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Dimas Covas diz não ver necessidade de dose de reforço da vacina este ano

Dimas Covas falou sobre a eficácia da CoronaVac e a descrença em torno da vacina - Divulgação
Dimas Covas falou sobre a eficácia da CoronaVac e a descrença em torno da vacina Imagem: Divulgação

Colaboração para o VivaBem

06/07/2021 08h05Atualizada em 06/07/2021 10h09

Após o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticar a eficácia da CoronaVac no Brasil e no Chile, o médico e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, rebateu as falas. Em entrevista ao Estadão, Covas também comentou sobre parte da população optar por outras vacinas contra a covid-19 e disse que não vê necessidade de uma dose de reforço ainda este ano.

Por enquanto, o médico afirmou não ter necessidade de aplicar uma dose de reforço extra para quem se vacinou no começo do ano, como idosos e trabalhadores de saúde, o que tem sido debatido na Inglaterra. No entanto, Covas prevê que a população terá que ser vacinada anualmente contra o coronavírus, pelo menos pelos próximos dois ou três anos. Atualmente, o instituto está trabalhando na ButanVac e acredita ser possível ter uma vacinação única, para tratar a gripe e a covid-19.

O diretor do instituto responsável pela produção da CoronaVac disse que as taxas de eficácia da vacina podem variar de acordo com o estudo clínico e, por isso, "não são comparáveis". Covas apontou que é preciso levar em conta qual parcela da sociedade está sendo analisada.

"Recentemente fizemos estudo em Serrana, esse um estudo de eficiência, com mais de 95% da população adulta vacinada", falou. "Um desempenho excelente. Isso vem corroborando com dados de estudos de eficiência não controlados e a queda dos óbitos na população com mais de 60 anos, majoritariamente vacinada com a CoronaVac", completou.

Para o médico, a situação da covid-19 no Chile ainda não está clara e "há muita especulação". O país latino-americano estava com uma boa taxa de imunização, mas as infecções de coronavírus não sumiram. "Fala-se que tem um aumento acentuado de casos apesar da vacinação. Houve uma redução importantíssima dos casos, de internações, de óbitos. E a incidência tem sido principalmente na população não vacinada", disse.

Sobre algumas pessoas tentarem escolher em postos de saúde qual vacina irão tomar, o diretor do Butantan acredita não fazer sentido, já que todas passam pelos mesmos critérios de aprovação. "Uma vez aprovada, significa que demonstrou que tem segurança e eficácia", ressaltou.

Mas, sem dúvida, a colaboração enorme que aconteceu aqui foi a tentativa de desconstrução da vacina do Butantan feita pelas autoridades federais. Foi um movimento sistemático. As autoridades federais, principalmente relacionadas ao Poder Executivo, mas também à Saúde, em um determinado momento passaram a descredenciar a vacina.
Dimas Covas

Além da narrativa contra o Butantan, Covas afirmou que esse cabo de guerra continua e que um dos obstáculos é o próprio presidente Bolsonaro. "Vez por outra, o 'mandante mor' do Brasil fala alguma coisa. Obviamente há uma legião de comandados que obedecem cegamente", criticou.

Há rumores de que o Ministério da Saúde iria cortar o uso da CoronaVac, mas o diretor do Butantan disse ter conversado com o ministro Marcelo Queiroga e que isso não está sendo discutido. "Pelo contrário, solicitaram que se adiantasse fornecimento e eventualmente se acrescentasse o adicional de 30 milhões de doses, que não respondemos porque temos compromissos com o Estado", falou.

"Aqui o desafio ainda é vacinar a população em geral. Depois disso, aí sim vai poder pensar na dose de reforço e na população infantil e adolescente que também, necessariamente, terá de ser incluída", falou. Para Covas, a imunização contra a doença é urgente. "O estudo da Federal do Rio Grande do Sul mostra que, se a vacinação tivesse começado um mês antes, teríamos salvo 46 mil vidas", completou.

Ontem, o Brasil registrou 754 novas mortes causadas por covid-19 em 24 horas e chegou aos 525.229 óbitos pela doença desde o início da pandemia. Também ontem, o país bateu a marca de mais de 27,3 milhões de habitantes com vacinação completa contra o vírus, o que representa 12,92% da população. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, com base nos dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

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