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Raul Gil luta contra arritmia: "Tenho medo de sofrer"; quais os sintomas?

Raul Gil foi internado em setembro - Reprodução/SBT
Raul Gil foi internado em setembro Imagem: Reprodução/SBT

Gabriela Ingrid

Do VivaBem, em São Paulo

31/10/2019 18h13

O apresentador Raul Gil, 81, comentou sua relação com a arritmia cardíaca em entrevista ao TV Fama, da RedeTV!, na terça-feira (29). Ao descobrir a doença, ele ficou internado em setembro deste ano, mas recebeu alta no dia seguinte. "Isso [arritmia] é normal. Eu tinha há anos, mas não sabia. Você sabe que todos nós temos um final e, quando chega o final da gente, temos que aceitar. Eu não tenho medo de morrer, tenho medo de sofrer", disse.

O problema de Raul é relativamente comum. De acordo com Enrique Pachón, cardiologista do Serviço de Arritmias Cardíacas do HCor (Hospital do Coração), 5% da população em geral tem arritmia, mas boa parte é assintomática. Como a pessoa não percebe o problema, demora a tomar providências, como provavelmente foi o caso do apresentador. "A descoberta da arritmia é acidental, e a morte súbita pode ser a primeira e a única manifestação", diz o médico.

"Eu não tinha arritmia. Acho que 90% das pessoas têm e não sabem. Quando descobrem, tem que cuidar. Eu fiz 20 e poucos exames, saíram todos maravilhosos, inclusive pela minha idade. Próstata, sangue, diabetes e essas 'coisaiadas' todas", disse Raul. A arritmia foi a única alteração, segundo ele.

"Aí meu médico falou, Raul Gil, você terá que ficar uma noite aqui no hospital para a gente dar um jeito nisso. Eu fiquei, mas rezei muito, pedi muito a Deus, porque não estava voltando ao normal. Pedi a noite inteira para essa arritmia sumir. Ele [o médico] iria me dar alta às nove da manhã, quando foi oito e vinte e dois voltou tudo ao normal", contou.

O que é

O cardiologista Iran Gonçalves Jr, responsável pelo pronto-socorro de cardiologia no Hospital São Paulo e professor da Escola Paulista de Medicina, afirma que existem diversos tipos de arritmias cardíacas, das mais leves às mais graves, que podem ser fatais. "Ela engloba desde doenças específicas do coração até os 'pulinhos' que o órgão dá. Quando usamos esse termo, estamos falando de uma perda do ritmo normal do coração."

Segundo o cardiologista, o coração é o primeiro órgao que se desenvolve no embrião. "Ele tem um marcapasso, ou seja, bate sempre no mesmo ritmo, desde a barriga da mãe até o último batimento da vida". Quando há uma alteração nesse "tambor", é definida uma arritmia. Veja abaixo algumas doenças que se enquadram no espectro de arritmias:

  • Arritmias benignas: elas são as mais comuns. Normalmente ocorrem na parte superior do coração (átrios) e, apesar de interferirem nos batimentos cardíacos, dificilmente levam à morte. Geralmente estão relacionadas ao estresse e estimulantes, como café e energéticos.
  • Arritmias malignas: geralmente ocorrem na parte inferior do coração (ventrículos) e podem ocasionar a morte súbita. Há também outro tipo de arritmia cardíaca, muito comum e capaz de provocar AVC, conhecida como fibrilação atrial. Neste caso, tanto a frequência como o ritmo cardíaco são afetados. Muito comum em idosos, o problema afeta cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil.

Sintomas

Independentemente de qual for, quando há sintomas, o indivíduo geralmente descreve a sensação de coração acelerado ou batendo fora do compasso. "Os mais jovens costumam sentir ele perdendo o ritmo tradicional", diz Gonçalves. Além disso, desmaios, baixa de pressão, escurecimento da vista, tonturas, palidez, sudorese, dores no peito, falta de ar são alguns sintomas.

O diagnóstico da arritmia cardíaca é feito por meio de exames como o eletrocardiograma, Holter e teste ergométrico.

Tratamento

Segundo Pachón, caso o paciente não tome os cuidados necessários ou não procure avaliação médica, as chances de um evento cardíaco de alto risco ocorrer só aumentam. Por isso, é preciso ter atenção ao problema. "Evitar a arritmia cardíaca ainda é a melhor maneira de impedir morte súbita ou derrames causados pela doença", diz.

Segundo ele, muitas arritmias podem ser curadas. A simples pode ser tratada com cuidados básicos, como controle de peso, diminuição do cigarro e de estimulantes, controle da glicose, no caso de diabéticos. "Algumas podem desaparecer só com esses cuidados", diz.

Outras necessitam de medicamentos específicos, implante de marca-passos e a ablação por radiofrequência. Nesta última, um cateter é introduzido por meio de uma veia da virilha e é levado até chegar ao foco da arritmia no coração. "Lá, fazemos uma microcauterização nesses grupos de células doentes que estão prejudicando o ritmo cardíaco", explica Pachón. Até as arritmias simples podem ser tratadas com esse método.

Gonçalves ainda acrescenta que hoje também podem ser implantados no coração dispositivos que se assemelham aos desfibriladores. "Geralmente indicado para as complexas, graves e letais. Ao notar qualquer alteração, o aparelho dá pequenos choques no órgão do paciente, colocando o tambor nos trilhos".

Raul Gil não citou qual tipo de arritmia o acometeu, mas disse que o segredo para a longevidade é não fazer muita zona. "Não beber, dormir bem, pelo menos oito horas por dia e não fumar".

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