PUBLICIDADE

Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Saúde

Insônia pode persistir por pelo menos cinco anos, se não tratada

iStock
Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

15/11/2020 13h14

Se não tratada, a insônia pode ser persistente, de acordo com um novo estudo. Publicada no periódico Jama Network Open no dia 6 de novembro, a pesquisa mostrou que o problema pode persistir por pelo menos cinco anos.

Os pesquisadores acompanharam mais de 3 mil adultos anualmente por meia década e descobriram que 37,5% dos que já tinham insônia continuaram sofrendo com ela até o fim do estudo. Além disso, quase 14% dos que não tinham o distúrbio no início da pesquisa o desenvolveram com o tempo.

O intuito da análise era compreender a trajetória da condição, assim como fornecer informações sobre a probabilidade de a insônia se desenvolver em uma pessoa que já dormia bem.

"Acho que ficamos muito surpresos ao ver como essa condição é persistente para tantas pessoas. Há muito tempo pensamos que ela seria principalmente um problema situacional e que, se você a deixasse 'sozinha', ela iria embora. Mas o que encontramos aqui é que a taxa de persistência é particularmente alta", disse o autor do estudo Charles Morin, professor de psicologia da Universidade Laval, no Canadá.

Como o estudo foi feito

  • Os cientistas selecionaram 3073 pessoas com e sem problemas de sono. Os participantes responderam uma pesquisa anualmente sobre a qualidade do sono durante cinco anos consecutivos;
  • Eles foram classificados dependendo da avaliação dos testes como pessoas que dormiam bem (1717), que tinham insônia (538) ou que não dormiam bem, mas não tinham um diagnóstico preciso (818);
  • A equipe classificou como insones aqueles que tinham problemas para dormir pelo menos três noites por semana. A categoria menos grave incluiu aqueles que tomavam medicamentos para dormir pelo menos uma vez por semana, mas não mais do que três vezes por semana, ou aqueles que relataram estar insatisfeitos com o sono sem todos os sintomas típicos de insônia;
  • Por fim, os pesquisadores analisaram as taxas de incidência da insônia em quem começou o estudo dormindo bem e as taxas de remissão e persistência em quem dormia mal.
insonia - iStock - iStock
Irritabilidade, cansaço e dificuldade para trabalhar sob pressão durante o dia são sinais da insônia
Imagem: iStock

Insônia precisa ser identificada e tratada

A insônia pode levar a uma variedade de outros problemas de saúde, incluindo depressão, ansiedade, hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e até suicídio.

"Nós sabemos que quando a insônia persiste o tempo todo, ela pode estar associada a uma série de resultados negativos para a saúde", disse Morin. Segundo ele, a TCC (terapia cognitivo-comportamental) pode ser um bom tratamento. Essa forma de psicoterapia se concentra na mudança de hábitos, no caso, relacionados ao sono. Além de ajudar na higiene do sono, ela também pode interferir na maneira como as pessoas com insônia pensam sobre o tema.

"Às vezes, as pessoas desenvolvem quase uma obsessão com o sono. Têm medo de não dormir e das consequências diurnas da insônia. Isso só alimenta o problema e se perpetua com o tempo", disse Morin. "Essa forma de terapia realmente ensina as pessoas a mudar alguns de seus comportamentos e padrões de pensamento".

Tratamento sem remédios

O tratamento depende da gravidade do quadro, por isso é importante buscar ajuda especializada. Mas na maioria das vezes, mudanças comportamentais trazem de volta as boas noites de sono. Veja a seguir as estratégias que não envolvem medicamentos:

Higiene do sono: trata-se de uma proposta educativa que leva à modificação do estilo de vida, como limitar as sonecas da tarde, evitar fumar e jantar perto da hora de dormir ou consumir álcool e cafeína. A adoção de uma dieta equilibrada é indicada, assim como o estabelecimento de uma rotina de horários para o sono e o despertar. Para pessoas com insônia crônica, esta estratégia deve sempre somar-se a outras.

Restrição de tempo de sono e cama: a prática se resume em limitar o número de horas que se fica na cama. A ideia é que a redução das horas que se passa deitado, aumente o desejo de dormir, consolidando o padrão de sono. Com o passar do tempo, a restrição se estende gradualmente.

Controle de estímulos: a orientação é só usar a cama para dormir e para o sexo. Comer, assistir TV, usar o celular, o tablet ou o computador são comportamentos proibidos.

Intenção paradoxal: você é orientado a resistir ir para a cama até não aguentar mais. O objetivo é combater o medo de não dormir.

Técnicas de relaxamento: mindfulness, exercícios respiratórios, meditação, ioga. Todas essas práticas são aliadas da melhora do padrão de sono e ainda reduzem a ansiedade e o estresse.

Saúde