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Você vai ficar velho! Veja 8 dicas para encarar o envelhecimento numa boa

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Bruna Alves

Do VivaBem, em São Paulo

18/06/2021 04h00

Embora inevitável, nem sempre o envelhecimento é bem-vindo, principalmente por causa das limitações ou doenças que podem surgir na terceira idade. Você, provavelmente, já deve ter ouvido falar que essa é a melhor fase da vida —e há quem concorde. No entanto, a maioria tem dificuldades para se adaptar ao novo ritmo.

Mas sabia que pensar em fazer coisas boas como tirar do papel desejos antigos ou tentar interagir no mundo dos jovens ajuda a conviver melhor com a velhice? A ideia é buscar um novo sentido para as coisas de acordo com a realidade do momento.

Durante muito tempo, o idoso era praticamente invisível aos olhos da sociedade e, muitas vezes, até da própria família, mas especialistas ouvidos por VivaBem dizem que essa realidade está mudando, e isso traz às pessoas um novo olhar sobre a velhice.

"Hoje, as pessoas nessa faixa etária procuram ter um comprometimento com a sua saúde física e mental. E isso é bom, porque elas vão buscando alternativas de como manter isso", diz Marilene Kehdi, psicóloga, especialista em atendimento clínico, geriatria e gerontologia social.

A seguir, veja dicas para viver melhor a velhice:

  • Desconstrua estereótipos

Mesmo com limitações, os idosos ainda podem fazer muitas coisas - iStock - iStock
Mesmo com limitações, os idosos ainda podem fazer muitas coisas
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Não pense que você não é mais capaz de fazer as coisas ou que não serve para mais nada só porque a idade chegou. Embora ela traga limitações, em níveis diferentes para cada pessoa, ainda é possível fazer muito a partir dos 60 anos, e com mais sabedoria do que quando tinha 20.

A autoaceitação é fundamental no processo de envelhecimento. "Valorize o tempo. Veja o que vale a pena fazer com pessoas que te acrescentam, te valorizam e que vão te manter otimista" sugere Kehdi.

  • Motivação

Além de movimentar o corpo e refletir na saúde física, a dança traz alegria para os idosos - iStock - iStock
Além de movimentar o corpo e refletir na saúde física, a dança traz alegria para os idosos
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A motivação é fundamental para se ter uma velhice ativa. Assim como qualquer pessoa, os idosos também precisam de algo que os motive, que faça sentido, que lhes traga alegria e prazer.

A maioria das pessoas tem uma vida corrida, mas a vida não é só trabalho, e se abrir para esse questionamento é importante: o que eu posso fazer de agora em diante?

Pense em tirar do papel aquele desejo antigo que nunca foi realizado, como viajar, escrever um livro, pintar, dançar ou até mesmo cuidar dos netos, se for essa sua vontade. Cultive sonhos e objetivos. Dessa forma, o cérebro continua sendo estimulado.

E quando há motivação interna para essa nova fase da vida, mesmo que surjam dificuldades e problemas no cotidiano, você não desiste de viver, não cede à frustação e a tristeza.

"Uma coisa muito importante é que o idoso não pare de exercitar a mente, seja através da leitura, caça-palavras ou jogos interativos de memória. Isso mantém os neurônios trabalhando e, assim, as conexões neurais continuam ativas e a cognição é mantida", explica Diogo Bendelak, psicólogo e tutor da residência multidisciplinar de atenção à saúde do idoso no CHU-UFPA/Ebserh (Complexo Hospitalar Da Universidade Federal do Pará).

"É como se fosse um músculo: quando estou exercitando-o, ele não me dá cãibra, tenho mais disposição e não me sinto tão cansado, mas quando o deixo parado, ele vai atrofiando e sinto dor", completa o especialista.

  • Tolerância

A impaciência e o mau humor acabam afastando as pessoas próximas - iStock - iStock
A impaciência e o mau humor acabam afastando as pessoas próximas
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Se você acha que é um velho ranzinza e impaciente, é hora de repensar suas atitudes. Para isso, busque aprender novas técnicas para desenvolver a paciência e a tolerância, como meditação, por exemplo.

Um idoso legal tende a atrair os jovens para mais perto de si. Claro que você não é o único que tem que aprender a lidar com as situações, mas alguém terá que dar o primeiro passo. Por que não ser você?

  • Faça valer a sua experiência

Sempre é tempo de aprender - Getty Images - Getty Images
Sempre é tempo de aprender
Imagem: Getty Images

A velhice traz com ela a maturidade de quem passou por situações adversas e soube como contorná-las. Por isso, os idosos têm muito a oferecer aos mais jovens, que, por sua vez, têm muitas vontades e sonhos, mas não têm a experiência de vida.

Por outro lado, eles também podem interagir com a nova geração, conhecer seus gostos, procurar aprender mais sobre eles, e assim haver uma troca positiva entre uma faixa etária e outra.

Ou seja, mesmo que você esteja velho e com certas limitações ou doenças, a sua mente pode se manter jovem. O importante é não querer só ensinar, mas também estar disposto a aprender.

"Esse vínculo com o outro é até mais importante do que a atividade física em alguns casos e, aliado a ela, se torna um fator poderosíssimo para o aumento da qualidade de vida do idoso", comenta Bendelak.

  • Conviva com outros idosos

Ninguém entende mais um idoso do que outro idoso - iStock - iStock
Ninguém entende mais um idoso do que outro idoso
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Ninguém melhor do que um idoso para compreender o outro, sobretudo aqueles que são mais ignorados pela família. Hoje em dia há vários grupos de terceira idade que promovem encontros, se apoiam entre eles, partilham suas angústias, tristezas, expectativas e alegrias.

Conviver com outros idosos traz bem-estar generalizado, que está intimamente ligado com a saúde emocional: é uma forma de acolhimento próprio.

  • Não pense apenas nas perdas

Apesar das dificuldades, a idade também traz muitas alegrias - iStock - iStock
Apesar das dificuldades, a idade também traz muitas alegrias
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Assim como em qualquer outra fase, a velhice também tem ganhos. "O que tem de bom que você pode contemplar e se sentir feliz? A maturidade, as conquistas, os filhos criados, ver os netos crescerem. Além disso, você tem que sempre buscar coisas para se atualizar na velhice, porque nós vivemos novos tempos", exemplifica a psicóloga especialista em geriatria.

Mas isso não significa que você não deve falar sobre as perdas com seus familiares. Ao contrário, desabafar, expressar os sentimentos é sempre bom. Mas não deixe de ver também o lado positivo das coisas e, principalmente, não se isole.

  • Converse sobre a morte

Esse é um tema que ainda gera muito tabu. Mas todos vamos morrer um dia, não? Então fale. "Como é isso para mim, que crenças tenho sobre a morte, devo ter medo de algo tão natural?", questiona Bendelak. Mas veja bem: não ocupe todo seu tempo pensando nisso, apenas considere que um dia irá acontecer.

O especialista comenta que, às vezes, mesmo o paciente morrendo no leito do hospital, já em cuidados paliativos, ele quer falar sobre a morte e a família se recusa. É um estágio de negação em que a pessoa não está preparada para ouvir aquilo, mas precisa, pois isso também é uma forma de acolher e respeitar a vontade do idoso.

  • Faça terapia

A terapia é uma aliada para compreender o momento e aprender a como conviver com ele - iStock - iStock
A terapia é uma aliada para compreender o momento e aprender a como conviver com ele
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Segundo os especialistas ouvidos por VivaBem, muitos idosos têm buscado ajuda especializada para entender e aprender a conviver melhor com o passar do tempo.

"Tenho 60 anos, então há uma sensação por parte do paciente que ele será compreendido", comenta Silvana Elisabete, psicóloga clínica, especialista em neuroaprendizagem e vinculada à rede Cartão de Todos.

A psicóloga, que trabalha com reabilitação neurocognitiva, destaca que o cérebro é capaz de se regenerar. "Até pouco anos atrás pensava-se que o cérebro não seria capaz de criar novos neurônios. Hoje, esse mito caiu por terra —a gente consegue fazer com que esse cérebro tenha alguns ganhos e forme novas sinapses, com uma equipe interdisciplinar e um trabalho bem-feito", explica.

Na terapia você pode refletir, relembrar talentos antigos, conversar sobre a família, as dificuldades da idade, falar sobre solidão, entre outras coisas.

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