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Aos 69, Olivetto diz que busca administrar seu astral para viver melhor

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Imagem: Divulgação

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

03/12/2020 04h00

Criador de campanhas famosas como o "Garoto Bombril" e o "Primeiro Sutiã", de Valisère, o publicitário Washington Olivetto fala sobre sua relação com o envelhecimento, além de experiências e propósitos de vida, nesta entrevista para VivaBem. Para além do reconhecimento profissional, Olivetto, que mora em Londres desde 2017, também pode ser considerado um exemplo em longevidade por se manter ativo, atualizado e produtivo aos 69 anos.

Na conversa, garantiu que pensar em aposentadoria está longe dos seus planos e explicou o que faz para lidar com as pressões do trabalho e os hábitos que mantém para ter disposição no dia a dia. Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Perto de completar 70 anos, você se sente ainda cheio de disposição, faz muitos planos, ou a ideia de aposentadoria já passa pela sua cabeça?
Estarei completando 70 anos de vida em setembro de 2021, está perto, mas sem dúvida nenhuma a ideia de aposentadoria não passa pela minha cabeça de jeito algum. Muito pelo contrário.

Acho que se aposentar deve dar uma sensação de virar um morto-vivo.

Agora, um ano antes de fazer 70 anos, estou preparando dois novos projetos que pretendo lançar ainda no final deste ano, ou no máximo, no primeiro trimestre de 2021. Então segue o jogo, vamos fazer as mesmas coisas.

Como são os seus hábitos de rotina? Como é a sua alimentação e o que faz para se manter ativo mental e fisicamente? Realiza alguma atividade esportiva?
Tenho alguns hábitos que disciplinadamente procuro manter. Sobre alimentação, como todo e qualquer tipo de coisa. Acho que o ideal para uma pessoa particularmente com mais de 50 anos é tomar um bom café da manhã e fazer uma única refeição por dia, mas muito farta, uma espécie de almoço e jantar no final da tarde, que é o que procuro fazer. Não bebo bebida destilada, mas bebo vinho diariamente e me sinto bem com isso.

Já a minha maior atividade física é caminhar, sempre foi.

É curioso porque aqui em Londres tenho caminhado mais do que nunca. Caminho de 6 a 8 quilômetros por dia. O Kenneth Cooper [cardiologista americano incentivador da ginástica aeróbica] dizia que o coração de um homem está nas pernas e acredito muito nisso. Londres, mesmo sendo uma cidade nublada, é muito agradável para se caminhar, porque reserva surpresas a cada quarteirão e não gosto e nem me permito caminhar numa esteira. Tenho que caminhar onde acontecem coisas. Então as minhas cidades preferidas para caminhar são a nublada Londres, o ensolarado Rio de Janeiro e a Nova York que mistura isso das diferentes maneiras. Basicamente é mais ou menos assim minha rotina.

Você deu recentemente uma entrevista ao UOL Economia dizendo que a publicidade não está mais tão 'brilhante'. De alguma forma isso o afeta negativamente, tira o seu encanto pela profissão, ou não, seria mais um motivo para continuar na ativa, se desafiar e se superar?
Realmente dei uma entrevista tempos atrás para o UOL dizendo que a publicidade não estava tão brilhante, mas é uma observação, não significa que isso tenha me desmotivado ou feito abandonar essa atividade. O que tenho feito, sim, é ter a consciência de que a publicidade não é mais só publicidade, ela é todo um projeto de comunicação e fazer esse todo projeto de comunicação é algo que me desafia, que me dá muita vontade e está muito ligado a esses projetos novos que estou desenvolvendo nesse momento. Então não estou nem um pouquinho desmotivado não, estou muito desafiado e com vontade de fazer o novo de novo, que é o grande prazer que tenho nessa atividade.

Washington Olivetto 2 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Sobre estresse, tensão, o que você aprendeu sobre conciliar carreira e bem-estar ao longo da vida que poderia servir de recomendação para os jovens não se 'detonarem' com o trabalho?
Comecei a trabalhar muito jovem, com 18 anos, e acabei me treinando ou me adestrando para fazer uma coisa que foi e tem sido muito útil na minha vida. Me programei para nunca estar trabalhando e nunca estar me divertindo. Me programei sempre para tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

Esse tipo de comportamento em que você mistura diversão e trabalho, trabalho com diversão, acho que permitiu que eu suplantasse as tensões que existem.

A única grande diferença é que nos últimos anos passei a usar óculos, primeiro para ler e depois para distância, e aí você começa e não ser livre nunca mais. Mas de resto está tudo parecido.

Você acha importante ter algum tipo de crença, trabalhar a espiritualidade para manter e melhorar a saúde? Se você acredita nisso e pratica, conte um pouco suas experiências.
Olha, fui batizado, a minha religião oficial é a católica. Mas costumo dizer que sou muito um católico apostólico corintiano como muitos brasileiros, que apesar de ter uma primeira religião, tem muita curiosidade por todas. Acho até que todas as religiões têm um lado interessante, bom, que vale a pena a gente optar por eles, vale a pena praticar. Mais do que isso, acho que além dessas crenças religiosas, a gente na vida tem que ter crenças ideológicas e profissionais.

Sempre acreditei que uma boa crença é acreditar no talento e trabalho e pensar que na vida profissional e na cotidiana a administração do astral é tão importante quanto a administração do caixa, e é isso o que procuro fazer, administrar o meu astral, daquelas pessoas que me cercam, para fazer um trabalho melhor, bem feito e viver melhor.

Com a ameaça da pandemia de covid-19 estamos passando mais tempo em casa, isolados. Como vê esse momento e tem lidado com ele? Teria alguma indicação de programação?
Bom, nesse período do coronavírus, todos nós, em diferentes lugares do mundo, ficamos mais isolados dentro de casa. Até escrevi um artigo outro dia para a Folha de S.Paulo falando que o coronavírus foi um momento cultural também, porque se leu mais, se ouviu mais música, se assistiu mais séries.

São muitas as séries interessantes para assistir nesse momento, na minha opinião. Mas do ponto de vista aqui de Londres para o mundo, uma série que tem feito muito sucesso e é muito bem-feita é '"The Crown", a respeito da rainha Elizabeth 2ª e todo o seu entorno.

Para finalizar, daria algum conselho de saúde para o Washington Olivetto de 40 anos atrás?
Se eu tivesse que dar um conselho para mim há 40 anos, quando estava com 29 anos, o conselho que eu daria seria: 'Pare de fumar imediatamente'.

Fumei muito na minha vida durante muitos anos e não parei nos 29 anos, parei com 59 anos, por uma situação que me deixou preocupado. Tive uma espécie de pólipo nas cordas vocais que, felizmente, foi retirado e não representou nada de mais grave, mas poderia.

Olivetto é um dos convidados da 15ª edição do Fórum da Longevidade, este ano transmitido de forma online, no dia 3/12, às 17h, no canal oficial do YouTube do Grupo Bradesco Seguros.

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