordo com cada organismo, a forma como o sistema imunológico reage é bastante individual", afirma o especialista.

Como a resposta varia de pessoa para pessoa, é difícil dizer quando e se a reação será mais forte. "Algumas pessoas sentem efeitos após as duas doses, outras não sentem nada", explica o especialista.

Ele reforça, no entanto, que a grande maioria dos eventos adversos é de leve a moderada intensidade, o que não justifica a hesitação para se imunizar. "Os riscos com a doença, inclusive de desenvolver sequelas permanentes, são muito maiores", alerta ele, que assegurou que todos os imunizantes autorizados no Brasil são seguros.

O que acontece se eu não tomar a segunda dose?

Indo direto ao ponto: se você não receber a segunda dose da vacina, estará vulnerável para contrair o novo coronavírus e ainda colocará a vida de outras pessoas em risco.

"Uma pessoa vulnerável poderá contrair o vírus e passar para outra pessoa vulnerável, que pode desenvolver a forma grave da doença", explica o médico.

Além disso, não se vacinar coloca não apenas a própria saúde em risco como também da coletividade —já que não quebrar a cadeia de transmissão do vírus também aumenta a possibilidade de surgir novas e mais perigosas cepas do patógeno.

É importante lembrar ainda que só a vacinação não é suficiente para conter a pandemia, já que as vacinas atualmente disponíveis são eficazes para aquilo que se propõem: impedir a evolução da doença para casos graves ou morte. Mas os vacinados ainda podem transmitir o vírus —e, no caso da variante Delta, a carga viral que uma pessoa vacinada passa para o ambiente é praticamente igual ao de uma pessoa não vacinada.

Essa informação crucial foi o que levou o CDC americano a voltar atrás e determinar que o uso de máscara ainda deve continuar nos Estados Unidos, mesmo após o aumento no número de vacinados. Além disso, a recomendação é manter as medidas sanitárias: distanciamento social, uso de álcool em gel e evitar aglomerações e espaços fechados com pouca circulação de ar.

Eventos adversos podem ser relatados

Em comunicado, a farmacêutica Pfizer afirma que "o imunizante é uma vacina nova e sua segurança precisa ser monitorada." Para isso, a empresa criou um portal específico em que é possível relatar eventos adversos após a receber a vacina.

O comunicado diz ainda que as reações mais comuns (em 10% dos pacientes) e comuns (entre 1% e 10% dos pacientes) podem incluir dor, inchaço ou vermelhidão no local de injeção, cansaço, dor de cabeça, diarreia, dor muscular, dor nas articulações, calafrios e febre, além de náusea e vômito.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, as vacinas da Pfizer e da AstraZeneca necessitam de intervalos de 3 meses entre as doses no Brasil, e não de 2 meses. O texto foi corrigido.

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