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Variar o tipo de feijão pode turbinar sua alimentação: entenda por quê

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Imagem: iStock

Úrsula Neves

Colaboração para o VivaBem

30/03/2020 04h00

A tradicional dupla feijão com arroz é a única que conhecemos fazer parte espontaneamente da composição diária do cardápio do povo brasileiro, descrevendo tão bem a identidade cultural da alimentação em nosso país.

O feijão carioca é o mais consumido por aqui, correspondendo a quase 70% da produção, seguido pelo preto. Mas o consumo de feijão verde, fradinho e mulatinho também é elevado.

Quando consumida em quantidade adequada (de acordo com a faixa etária e o perfil individual), a famosa combinação do feijão com arroz fornece a grande maioria das necessidades de nutrientes que o organismo precisa para funcionar bem. Em relação às proteínas, ambos são ricos em aminoácidos. E o que falta em um, sobra no outro: enquanto o arroz é rico em metionina, o feijão possui a lisina, ambas substâncias importantes em todo esse processo.

"Além disso, o feijão possui ferro, cobre, magnésio, zinco, fósforo, cálcio e potássio", explica Marcelo Cássio de Souza, médico do Hospital Moriah e do Albert Einstein.

Por que variar o tipo de feijão que você come?

Especialistas em saúde concordam que sempre é bom variar os alimentos e os seus tipos, pois quanto mais diversificada é a alimentação, mais completo e eficaz será o aporte de nutrientes.

Apesar de algumas pesquisas científicas mostrarem pequenas diferenças nutricionais e funcionais nos diferentes tipos de feijões, os estudiosos da área defendem a importância da variabilidade do cardápio. Já que a composição dos feijões pode ser diferente quanto ao teor de fibras e compostos bioativos, como os compostos fenólicos, importantes antioxidantes.

"Estes últimos têm o seu teor influenciado não apenas pelo tipo de feijão, como também pela forma de cultivo, clima, área geográfica, dentre outros", ressalta Manuela Dolinsky, nutricionista e pesquisadora e professora permanente do mestrado em Saúde Materno infantil da Faculdade de Medicina da UFF (Universidade Federal Fluminense) e presidente do CRN-4 (Conselho Regional de Nutricionistas da 4a Região).

Cores diferentes, propriedades distintas

Essa diferença nas propriedades se deve, justamente, à diferença entre as cores dos alimentos. "Cada tipo pode apresentar substâncias químicas naturais diferenciadas, como flavonoides e polifenóis, possuindo propriedades benéficas para a saúde", explica a nutricionista Manoela Pessanha da Penha, doutora em Ciência de Alimentos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A tonalidade típica dos feijões preto, vermelho, azuki e roxinho lhe é conferida pelo seu teor de polifenóis, composto bioativo que oferece efeitos positivos ao organismo devido às suas propriedades antioxidantes.

"Não há dúvida de que a cor interfere na quantidade de antioxiantes. Quanto mais pigmentos, mais antioxidantes o feijão terá", destaca Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Por outro lado, o consumo do feijão branco, rajado, mulatinho e dos outros tipos de coloração mais clara também traz benefícios para a saúde. Por exemplo, o feijão branco, por ser rico em faseolamina, uma proteína que bloqueia a enzima alfa-amilase, inibindo a quebra e absorção de uma parte dos carboidratos ingeridos na refeição, o que reduz seu índice glicêmico, sendo uma excelente opção para diabéticos e pré-diabéticos, além de auxiliar na perda de peso.

"Na prática, tanto o feijão preto quanto os outros tipos coloridos protegem o organismo contra o envelhecimento precoce, doenças degenerativas como o Parkinson e Alzheimer, mas isso se aliados a um estilo de vida saudável", pondera Penha, professora adjunta do Departamento de Nutrição Social da Faculdade de Nutrição da UFF.