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Rafael Zulu: "Tenho relação afetiva com a cozinha, isso abriu meu paladar"

Do VivaBem, em São Paulo

05/08/2020 10h30

No Conexão VivaBem desta quarta-feira (5), Rafael Zulu contou que sua relação com a cozinha teve início ainda na infância e que isso impactou seu paladar e seu amor pelo ambiente.

"Eu tenho uma relação afetiva mesmo, que vem da casa da minha avó, que morava no subúrbio do Rio de Janeiro. Ela tinha aquela mesa de Santa Ceia para a família toda e ainda sobrava espaço. Lembro sempre desses bons momentos que eu vivi na cozinha, com a minha avó e muito mais com a minha mãe", disse.

Zulu conta que a família almoçava na própria cozinha e ele sempre observava a mãe ali. "Essa herança vem direto da minha mãe, uma cozinheira de mão cheia. Apesar de ela não ter aberto tanto aquele espaço, nunca impediu que a gente se metesse ali de uma maneira de outra, mexendo a panela, vigiando ou desligando o fogo", lembrou.

O ator ainda disse que sempre foi curioso e provava tudo. Como a mãe é hipertensa, na hora de provar o sal, era ele e seu irmão que experimentavam. "Isso abriu o meu paladar e consequentemente a minha cabeça para gostar ainda mais desse lugar".

Criança na cozinha

A nutricionista Melisa Gomez disse que deixar a criança ter acesso, mesmo que pequeno, à cozinha, influencia muito em seus hábitos. "Hoje as crianças sentam à mesa e não têm preparo neurológico de que chegou a hora de comer. De onde veio o pepino, feijão, arroz? Eles não vêm prontos, tem que cozinhar. Mostrando isso a eles a gente agrega valor e significado a isso, que os pais tiveram que dispensar um tempo na comida".

Segundo ela, isso pode ser feito com pequenas ações, como pedir para ela montar a mesa, dependendo da idade, cortar legumes, colocar os alimentos dentro da panela, quando o fogão ainda está desligado, ou pedir para ela pegar os alimentos na geladeira e lavar os legumes e frutas, descascar alguns deles. "Tudo isso vai aproximando a criança dos alimentos". A aproximação do preparo dos alimentos faz com que a criança entenda que "os verdinhos" não são ruins, apenas uma cebolinha, um alho.

Além disso, a nutricionista afirmou que quando criança gosta de um determinado alimento, ela não gosta apenas do sabor, mas do cheiro, da textura e da lembrança que ele traz. "Esse alimento me lembra um momento punitivo em que meus pais ficam muito bravos, porque eu não como, ou me lembra algo gostoso, que eu preparei junto com eles?", disse.

Gomez contou que a culinária ensina autonomia, exercícios de motricidade, integração sensorial e afetiva. "A gente pode resgatar histórias, contar para eles uma receita que era da nossa família e que nos deixava felizes. A cozinha é um meio pedagógico e não podemos deixar de perder essa oportunidade de ensinar para as crianças".