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Efeito sanfona: os riscos à saúde e como evitar o perde e ganha de peso

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Imagem: iStock

Fernanda Beck

Colaboração para o VivaBem

29/06/2021 04h00

Muitas pessoas desejam emagrecer rapidamente. E, para alcançarem esse objetivo, é comum investirem em dietas muito restritivas, nada saudáveis e difíceis de serem sustentadas por longos períodos. Com isso, elas perdem peso, mas logo abandonam a dieta e recuperam todos os quilos eliminados —e muitas vezes ganham até uns quilos a mais.

Chamado de efeito sanfona, esse sobe e desce dos dígitos da balança tende a acontecer inúmeras vezes ao longo da vida de pessoas que "vivem" fazendo dieta para emagrecer. A seguir, explicamos as principais causas dessa constante oscilação, os problemas que ela pode trazer para sua saúde e o que fazer para perder peso de forma saudável e conseguir manter-se magro.

O que gera o efeito sanfona?

Como falamos, o efeito sanfona quase sempre é decorrente da adoção de métodos para emagrecer difíceis de sustentar em longo prazo, como dietas extremante restritiva (que excluem grupos alimentares do cardápio) e a prática extenuante e autopunitivida de exercícios físicos —táticas nada saudáveis e que podem prejudicar a saúde física e mental.

Outro fator que favorece o efeito sanfona é que, conforme emagrecemos, nosso corpo "luta contra" isso e tenta preservar seu estoque de gordura (energia), pois ele é vital para os momentos de escassez de alimentos (que na sociedade atual não existem mais para muitas pessoas).

Assim, ocorrem diversas alterações em nosso organismo que direcionam ao reganho de peso. As mais importantes são o aumento da fome (dietas restritivas e o exercício também aumentam a fome e o consumo de energia); a redução do gasto de energia e o aumento da eficiência metabólica —ou seja, o corpo passa a queimar menos calorias para realizar suas funções, inclusive a atividade física.

Efeito sanfona, emagrecer, perder peso - iStock - iStock
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Quais os problemas físicos trazidos pelo efeito sanfona?

O flutuar entre um estado de fartura e um estado de privação desequilibra a concentração de hormônios importantes para o controle neural do comportamento alimentar, como a insulina e a leptina. Com isso, o metabolismo fica mais lento e o apetite fica maior.

Além disso, toda vez que a pessoa emagrece, perde um pouco de gordura e um pouco de massa magra. Quando ela recupera o peso, se está sedentária, tende a ganhar mais massa gorda do que magra (músculos). Portanto, nas idas e vindas, a composição corporal piora ao longo do tempo, acumulando massa gorda e perdendo massa magra (importante para a saúde e longevidade).

Existem boas evidências de que o efeito sanfona, ou ciclagem de peso, tem efeitos nocivos à saúde. Estudos mostram, por exemplo, piora na distribuição da gordura corporal, com mais gordura prejudicial e menos gordura protetora. Isso pode causar aumento do estado inflamatório do organismo e maior risco de ter diabetes. Também há evidências de maior risco de mortalidade precoce em pacientes que ciclam peso. Emagrecer e engordar o tempo todo ainda pode gerar flacidez na pele.

Como o efeito sanfona impacta emocionalmente a pessoa?

Não conseguir manter-se magro pode gerar frustração, sensação de incapacidade, tristeza, ansiedade, e sintomas depressivos. O perde e ganha de peso constante ainda reduz a motivação da pessoa em manter uma alimentação saudável e um programa de exercícios físicos, fazendo com que adote hábitos prejudiciais à saúde, que favorecem o ganho de peso e o surgimento de doenças como diabetes, pressão alta, dislipidemia etc.

Efeito sanfona, engordar, calça apertada - iStock - iStock
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Como evitar o efeito sanfona?

É preciso fugir de tratamentos milagrosos, de dietas muito restritivas, da prática de exercícios físicos muito extenuantes e exercícios e de qualquer promessa de perda de peso rápida ou sem esforço. O emagrecimento deve acontecer de forma lenta, gradual e sustentada, com mudanças de hábitos que a pessoa conseguirá manter para a vida toda. Sobretudo para aqueles que estão muito acima do peso e têm dificuldades de emagrecer, esse processo é complexo e requer auxílio multiprofissional.

É imprescindível que haja uma reavaliação da relação da pessoa com o que ela come e também com seu corpo. Além da melhorar na alimentação, a manutenção do peso envolve fatores fisiológicos, ambientais e comportamentais que precisam ser considerados. O sono e o estresse, por exemplo, são aspectos do estilo de vida das pessoas que influenciam no controle do peso.

Quais são as estratégias usadas para combater o efeito sanfona?

Um atendimento multidisciplinar, com diferentes profissionais (médico, nutricionista, psicólogo, treinador) atuando juntos, poderá auxiliar e prover a orientação, planejamento e acolhimento necessário para que a perda de peso seja mantida de forma saudável.

Algumas estratégias indicadas são a realização de uma alimentação equilibrada focada em comer melhor e de forma mais saudável; reorganização de alguns hábitos que poderão ajudar na manutenção do peso corporal relacionados à forma de se alimentar; prática regular de exercícios físicos; gerenciamento de estresse; e cuidado com o sono.

Além disso, um aspecto que precisa ser cuidado é o psicológico, com um acompanhamento que ajude o paciente a entender a situação e continuar motivado.

As mudanças devem acontecer lentamente e mesmo pacientes que fazem cirurgia bariátrica precisam manter um acompanhamento multidisciplinar a longo prazo para não sofrer com o reganho de peso.

Um dos maiores erros de quem emagrece é abandonar todas as medidas adotadas quando acha que seu objetivo foi atendido. É preciso compreender que obesidade é uma doença crônica. Ou seja, ela pode ser controlada, mas não tem "cura" e após emagrecer o paciente precisa de acompanhamento e cuidados para não voltar a engordar.

FONTES: Fabio Gomes de Matos e Souza, professor titular de psiquiatria da UFC (Universidade Federal do
Ceará) e coordenador do CETRATA (Centro de Tratamento de Transtornos Alimentares - Ambulatório de Transtornos Alimentares do Hospital Universitário Walter Cantídio, da UFC); Bárbara de Paula Pires, formada em educação física, mestre em fisiologia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora em ciências médicas pelo Instituto D'Or; Cintia Cercato, endocrinologista, professora da disciplina de obesidade da pós-graduação da USP (Universidade de São Paulo) e presidente da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica); Guilherme Artiolli, professor doutor da EEFE-USP (Escola de Educação Física e Esportes da Universidade de São Paulo) na área de fisiologia aplicada e nutrição; Livia Porto, endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

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