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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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Insulina favorece acúmulo de gordura e ganho muscular; conheça suas funções

Muitas vezes "culpado" por ser o hormônio que nos faz engordar, a insulina tem funções importantes no organismo - iStock
Muitas vezes "culpado" por ser o hormônio que nos faz engordar, a insulina tem funções importantes no organismo Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

03/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Produzida pelo pâncreas, a insulina é responsável por controlar o nível de glicose (açúcar) no sangue
  • O hormônio funciona como uma "chave" e tem como principal função permitir a entrada da glicose nas células, onde a substância será usada como energia
  • Quando o açúcar não é utilizado, a insulina promove seu estoque na forma de gordura corporal. Por isso, geralmente é culpada pelo ganho de peso
  • Porém, a culpa desse ganho de peso não é do hormônio e, sim, de hábitos ruins como sedentarismo e alimentação
  • A insulina, inclusive, é essencial para quem treina e quer emagrecer ou ganhar músculos, pois ativa a produção de massa magra

Responsável por controlar o nível de glicose (açúcar) no sangue, a insulina tem fama de ser uma grande vilã do ganho de peso. Isso porque o hormônio incentiva o estoque de gordura corporal, especialmente na região abdominal.

Mas esse não é o único papel da substância, que também é essencial para a construção muscular e tem papel muito importante para nossa saúde. A seguir, explicamos melhor as ações da insulina e por que você não deve considerá-la sempre vilã.

O que é a insulina?

É um hormônio secretado pelo pâncreas que controla o nível de glicose no sangue. A insulina funciona como uma chave para a glicose entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia.

Quais as principais funções do hormônio

Explicando bem basicamente, quando você consome carboidratos, o nível de açúcar no sangue (glicemia) sobe e a insulina é secretada pelo pâncreas para regular a glicemia. Então, o hormônio promove o armazenamento de carboidratos, em forma de glicogênio, no fígado e nos tecidos musculares, onde serão utilizados como combustível para a atividade física —não só o treino em si, mas qualquer movimento que você faça no dia a dia.

Quando os estoques de glicogênios estão completos, a insulina faz com que o açúcar excedente na corrente sanguínea seja armazenado como forma de gordura, para ser utilizado posteriormente como combustível. Logo, a culpa pelo ganho de peso não é da insulina e, sim, de uma alimentação inadequado e da falta de atividade físico. O "efeito negativo" da substância no organismo é só uma consequência de hábitos ruins.

Se você pratica exercícios pensando em emagrecer ou definir o corpo e acha que o hormônio é ruim, saiba que ele também age como uma das vias ativadoras da síntese proteica, responsável pelo desenvolvimento da massa magra. Ou seja, é essencial para o resultado do treino.

Qual o nível normal de insulina?

Os valores de referência de insulina dependem do cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), que avalia o peso em relação à altura do indivíduo, sendo:

  • IMC de até 25: 2 a 13 mU/L de insulina
  • IMC entre 26 e 30: 2 a 19 mU/L de insulina
  • IMC acima de 30: 2 a 23 mU/L de insulina

Estes valores são estabelecidos apenas para indivíduos com glicemia normal, perdendo o valor diagnóstico em indivíduos com pré-diabetes e diabetes.

O que provoca o aumento do nível de insulina?

O consumo em excesso de alimentos, principalmente carboidratos de alto índice glicêmico, como doces e produtos feitos com farinhas refinadas, geram uma superestimulação do pâncreas, que libera quantidades enormes de insulina em resposta à rápida entrada de açúcar no sangue. Esse processo é conhecido como pico de insulina.

A alteração nos valores de insulina também tem forte relação com a adiposidade corporal. Sabidamente, o excesso de gordura está associado a prejuízos nas ações da insulina no corpo. Isso acontece pois a gordura corporal produz substâncias que conseguem influenciar negativamente na transmissão do sinal da insulina no interior das células. Assim, a captação de glicose no músculo é prejudicada quando o indivíduo está acima do peso. Além disso, doenças autoimunes, inflamação crônica ou após cirurgias que removem parte ou todo o pâncreas podem contribuir para o aumento no nível do hormônio.

O que acontece quando há um pico de insulina no organismo?

A enxurrada de insulina faz com que a quantidade de açúcar circulante no sangue caia rapidamente, caracterizando um quadro de hipoglicemia. Esse processo usualmente ocorre após grandes refeições, o que pode gerar sensação de sono, falta de atenção e vontade de comer doces —uma estratégia do organismo para aumentar a glicemia.

O que fazer para manter o nível adequado de insulina no organismo

A prática regular de atividades físicas e uma alimentação adequada, sem excesso de carboidratos e gorduras, são as principais estratégias para evitar desequilíbrios nos valores da insulina. Além disso, é ideal evitar dieta com excesso de sódio (sal), não fumar, não fazer uso excessivo de álcool e ter um sono reparador.

A insulina tem papel no ganho muscular?

Sim, ela facilita e aumenta o transporte de glicose e aminoácidos para os músculos, o que ajuda no seu desenvolvimento. A insulina também previne a quebra de proteínas para serem utilizadas como fonte de energia (catabolismo proteico), conservando o tecido muscular. Nesse sentido, a presença de insulina é importante para conseguir a manutenção da massa muscular do corpo.

O que é resistência à insulina?

É quando as células do corpo não respondem bem à insulina, por isso, a glicose não consegue entrar nelas facilmente. Num primeiro momento, o pâncreas aumenta a produção de insulina para vencer essa resistência, mantendo normal o nível de glicose no sangue. Porém, em longo prazo, se a resistência à insulina não for tratada, o pâncreas "cansa" e não consegue produzir insulina suficiente para manter a glicemia normal. Aí, pode ser necessário receber insulina por meio de medicamento. A glicose alta no sangue é a marca da doença chamada diabetes, que atualmente afeta cerca de 425 milhões de pessoas no mundo, de acordo com o Atlas Mundial do Diabetes.

A resistência à insulina está relacionada a quais doenças?

Além do diabetes, é possível que a pessoa também desenvolva hipertensão, dislipidemias (níveis altos de colesterol e triglicerídeos no sangue), esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado), síndrome do ovário policístico, obesidade, alguns tipos de câncer (como o câncer de próstata), doenças cardiovasculares e respiratórias, entre outras.

Existem grupos mais propensos a ter resistência à insulina?

Sim. Os principais fatores para desenvolver o problema são: excesso de peso, obesidade, sedentarismo e ter parentes de primeiro grau com diabetes. É importante ressaltar que distúrbios do sono e alterações hormonais também podem contribuir para a resistência à insulina.

Pessoas que sofrem com resistência à insulina consequentemente têm diabetes?

Não necessariamente. A resistência à insulina não tratada leva primeiramente ao pré-diabetes e, em médio e longo prazo, ao diabetes. No entanto, o que irá determinar a evolução do quadro é a aderência do indivíduo às mudanças comportamentais, incluindo alimentação, prática de exercícios, uso correto dos medicamentos, quando necessário, e acompanhamento médico contínuo.

Por que a insulina está relacionada com o acúmulo de gordura?

Quando consumimos carboidratos, proteínas e gorduras em excesso, os estoques de glicogênio muscular e hepático saturam e o açúcar excedente é transformado em gordura no corpo.

A resistência à insulina está relacionada ao aumento principalmente da gordura visceral e não da gordura subcutânea. A gordura visceral está distribuída centralmente no abdome, é a famosa "barriga de chope", que pode ser encontrada mesmo em indivíduos que não bebam. Ela é muito perigosa para a saúde.

Como controlar essa resistência à insulina?

Existem medicamentos que impulsionam e aceleram o tratamento. Seu uso deve ser recomendado e acompanhado pelo médico sempre. Além disso, evitar o estresse e ter uma vida equilibrada, ou seja, manter a alimentação saudável, sem excesso de carboidratos e gorduras, manter-se ativo fisicamente, evitando sempre o sobrepeso e a obesidade, pode levar à diminuição e controle da resistência à insulina.

Além de hábitos saudáveis e medicamentos, existem outras formas de controlar essa resistência à insulina?

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, foram desenvolvidas células artificiais capazes de secretar insulina no organismo, o que pode ser considerada uma estratégia futura no tratamento e até mesmo uma possível cura do diabetes. Ainda não existe nada efetivo, mas é possível afirmar que pode ser, sim, encontrado uma solução para a deficiência na produção de insulina no corpo. De qualquer maneira, uma vida desregrada provavelmente não será adequada mesmo com estas novas estratégias, já que o percurso que leva à morte das células produtoras de insulina é exatamente o acúmulo excessivo de gordura corporal e hábitos ruins de vida.

Existe alguma forma de reverter a resistência à insulina?

Quando a resistência à insulina é detectada logo no início —o chamado pré-diabetes -, é possível reverter o quadro ao mudar os hábitos com um cardápio saudável e a prática de exercícios, além da prescrição de medicamentos adequados. A cirurgia bariátrica também pode ajudar no controle do diabetes tipo 2 quando a doença está relacionada à obesidade.

Fontes: Dennys Cintra, nutricionista responsável pelo Laboratório de Nutrigenômica da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas); Eduardo Ropelle, especialista em sinalização celular e resistência à insulina e um dos responsáveis pelo Laboratório Molecular do Exercício da Unicamp; José Rodrigo Pauli, fisiologista endócrino do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades da Unicamp e um dos responsáveis pelo Laboratório Molecular do Exercício da Unicamp; Leandro de Moura, especialista em biologia celular e metabolismo e um dos responsáveis pelo Laboratório Molecular do Exercício da Unicamp; Luciana Audi de Castro Neves, médica endocrinologista do corpo clínico do Hospital Vila NovaStar, em São Paulo; Maria Fernanda Barca, doutora em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), membro da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) e da Sociedade Europeia de Endocrinologia; Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo; e Rosane Kupfer, vice-presidente do departamento de diabetes mellitus da Sbem.

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