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Kalache: "Brasil envelhece cedo e mal, e pandemia é um sinal de alarme"

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

12/06/2020 16h51

Alexandre Kalache, médico gerontólogo e epidemiologista, disse que o Brasil envelhece cedo e mal, em entrevista ao VivaBem, nesta sexta-feira (12).

Segundo ele, aos 45 anos o brasileiro já tem as mazelas que ninguém esperaria antes dos 80. "Hipertensão, problemas cardíacos, diabetes, e acaba com alto risco para morrer de covid-19 também", disse. Kalache afirmou que 30% dos que morrem da doença no país são jovens, com menos de 60 anos. "Do ponto de vista biológico, de indicadores, essas pessoas já são idosas, envelheceram precocemente mal".

O médico espera que a pandemia funcione como um sinal de alarme, e que é preciso acordar. De acordo com ele, hoje, no Brasil, não há um plano que proteja os idosos vulneráveis. "Nenhum país pode se chamar civilizado se não protege os que são mais frágeis", disse. "Ouvi no noticiário que vão proibir os idosos de irem ao banco. Eles vão para a internet? 30% dos idosos brasileiros são analfabetos, não por culpa deles, mas pelas mazelas da desigualdade social histórica secular do pais".

Segundo ele, é como se dissessem aos idosos "fique em casa, sofra calado e, se faltar comida, não ouse pegar sua pensão".

A solução seria justamente ouvir a voz das pessoas idosas e não deixar ela ser silenciada pela urbanização e pela tecnologia. "Não foram dadas oportunidades para que essas pessoas pudessem acompanhar, com educação permanente ao longo da vida. Estão sendo dadas oportunidades para que essas pessoas se protejam, em relação à saúde? Não".

Kalache acredita que é possível fazer um país melhor, "mas vai ter que ser com seriedade, com princípios científicos e com respeito de direitos". Ele pede: "Liguem para os seus avós, alcancem os idosos solitários, organizem grupos de apoio, mostrem a eles que não estão sozinhos".

O "alarme" soa para mostrar que o normal de ontem não funciona, e não só quando o assunto são as relações humanas. A relação com o meio ambiente também deve ser questionada, segundo o médico. "O jeito com que estávamos tratando o meio ambiente, aquecimento global, deflorestamento, desrespeitando o mar faz com que esses vírus que estavam ali —aparentemente 1,8 milhão só na Amazônia —, aproveitem do nosso descuido", disse. "Eles vão dizer de novo 'tomem cuidado, porque nosso compromisso não é com a espécie humana, é com a vida".

Produção: Diego Henrique de Carvalho

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