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Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável


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Para Didi, ajudar o próximo na pandemia foi essencial para sua saúde mental

Didi Wagner - Erika Garrida
Didi Wagner
Imagem: Erika Garrida

Bárbara Paludeti

De VivaBem, em São Paulo

14/06/2021 04h00

Não importa se você a conhece dos tempos em que ela foi VJ da MTV —lembra do Supernova, Top 10 e Verão MTV?—, ou já da época como apresentadora de programas de viagem e festivais de música, fato é que Adriana Golombek Wagner, a Didi Wagner, 45, está sempre com o astral lá em cima, inclusive durante a mais de uma hora de conversa com VivaBem.

Só que os últimos 15 meses, que foram pesados para o mundo todo, também trouxeram desafios diários para ela com oscilações de humor da manhã para a tarde.

Didi Wagner - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Didi, que faz sessões de análise freudiana duas vezes por semana há mais de 15 anos, disse que algo que a ajudou a manter-se sã mentalmente foi se vincular com mais intensidade a instituições de caridade com as quais já colaborava.

"O início da quarentena [em 2020] foi o mais difícil de assimilar, porque foi tudo muito assustador. Fiquei muito angustiada com muitas questões e quando consegui focar em ajudar pessoas mais necessitadas, isso me deu um propósito e foi muito bom. Em situações de falta de perspectiva, sentir que você pode fazer um pouco de diferença para o outro traz um grande alento", conta.

Ela explica que ficou relutando contra a frustração e a tristeza e teve que trabalhar esses sentimentos em terapia.

Tenho direito de fichar chateada e isso não significa que não reconheço que há situações mais dramáticas e difíceis.

A apresentadora teve muitos projetos cancelados, mas pôde continuar trabalhando de forma virtual e remota, o que para ela também foi essencial para a saúde mental. Ela também se considera privilegiada por poder estar com o marido e as três filhas: "Mesmo em um momento de isolamento, tenho companhia, então essa configuração é bastante benéfica".

Segundo Mariana Luz, psicóloga, tudo isso faz sentido, já que ajudar o próximo pode beneficiar nossa saúde mental se for algo que seja escolha e importante para nós. "Um dos incômodos que as pessoas têm nas grandes crises é se sentirem privilegiadas em relação a outras. Na prática, o que existe é o que é mais importante para você", explica.

Luz, que é autora dos e-books Se Cuida!, Era Uma Vez Negritude e Era Uma Vez Branquitude, afirma que ter um propósito social é uma característica humana. "Nós nos impactamos coletivamente com o que acontece no mundo", explica.

Como ela cuida da mente e do corpo

Didi Wagner - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Além da terapia, que Didi considera um espaço importante em que pode conversar sobre angústias, esperanças e trocar ideias de forma privativa, segura e individualizada, a ex-VJ também preocupa-se em estar bem fisicamente e acredita na importância dessa correlação entre mente e corpo.

A apresentadora conta que concentra suas práticas esportivas em corrida, ioga, de vez em quando na dança e no surfe, que começou a treinar com mais afinco no meio de 2020, incentivada pela amiga Isabella Fiorentino.

"Faço aulas com surfistas experientes que vão comigo para o mar e indicam a onda que é melhor para eu entrar, além disso, eles dão umas dicas do momento mais apropriado para eu subir na prancha. Me sinto mais segura porque não sei 'ler' muito bem o mar ainda", afirma.

De acordo com Diego Villalobo, profissional de educação física e gerente técnico do Grupo Smart Fit, o surfe, além da diversão e a conexão com a natureza, proporciona benefícios tanto para a saúde mental, como a redução do nível de estresse, quanto para a saúde do corpo, como melhora do trabalho cardiovascular, muscular, respiratório, de coordenação e equilíbrio.

"É uma ótima opção para quem quer reduzir o percentual de gordura, podendo utilizar até 500 kcal, em média, a cada hora de prática, afinal, o nível de esforço para o corpo se manter na água é alto", explica.

Junto com a ioga, que pratica duas vezes por semana —agora com aulas virtuais— Didi faz meditação. "A meditação para mim faz parte da ioga. Não faço uma meditação prolongada durante a ioga, mas faz parte da minha prática. Considero uma meditação ativa, porque os ásanas [posturas da ioga] pedem concentração e foco, isso para mim já é um estado mais meditativo. Nos ásanas mais desafiadores, a cabeça faz toda a diferença, quando estou concentrada, focada e até otimista, a postura sai melhor", conta.

E os benefícios da ioga vão muito além de ficar com o corpo forte e postar foto no Instagram, a prática diminui sintomas de ansiedade e depressão, ajuda na memória e até previne doenças cardiovasculares, e é a ciência que comprova.

A ex-modelo diz que tem uma alimentação saudável, mas sem privações, e tenta fundamentar a dieta cada vez mais em plantas, verduras e legumes. "Dá para dizer que sou flexitariana". O que ela tem feito com rigor é a segunda-feira sem carne muito mais pela preocupação com a sustentabilidade do planeta e o impacto ecológico que comer carne vermelha traz.

Didi Wagner - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Redes sociais

Ao longo da pandemia, Didi também descobriu um novo hobby: fazer desafios de dança do TikTok com uma das filhas, e conta que tem se divertido muito e recebido comentários positivos.

Tenho uma relação totalmente ambivalente com as redes sociais. Elas têm um lado muito bacana de compartilhamento de opiniões, aumento da conscientização sobre determinados assuntos, como o racismo, mas tem um lado muito perverso e reconheço isso.

Mas, para ela o efeito positivo ainda prevalece: "Tenho seguidores carinhosos, que sempre têm coisas bacanas para falar. Para mim, ainda é um saldo positivo."

O processo de envelhecer

Didi Wagner - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Quando questionada sobre o quão vaidosa é, Didi diz que é "de forma equilibrada", mas faz questão de lembrar a pressão estética pela qual passa por trabalhar na televisão.

"A demanda pela estética nas mulheres continua sendo de pressão social, e ainda mais presente numa carreira televisiva. Gosto de me cuidar, faz parte do meu bem-estar. Para mim é um autocuidado, é amor-próprio. Acho prazeroso me cuidar, mas não gasto muito tempo com isso. É um dispêndio de tempo otimizado e racionalizado", ressalta.

Didi entende a passagem do tempo como um presente da vida: "Não tenho medo de envelhecer porque sinto que isso é uma dádiva da vida. Agora tem coisas que não são fáceis nem agradáveis, tem muito a questão da pressão social. Por exemplo, sou vítima dos apps que tiram um pouco das marcas de expressão", brinca.

"Não acho que meu rosto mudou de quando você me via como VJ", fala Didi, e acrescenta:

Não quero mudar quem eu sou, mas posso combater um pouco os efeitos do tempo. E também para continuar me apresentando na televisão com uma imagem de jovialidade, que tem a ver com astral, otimismo, perseverança, resiliência e positividade.

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