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O que você precisa saber sobre a CoronaVac, a vacina do Butantan

De VivaBem, em São Paulo

07/01/2021 12h48Atualizada em 11/01/2021 13h35

O Butantan anunciou hoje (7) que a CoronaVac, vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o instituto, garante 78% de proteção contra casos de covid-19 leve que exigem atendimento hospitalar. Além disso, a imunização foi capaz de evitar em 100% casos graves, internações e mortes pela doença.

A eficácia da imunização, que mostra quanto a vacina pode proteger contra a doença em geral —inclusive sintomas leves e que não exigem atendimento médico— não foi divulgada até o momento, mas deve ficar abaixo dos 78%.

Os testes de fase 3 da CoronaVac no Brasil foram realizados em 16 centros clínicos em 8 estados envolvendo 12.476 profissionais de saúde da linha de frente até o momento —220 contraíram covid-19. Dimas Covas, presidente do Butantan, ressaltou que novos voluntários continuam sendo convocados.

Entre as pessoas que receberam a vacina e pegaram a doença, não houve nenhum caso grave, moderado, internação hospitalar ou morte —o que mostra uma eficácia de 100%. Os casos leves foram prevenidos em 78%, ou seja, apenas 22% dos voluntários infectados com o coronavírus tiveram que procurar atendimento ambulatorial por conta de algum sintoma.

Com isso, o instituto entrou com pedido emergencial de registro do imunizante na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O pedido faz da CoronaVac a primeira vacina contra covid-19 a buscar autorização junto ao órgão.

O governador de São Paulo, João Doria, confirmou que pretende começar a imunização no dia 25 de janeiro.

Abaixo, veja 4 pontos que você precisa saber sobre a CoronaVac:

Como funciona a CoronaVac?

A vacina da Sinovac usa vírus inativados, ou seja, que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Por isso, eles não conseguem nos deixar doentes, mas isso é suficiente para gerar uma resposta imune e criar no nosso organismo uma memória de como nos defender contra uma ameaça.

O processo começa logo após a aplicação da vacina. As células que dão início à resposta imune encontram os vírus inativados e os capturam, ativando os linfócitos, células especializadas capazes de combater microrganismos. Os linfócitos produzem anticorpos, que se ligam aos vírus para impedir que eles infectem nossas células.

Enquanto isso, estimulam a produção e recrutam outras células do sistema imune, que começam a destruir as células que já foram infectadas pelos vírus da vacina. Os linfócitos se diferenciam em células de memória, que permanecem no corpo e permitem uma reação imune mais ágil se o vírus nos infectar de novo.

A aplicação da CoronaVac ocorre em duas doses, sendo a segunda entre 14 e 28 dias após a aplicação da primeira. De acordo com o Butantan, vacinas de covid-19, em geral, estão desenhadas para proteger contra a doença. Portanto, existe a possibilidade de uma pessoa vacinada ser infectada e transmitir a infecção, mesmo sem ter sintomas. A duração da proteção de nenhuma vacina não é conhecida neste momento.

Segundo o plano do governo do estado, a partir de 25 de janeiro serão aplicadas as primeiras doses da vacina a trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas.

A partir de 8 de fevereiro, receberão a primeira dose idosos com 75 anos ou mais, em uma escala decrescente até chegar às pessoas com 60 anos, a partir de 1º de março.

Importante ressaltar que ainda não está prevista a disponibilização da vacina às gestantes e menores de 18 anos, porque no momento não há indicação de uso no estudo de fase 3. Se você está grávida ou amamentando, converse com o seu médico.

Há vantagens e desvantagens da tecnologia da CoronaVac?

A vacina da Sinovac usa uma tecnologia bastante tradicional de imunização, desenvolvida há cerca de 70 anos. Entre as que tomamos que utilizam essa tecnologia, estão as de gripe, hepatite A e poliomielite (na versão injetável).

A seu favor, conta a experiência de décadas no seu uso em saúde pública e sua segurança, mas elas são mais caras para serem produzidas porque é necessário cultivar uma grande quantidade de vírus em laboratório, que devem então ser submetidos ao processo de inativação.

Como é feita a produção pelo Butantan?

No começo de dezembro, o instituto anunciou que a fabricação ocorrerá em turnos sucessivos, sete dias por semana, para que a produção diária alcance a capacidade de 1 milhão de doses por dia. Desta forma, a fábrica funciona sem parar, 24 horas por dia, para dar conta da demanda.

O primeiro lote terá aproximadamente 300 mil doses. O Butantan espera, assim, ter 40 milhões de doses prontas produzidas localmente ainda esse mês.

"Nossos esforços em incrementar o time de profissionais vêm do comprometimento do Butantan em disponibilizar rapidamente uma vacina para uso na população brasileira. Pela urgência, garantimos o terceiro turno da fábrica em uma rotina incessante de produção. Hoje, já temos em solo nacional 10,8 milhões de doses", afirmou Dimas Covas.

No mesmo complexo são envasados anualmente 80 milhões de doses da vacina contra a gripe, além de 13 tipos diferentes de soros que são usados na rede pública de saúde. O imunizante tem composição semelhante a outros produzidos pelo Butantan, o que facilita e agiliza o processo de envase.

Quem mais deve usar a CoronaVac além do Brasil?

Quatro países já aplicam ou têm planos de aplicar o imunizante da chinesa Sinovac.

- China: a CoronaVac ainda não foi oficialmente registrada no país, mas já está sendo usada, em regime emergencial, por funcionários do governo chinês, como profissionais de saúde e equipes que trabalham nas fronteiras. Ela é uma das três vacinas que estão sendo empregadas para este fim.

- Indonésia: o país firmou um contrato para compra de 50 milhões de doses.

- Turquia: o Ministério da Saúde local tem um acordo para o fornecimento de 50 milhões de doses. A vacina ainda não foi oficialmente aprovada no país, mas, segundo o governo turco, será concedida uma autorização de uso antecipada se os laboratórios do país confirmarem que a CoronaVac é segura e após a revisão dos preliminares dos testes de eficácia feitos no país.

- Chile: o país anunciou no fim de setembro ter aprovado a realização de estudos locais de eficácia da CoronaVac. O governo do país fechou ainda um acordo para o fornecimento de 20 milhões de doses.

Errata: o texto foi atualizado
A versão inicial desse texto dizia que a proteção da vacina é conhecida neste momento. Na verdade, faltou a palavra "não" nesse trecho. Acrescentamos.

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