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Tomar decisões faz você sofrer? Veja 10 sugestões para driblar dificuldade

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Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração para o VivaBem

05/03/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Ter dificuldades para decidir não é um traço de personalidade em si, mas uma propensão baseada no hábito de reagir de uma certa maneira
  • Crianças que foram muito criticadas, cobradas ou alvo de expectativas muito altas tendem a se tornar adultos hesitantes e inseguros
  • A boa notícia é que com algumas mudanças de atitude e pensamento, é possível aprender a decidir de forma mais assertiva

Escolher faz parte da vida e consiste em um processo cognitivo que envolve fatores racionais e emocionais, principalmente em relação a experiências passadas, considerando os riscos do presente e do futuro. Para algumas pessoas, em geral mais confiantes e determinadas, tomar uma decisão é algo simples e calcado no combo "prós e contras". Para outras, porém, seguir um caminho ou fazer uma opção causa ansiedade, angústia e sofrimento.

Uma das justificativas para tamanho desconforto tem origem na infância. Crianças que foram muito criticadas, cobradas ou alvo de expectativas muito altas tendem a se tornar adultos hesitantes e inseguros. Episódios malsucedidos também costumam provocar um impacto negativo em quem sente apuros diante de alguma necessidade de definição, reforçando o medo de errar. Há, ainda, os detalhistas e perfeccionistas, que levam um tempo maior para pesar as perdas e os ganhos de suas escolhas.

É importante frisar que ter dificuldades para decidir não é um traço de personalidade em si, mas uma propensão baseada no hábito de reagir de uma certa maneira em determinados contextos. Entretanto, traços de personalidade estão muito associados à dificuldade de decidir e podem facilitar ou complicar a tomada de decisão, interferindo no padrão/estilo de decisão de uma pessoa.

O estado emocional e o grau de envolvimento emocional com a escolha também estão envolvidos, assim como o estilo de apego e o nível de autoestima. A boa notícia é que com algumas mudanças de atitude e pensamento é possível aprender a decidir de forma mais assertiva, rápida e objetiva. Confira algumas ideias:

1. Conheça-se melhor: tire alguns momentos do dia para fazer uma autoavaliação e entender o que está acontecendo com você naquele momento e o que ocorre no seu corpo. A partir do reconhecimento de sentimentos e sensações, você pode desenvolver estratégias para diminuir a ansiedade, por exemplo, respirando um pouco mais profundamente e relaxando os ombros. Isso pode fazer com que os pensamentos fiquem mais lentos e ''clarear" as ideias para tomar uma decisão.

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2. Entenda que ninguém faz escolhas certas todas as vezes: o erro é parte da rota da vida de qualquer ser humano. Por incrível que pareça, as decisões erradas são úteis para que escolhas mais felizes sejam feitas no futuro.

3. Não fique refém de dúvidas: dependendo da decisão que deve ser tomada, procure pessoas mais experientes, faça uma pesquisa em livros ou na internet (claro, com fontes confiáveis) e considere todas as alternativas.

4. Reflita escrevendo: pensar e escrever sobre os prós e contras de cada possibilidade é uma maneira de organizar os pensamentos, que muitas vezes se atropelam e dificultam a visualização das consequências. No papel, você terá mais clareza do que quer e do que não quer.

5. Encare tudo como aprendizado: lembre-se sempre que a maioria das decisões pessoais e profissionais tem pouca ou nenhuma consequência negativa a longo prazo. Os aprendizados só acontecem quando erramos. Em alguns casos, aliás, nem se trata de optar pelo certo ou errado, mas por caminhos diferentes. O importante é tentar não repetir aquilo que causou sofrimento em você ou terceiros.

6. Revisite sempre suas decisões: é uma tática boa para saber se algo mudou do momento em que determinada decisão foi tomada ou se poderia fazer diferente. Revisitar nossa história nos faz aprender. Muitas vezes realizamos escolhas de acordo com o momento de vida que estamos atravessando e, assim, nem sempre tal escolha será vista como adequada mais tarde, apenas que, no momento da decisão, ela se mostrou a mais correta.

7. Estabeleça prazos: conhece o ditado "antes feito que perfeito"? Soluções 100% perfeitas são muito demoradas, raras e geralmente desnecessárias. Dê o melhor de si e decida o suficiente para cada situação. Na maior parte das vezes, não é necessária uma decisão que atenda a todos os requisitos que você julga cruciais.

8. Tenha em mente que não dá para agradar todo mundo: assuma que as próprias escolhas sempre irão frustrar a expectativa de alguém.

9. Analise os sentimentos na hora da escolha: você está agindo por medo, culpa, raiva, vingança ou frustração? Se emoções negativas estiverem envolvendo seu poder de decisão, o melhor a fazer é dar tempo ao tempo e se acalmar antes de escolher.

10. Faça terapia: ferramentas como treino de habilidades e técnicas de resolução de problemas, frequentemente usadas pela TCC (terapia cognitivo-comportamental), podem ajudar a escolher de modo mais coerente e objetivo. Por trás de cada decisão, as pessoas são movidas por fatores psicológicos ocultos que moldam a maneira como pensam e agem —e um bom psicoterapeuta pode ajudar a identificar e compreender quais são, melhorando o modelo de tomada de decisões.

Fontes: Bruno Mendonça Coêlho, psiquiatra de adultos e da infância e adolescência, doutor em ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica do IPq-HCFMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); Daniela de Oliveira, psicóloga clínica e integrante do Ambulatório de Medicina e Estilo de Vida do HCFMUSP; Gabriela Luxo, psicóloga, psicopedagoga, mestre e doutora em distúrbios do desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo (SP), e pós-graduada em psicologia positiva pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo); Joselene L. Alvim, psicóloga especialista em neuropsicologia pelo setor de neurologia do HCFMUSP e coordenadora do curso de especialização em neuropsicologia da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

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