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Sociedade médica confirma 3 casos de Evali no Brasil: como identificá-la

sestovic/iStock
Imagem: sestovic/iStock

Nathalie Ayres

Do VivaBem, em São Paulo

07/12/2019 12h54

Resumo da notícia

  • A SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) alertou sobre 3 casos confirmados no Brasil de Evali, doença associada ao cigarro eletrônico
  • Apesar de não ser vendido no Brasil --e de não ter havido confirmação de órgãos públicos -- especialistas acreditam que haja subnotificação da doença
  • Por mais que seja vendido como seguro, o histórico de mortes nos EUA mostra o produto é perigoso e os efeitos em longo prazo são desconhecidos
  • Os sintomas da doença são inespecíficos, por isso confirmação do histórico do uso de cigarro eletrônico pelo paciente é fundamental para diagnóstico

Desde de setembro os casos de Evali (doença relacionada ao uso de cigarro eletrônico) têm sido assunto de noticiários internacionais. Já foram 48 mortes nos Estados Unidos, de acordo com o último relatório do CDC (sigla em inglês para Centro de Controle e Prevenção de Doenças) e mais de duas mil pessoas já foram hospitalizadas.

Esta semana, a SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia) confirmou que há 3 casos de Evali no Brasil. De acordo com o alerta divulgado por eles, todos os pacientes usaram cigarro eletrônico com THC (tetrahidrocanabinol). No entanto, é importante ressaltar que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) declarou ao G1 na última quinta (5) que não tinha nenhuma informação sobre o assunto. Nossa reportagem também tentou contato com a Anvisa hoje (7), mas não teve retorno.

No entanto, não é difícil que esses casos sejam reais. Por mais que o produto tenha a venda proibida no Brasil, é fácil comprá-lo no exterior e trazê-lo para cá na mala, o que traz esse risco ao nosso país. De acordo com Tania Cavalcante, médica do Inca (Instituto Nacional do Câncer) e secretária-executiva da Conicq (Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco)* é possível que haja uma subnotificação de Evali no país. "Com certeza já existem casos parecidos [aos de Evali nos EUA] por aqui", sugeriu Cavalcante, durante o Simpósio Internacional Sobre Formas Alternativas de Exposição ao Tabaco no dia 28 de outubro.

Cigarro eletrônico não é seguro

Apesar de ele começar a ter sido vendido como uma alternativa para quem quer parar de fumar, o cigarro eletrônico sempre trouxe desconfiança aos médicos, e esse ano ela foi confirmada. "Hoje sabemos que em curto prazo o cigarro eletrônico pode até matar. O que será de seu uso em longo prazo então?", questiona o pneumologista Elie Fiss, pesquisador sênior do Hospital Oswaldo Cruz.

De acordo com o especialista, não há estudos ainda há longo prazo com esse tipo de produto e o ideal é evitar o uso.

O que é Evali?

O nome é uma sigla para a expressão inglesa E-cigarette, or Vaping, product use-Associated Lung Injury, ou seja, injúria pulmonar relacionada ao uso de cigarro eletrônico, em tradução livre. O nome foi dado a um conjunto de sintomas que aparecem em pacientes que usam cigarro eletrônico, principalmente a modalidade do produto que usa THC.

Nos Estados Unidos, até o momento, os pacientes com Evali são em sua maioria homens (67%), com uma idade média de 24 anos (78% deles tem menos de 35 anos). Entre os pacientes que morreram após o diagnóstico, 54% eram homens e com uma idade média de 52 anos.

Sintomas de Evali

Os principais, de acordo com CDC e a SBPT são:

Além deles, o paciente também pode apresentar:
  • Dor abdominal;
  • Náuseas;
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Febre;
  • Calafrios;
  • Perda de peso sem explicação.

Como o Evali é diagnosticado?

O diagnóstico da Evali é o que os especialistas chamam de diagnóstico de exclusão, já que os sintomas acima podem ocorrer em outras doenças. As alterações em exame também são inespecíficas: normalmente os pacientes apresentam exames de imagem com consolidações e/ou vidro fosco em ambos os pulmões e um aumento de leucócitos, PCR e de enzimas do fígado, o que pode caracterizar outras doenças.

Isso ocorre por que os pulmões reagem sempre da mesma forma a qualquer tipo uma agressão, seja ela a um medicamento, infecção por vírus e bactéria, ou as substâncias do cigarro eletrônico, entre outros. "Eles podem responder com uma inflamação nos alvéolos, no pulmão todo ou no interstício", explica Fiss. Ele ressalta que foi percebido nos mais de dois mil casos nos Estados Unidos que cada paciente apresentou essa doença de uma forma individual.

No final das contas, o que vai determinar o diagnóstico é a união desses sinais com o histórico do uso de cigarro eletrônico, principalmente o que leva THC. Tanto que o CDC, e agora a SBPT, orientam os médicos a perguntarem aos pacientes com esses sintomas se eles já usaram cigarro eletrônico e outros produtos, e em caso positivo, especificarem quais as substâncias usadas com esses produtos.

* Informações retiradas de matéria do dia 04/11/2019

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