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Caroço mole nas articulações pode reduzir força; entenda o cisto sinovial

O punho é um dos locais mais comuns em que o cisto sinovial se forma - iStock
O punho é um dos locais mais comuns em que o cisto sinovial se forma Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para VivaBem

17/04/2020 04h00

A primeira suspeita que passa pela cabeça ao perceber o surgimento de um caroço saliente no corpo é de se tratar de um câncer. Porém, nem tudo está relacionado a essa doença e quando a região afetada é próxima das articulações, como mãos, pés e joelhos, por exemplo, pode ser que seja apenas um cisto sinovial.

"Um tumor benigno, arredondado e mole formado por acúmulo de líquido sinovial, uma substância que serve para lubrificar as articulações", explica o médico Fabiano Nunes, ortopedista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Por ser benigno, esse cisto não oferece a possibilidade de evoluir para um tumor maligno e nem se alastrar para outras partes do organismo, como metástase. No entanto, se preenchido com líquido sinovial a ponto de evoluir de tamanho e comprimir nervos, tendões e estruturas adjacentes, pode desencadear dor e diminuição ou perda da funcionalidade articular.

Como o cisto se forma?

O carocinho surge após um vazamento de líquido pela membrana sinovial, uma fina camada de tecido conjuntivo que recobre as articulações e os tendões.

Sabe-se que quando a cápsula articular, a região onde essa membrana se encontra, apresenta-se fragilizada, seja por algum tipo de trauma por esforço repetido, lesão ou desgaste por doença degenerativa, por exemplo, as células que a compõem, na tentativa de frear e combater o enfraquecimento articular, acabam produzindo líquido sinovial em excesso e que ao vazar forma uma saliência sob a pele.

"Esse cisto cheio de líquido pode surgir em qualquer articulação do corpo, como pés, mãos, cotovelos, joelhos (chamado cisto de Baker), porém são mais frequentes na região dorsal do punho", observa Otávio de Vilhena, ortopedista da Rede D'Or Hospital São Luiz.

Quando visível, varia muito de tamanho, podendo ser bem pequeno como um grão de feijão ou até um pouco maior que uma bola de gude. Existem ainda versões ocultas e indetectáveis por raio-X.

Fatores de risco

Por trás da formação do cisto pode haver fatores coadjuvantes, como doenças que evoluem progressivamente (osteoartrite, artrose, artrite reumatoide), traumas, sejam eles agudos ou crônicos, instabilidade articular e lesões por sobrecarga, ou movimento repetitivo —como levantar peso, correr ou digitar demais.

Ou seja, afeta gente de todas as idades, saudáveis ou não. Já seu estágio de desenvolvimento (se cresce rápido ou devagar) vai depender da velocidade em que a membrana sinovial se deteriora e de como o corpo busca regenerá-la.

Sinais e sintomas

Além de aparecerem perto das articulações, os cistos sinoviais são moles, têm formato arredondado e não costumam doer, a não ser no começo, quando o líquido vaza, ou quando crescem demais e comprimem nervos, tendões e estruturas vascularizadas.

Nesses casos, a pessoa pode sentir, além de dor junto da articulação, sensação de formigamento constante no lugar onde ele cresceu, perda da força articular e até diminuição da sensibilidade e dormência.

Se for invisível, o cisto só será notado se doer ou crescer. Ele também pode desaparecer por algum tempo e retornar junto com a causa que costuma provocá-lo. A pressão pode aumentar tanto que a pele pode inchar e o caroço se romper e vazar —o que por um lado é um alívio.

Como é o diagnóstico?

Para descobrir a natureza do cisto é preciso ir a um médico ortopedista, reumatologista ou clínico geral. A princípio, além de querer ver e apalpar o caroço, o especialista vai procurar investigar o histórico médico do paciente e os eventuais sintomas relacionados com a anomalia.

"Normalmente, o problema não é o cisto, mas o que o originou e a causa deve merecer a mesma atenção para que ele não volte a aparecer", esclarece Nunes.

Se não se chegar a um diagnóstico conclusivo, ou se o cisto estiver escondido, o médico pode solicitar exames complementares. Para descartar outras doenças, por exemplo, pode ser feita uma pulsão para extrair amostra de seu conteúdo para análise.

Já os exames de imagem (ultrassonografia ou ressonância magnética) detectam e afastam possíveis causas associadas a sua aparição, como dão mais detalhes a respeito dele e das estruturas que pode ter atingido.

Como é o tratamento?

Quando o cisto é recente e não incomoda, pode ser que dispense tratamento, pois as chances de desaparecer sozinho são grandes. "No entanto, quando provoca dores e reduz a força e a mobilidade articular, o melhor caminho é entrar com medicações para suavizar o desconforto e procedimentos que promovam a reabilitação", orienta Fernando Moya, traumatologista e cirurgião de mão do HCor (Hospital do Coração).

O médico recomenda, além de anti-inflamatórios, aplicação de compressas de gelo na região afetada e até acupuntura.

No entanto, quando o cisto não apresenta melhoras e o indivíduo sente dores frequentes, técnicas mais invasivas devem entrar em ação.

A aspiração do cisto, por exemplo, consiste em drenar com uma agulha o líquido sinovial endurecido e injetar em seguida um corticoide. O índice de sucesso dessa infiltração beira os 60%, mas se não surtir efeito, ou se o cisto tiver afetado articulações e tendões, o jeito será removê-lo por cirurgia.

O procedimento pode ser via aberta, ou artroscópica, com equipamento que permite olhar para dentro da articulação.

Após a operação, a pessoa retorna para casa no mesmo dia e deve permanecer em repouso, para evitar que o cisto sinovial volte a aparecer. Para ajudar na recuperação, o médico pode ainda recomendar nos meses seguintes sessões de fisioterapia, alongamentos e exercícios de fortalecimento das articulações e tendões.

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