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Pré-diabetes fez sertanejo Belutti mudar de vida; entenda a condição

Pré-diabetes antecede o diabetes tipo 2 e pode durar anos - Reprodução/TV Globo
Pré-diabetes antecede o diabetes tipo 2 e pode durar anos Imagem: Reprodução/TV Globo

Luiza Vidal

Do VivaBem, em São Paulo

13/11/2020 11h00

Resumo da notícia

  • Bruno Belutti, da dupla Marcos e Belutti, recebeu diagnóstico de pré-diabetes
  • Condição antecede o diabetes tipo 2 e pode durar anos
  • Bruno Belutti adotou novo estilo de vida: alimentação saudável e rotina de atividade física
  • Além disso, o artista faz acompanhamento periódico com o médico

Foi durante um show que o cantor sertanejo Bruno Belutti sentiu que precisava procurar ajuda médica. "Me sentia muito fraco, mal conseguia ficar em pé", contou ao VivaBem. Após realizar exames de sangue entre uma apresentação e outra é que descobriu que estava com pré-diabetes, condição que antecede o diabetes tipo 2 e pode durar anos.

Na época, aos 38 anos, o cantor da dupla Marcos e Belutti contou que usava remédios para emagrecer —o que explica a sensação de fraqueza e mal-estar. Isso porque o pré-diabetes é uma condição que, na maioria dos casos, é assintomática.

Com o resultado dos exames de sangue, o médico ligou para avisá-lo que a taxa de glicemia (nível de açúcar no sangue) estava acima do normal, que é entre 70mg/dl e 99mg/dl. Quando a pessoa está na condição de pré-diabetes, essa taxa costuma ser de 100mg/dl ou mais e de forma recorrente. Para que ocorra o diagnóstico do diabetes tipo 2, esse valor precisa estar acima de 125 mg/dl.

Ao voltar para São Paulo, o cantor resolveu buscar ajuda de um especialista, que passou mais exames laboratoriais. Na época, no fim de 2019, a médica confirmou a condição de pré-diabetes e indicou que ele passasse a monitorar a taxa de glicemia e incluísse, na rotina, exercícios físicos e uma alimentação mais saudável, já que também estava com sobrepeso, um fator de risco para a condição. Belutti também tem o pai diagnosticado com diabetes tipo 2 e, por isso, resolveu mudar o estilo de vida.

"Essa rotina de shows, sem hora certa para dormir ou almoçar, me prejudicou. Comia qualquer coisa que tinha no momento que era, muitas vezes, um salgado. Hoje em dia, estou me alimentado corretamente e no mesmo horário", explica Belutti. Reforçou ainda a rotina de treinos, além dos dias em que joga tênis, por conta da participação na Dança dos Famosos, da TV Globo.

Quando mudou de médico, Belutti passou a usar medicamentos (neste caso, a metformina) para controlar as taxas de glicemia e reverter a situação rapidamente —mas nem sempre é necessário, depende muito da situação do paciente.

Hoje, enxerga a mudança como algo positivo. "É uma mudança para a vida. Tenho um filho de quatro anos e quero brincar muito com ele e vê-lo crescer. É importante que eu tenha saúde para fazer isso e evitar problemas no futuro", diz.

Há um ano convivendo com o pré-diabetes, o cantor conta que as taxas seguem controladas e, ainda assim, mantém o acompanhamento médico e as mudanças citadas acima. De acordo com Márcio Krakauer, endocrinologista da SBEM-SP (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo) e da SDB (Sociedade Brasileira de Diabetes), a condição de pré-diabetes pode durar até 15 anos, mas com grandes chances de revertê-la.

"Se a pessoa tomar uma atitude, como incluir uma boa alimentação, perder peso, fazer exercícios físicos, dormir direito, ou seja, ter uma vida saudável, a chance de reverter a situação chega a 60%. Mas a tendência da maioria é não cuidar e desenvolver o diabetes tipo 2", explica. "É importante que as pessoas com pré-diabetes façam acompanhamento médico e realizem os exames laboratoriais entre 4 a 6 meses".

Ainda de acordo com o endocrinologista da SBEM-SP, é essencial que as pessoas com fatores de risco (lista abaixo) façam, anualmente, exames de sangue para checar a taxa de glicemia. Além disso, a melhor forma de prevenção, de um modo geral, é ter uma rotina saudável, incluindo alimentação balanceada e exercícios físicos.

  • Idade (40 a 45 anos);
  • Histórico familiar (mãe ou pai com diabetes);
  • Diabetes gestacional;
  • Obesidade;
  • Sedentarismo;
  • Gordura localizada na barriga;
  • Hipertensão;

No mundo, estima-se que o número de adultos com pré-diabetes seja de 374 milhões, de acordo com a FID (Federação Internacional do Diabetes), com dados de 2019. Sem a intervenção, a estimativa é que esse número aumente para 454 milhões até 2030.

Cerca de 25% das pessoas diagnosticadas com pré-diabetes vão progredir para diabetes tipo 2 em aproximadamente dentro de 3 a 5 anos, e até 70% dos indivíduos com pré-diabetes vão desenvolver diabetes ao longo da vida.

Dia Mundial do Diabetes

Neste sábado (14), é realizado o Dia Mundial do Diabetes. A data serve de conscientização para a doença que atinge cerca de 13 milhões de brasileiros, de acordo com a SDB (Sociedade Brasileira de Diabetes).

Silenciosa, a doença apresenta sintomas apenas quando já está em fase mais avançada, como sede, fome excessivas e perda de peso. Visão turva, infecções genitais, dores, cansaço e fraqueza também podem aparecer. Em geral, apenas quando a glicemia está acima de 180 mg/dl é que as pessoas começam a ter os primeiros sinais.

O tipo mais comum de diabetes é o tipo 2. No caso do diabetes tipo 1, em geral, a doença manifesta-se muito precocemente. Geralmente, é causada por autoimunidade contra as células pancreáticas produtoras de insulina.

O tratamento do diabetes na criança e no adulto é similar, o que muda são os alvos de controle da hemoglobina glicada —exame de sangue que mede, em porcentagem, a glicose do sangue. Nas crianças com diabetes o número pode ir até 8%, e no adulto, até 7%. O nível para pessoas saudáveis deve chegar até 5,6%.

Segundo Lorena Lima Amato, endocrinologista pela USP e da SBEM, a amamentação pode colaborar com menos incidência de diabetes tipo 1. Já a prevenção da obesidade associada a hábitos de vida saudáveis são grandes aliados contra o aparecimento do diabetes tipo 2.

Controle do diabetes na pandemia

Redução das atividades físicas, maior dificuldade no controle dos níveis de açúcar no sangue e adiamento das consultas de rotina necessárias para o manejo de uma doença crônica. Mais do que apresentar a importância do uso de máscara e do álcool em gel, a pandemia da covid-19 trouxe alterações profundas na rotina das pessoas que vivem com diabetes, de acordo com um estudo realizado com mais de 1.700 pacientes e publicado em agosto pelo periódico Diabetes Research and Clinical Practice. A pesquisa trouxe dados relevantes:

  • 59,5% das pessoas com diabetes reduziram a prática de atividades físicas (medida considerada relevante no controle da doença);
  • 59,4% dos participantes relataram que a quarentena trouxe consigo uma piora no índice glicêmico (indicador importante para o controle do diabetes e diminuição das complicações da doença a curto, médio e longo prazo);
  • Destes, 31,5% apresentaram uma variabilidade maior do que a esperada na glicemia, a taxa do açúcar no sangue;
  • 38,4% dos pacientes adiaram consultas ou exames já marcados;
  • 40,2% não marcaram novas idas ao médico desde o início da pandemia.

De acordo com Priscilla Olim Mattar, médica endocrinologista e diretora médica da farmacêutica Novo Nordisk, a junção desses fatores à própria pandemia representa um risco relevante para esses pacientes. "Existe hoje uma falsa sensação de segurança e controle. Por estarem em casa e mantendo uma rotina que consideram adequada, essas pessoas acabam negligenciando a importância de manter consultas e exames em dia", disse.

Diabetes e os riscos cardiovasculares

Um a cada três pacientes com diabetes tipo 2 tem doença cardiovascular estabelecida e nove a cada 10 têm doença cardiovascular aterosclerótica, segundo o estudo CAPTURE, realizado pela Novo Nordisk, que avaliou a prevalência de doença cardiovascular em quase 10 mil pessoas com diabetes tipo 2 em 13 países, incluindo o Brasil.

O estudo divulgado no EASD (Congresso Europeu de Diabetes) indicou ainda que apenas 20% dos pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica estavam recebendo tratamento com medicações que têm benefício cardiovascular comprovado.

"Nós, médicos, temos que fazer muito mais que controlar a hemoglobina glicada: se meu paciente com DM2 [diabetes tipo 2] tem sobrepeso ou obesidade, preciso fazê-lo perder peso, controlar os riscos de infarto, de AVC. Ou seja, o controle dos níveis de açúcar representa apenas uma parte do problema, que é hoje global", explica Andressa Heimbecher, endocrinologista da SBEM-SP.

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