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Choque térmico pode levar corpo ao colapso e até à morte; saiba se prevenir

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

12/10/2020 04h00

Se você é do tipo que vive transitando de ambientes quentes para frios e vice-versa, cuidado. Embora o aumento dos termômetros seja uma realidade no mundo todo, assim como é cada vez mais comum frequentar lugares e realizar tarefas diárias com o ar-condicionado ligado, saiba que essa combinação de extremos pode levar você a sofrer um choque térmico.

Caracterizado por uma mudança brusca da temperatura corporal, ele é assimilado pelo organismo, que nessa situação perde sua capacidade fisiológica de se autorregular, como um grande estresse e pode predispor sintomas como oscilação de pressão, vertigem, náuseas e, em casos mais sérios, até perda da consciência e chances de ocorrer um AVC (acidente vascular cerebral) ou um problema cardíaco, como um infarto, podendo levar a pessoa a morte.

"A chance de sofrer um choque térmico da passagem de um ambiente externo para um ambiente interno, ou o contrário, é maior, mas nada impede de se ter um em local totalmente aberto. Pode não ser tão intenso, mas é possível quando se está despreparado, sem nenhum tipo de proteção para uma virada de tempo repentina, com grandes oscilações térmicas", explica Marcelo Sampaio, cardiologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Efeitos de combinar temperaturas opostas

ar condicionado plantas - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Da passagem repentina do frio para o calor, como quando se sai do carro refrigerado e recebe um golpe de ar quente em pleno sol forte, por exemplo, as artérias e vasos sanguíneos que estão mais estreitados se dilatam depressa e com isso a pressão arterial cai, desencadeando sensação de tontura, rubor facial, batimentos rápidos e transpiração em excesso, que também pode levar a sintomas de desidratação, como fraqueza, dores de cabeça, convulsões e até desmaios.

"Pessoas que naturalmente já apresentam pressão baixa ou mesmo crianças [que tem pressão em torno de 9 por 4] podem ter essa condição acentuada", explica Aline Turbino, neurologista e mestre em neurociências pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Numa situação contrária, isto é, da entrada do calor para o frio, a médica conta que ocorre uma rápida vasoconstrição, seguida de um esforço da circulação e com isso ocorre uma elevação perigosa da pressão arterial, que em pessoas de idade mais avançada, ou com exames alterados, doenças prévias e maus hábitos de saúde pode causar dores no peito, arritmias cardíacas e, em casos mais graves, falência do coração e risco de rompimento de artérias.

Sampaio acrescenta que do calor para o frio podem surgir ainda sintomas involuntários: tremores, como estratégia do organismo de gerar energia e se aquecer; resfriamento das mãos, pés e rosto, pois o corpo prioriza a irrigação sanguínea dos órgãos vitais; respiração ofegante, já que os níveis de oxigênio no sangue precisam se elevar para produzir energia; arrepios, a fim de os pêlos aumentarem a quantidade de ar entre eles e diminuir a perda de calor para o ambiente.

Existe o risco de paralisia facial e labirintite?

Mulher toma sol na piscina - Getty Images/iStockphoto - Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Embora o choque térmico possa também causar alterações metabólicas, levando a febre e diminuição da imunidade, o que favorece risco de gripe, ou o despertar de vírus adormecidos no organismo, segundo Turbino não há nenhuma base científica de que ele desencadeie diretamente paralisia de Bell, que leva à perda temporária do movimento de um lado da face.

"É mito que sair do banho quente e tomar vento frio causa paralisia facial. Não existe comprovação dessa associação. A causa mais comum e provável é um quadro viral", esclarece a neurologista. Os vírus mais frequentes associados à inflamação do nervo que controla os músculos da face são herpes 1 e zóster, que se enquadram nos tipos que podem se ativar com a queda da imunidade.

Fausto Nakandakari, otorrinolaringologista do Hospital Sírio-Libanês (SP) também afirma que choque térmico não tem associação com labirintite, uma alteração no labirinto, o órgão responsável pelo equilíbrio, localizado dentro da orelha interna. Porém, de acordo com o especialista, lavagem de ouvido com água gelada, ou com água mais quente que a temperatura corpórea poderia causar um efeito parecido ao estimular ou causar a inibição do labirinto.

"Uma tontura temporária, de poucos segundos e que não evolui para algo mais sério e duradouro. Nessa situação é preciso manter os olhos bem abertos, o que ajuda a diminuir o sintoma", esclarece.

Cuidados para evitar o choque térmico

Praia de Ipanema registra aglomeração em domingo com mais de 33 graus no Rio de Janeiro - DANIEL RESENDE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - DANIEL RESENDE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Imagem: DANIEL RESENDE/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Tenha sempre em mente que o organismo precisa de tempo para se acostumar à transição de temperatura e que isso ocorre de forma gradual. Nos dias quentes, é aconselhável ingerir alimentos leves e bastante água para manter os níveis de hidratação e a termorregulação ideais, evitando superaquecimentos e riscos maiores ao entrar em ambientes artificialmente resfriados. Beber água também ajuda a amenizar os sintomas de choque térmico em decurso.

Agora, se saiu de um espaço congelante e foi para debaixo do sol quente, procure ficar na sombra e, quando não houver jeito, beba água, se abane com o que tiver em mãos, ou entre em algum local que dê para esperar por alguns minutos perto de portas e janelas. Mantendo-se no caminho da circulação do ar, seu corpo irá se acostumar ao clima que faz lá fora.

Para quem curte praia e piscina, se passou muito tempo no mormaço, ou se bronzeando, evite entrar de uma vez na água fria. Antes e por alguns minutos, molhe com as mãos, ou com uma garrafinha, algumas áreas importantes, como cabeça, peito e barriga e depois, de forma progressiva, entre na água com os pés, os joelhos, os quadris, até emergir o restante do corpo.

"O contato do corpo quente com a água fria pode provocar, principalmente, arritmias, além de dificuldades respiratórias e oscilações da pressão arterial. Pessoas com problemas de coração e pressão têm que tomar muito cuidado, inclusive com ducha fria após sauna", alerta Sampaio.

Também fica o conselho de não utilizar o ar-condicionado no extremo, seja no modo quente ou no frio, e ainda mais se a temperatura externa estiver muito alterada em comparação com a interna. Se estiver dentro do carro, pare quando chegar ao destino, abra os vidros e deixe o ar se misturar, para depois sair. Uma dica extra que vale para enfrentar qualquer oscilação térmica é se vestir com roupas que possam ser colocadas e tiradas com facilidade.

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