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Atitude do médico influencia no sucesso do tratamento, diz estudo

Acreditar no tratamento fez com que médicos se mostrassem mais confiantes e empáticos - Bentham Science Publishers
Acreditar no tratamento fez com que médicos se mostrassem mais confiantes e empáticos Imagem: Bentham Science Publishers

Do VivaBem, em São Paulo

22/10/2019 12h34

Resumo da notícia

  • Participantes relataram sentir menos dor e estarem mais confiantes no tratamento quando o médico parecia acreditar no tratamento
  • A análise utilizou participantes que interpretaram os papéis de paciente e médico
  • Os autores do estudo agora querem saber quais atitudes fizeram os pacientes ter essa impressão e se isso se reproduz em um contexto médico real

Se um médico espera que o tratamento seja bem-sucedido, o paciente pode ter menos dor e apresentar uma recuperação melhor. É o que diz um recente estudo da Universidade de Dartmouth publicado no periódico Nature Human Behaviour.

As descobertas dão pistas do que os médicos chamaram de "efeito placebo social" ao analisar como as interações entre médico e paciente podem influenciar a forma como o paciente recebe o tratamento e fazê-lo acreditar que está sendo bem-sucedido —mesmo quando o produto usado não é um remédio de verdade.

Para isso, o estudo simulou uma série de interações clínicas entre participantes interpretando pacientes e médicos. Os "pacientes" precisavam avaliar a eficácia de tratamentos utilizando cremes terapêuticos antes após sofrerem um estímulo desconfortável com calor nos braços.

Quando os supostos médicos acreditaram que o tratamento funcionaria, os "pacientes" pareceram experimentar menos dor. A análise levou em conta observações comportamentais e também relatórios subjetivos preenchidos pelos participantes.

Como o estudo foi feito?

  • A pesquisa foi feita a partir do uso de dois cremes visando atingir os receptores de dor na pele.
  • Os 48 participantes (24 pares de médico-paciente) receberam dois tipos de gel: um que supostamente aliviava a dor (thermedol) e outro placebo. Ambos, no entanto, eram apenas vaselina.
  • Depois que cada creme foi aplicado em um braço dos participantes "pacientes", eles receberam um estímulo de calor desconfortável nos dois membros e foram solicitados a falar da efetividade do creme.
  • Antes de interagir com o "paciente", cada "médico" foi informado das propriedades dos dois cremes e condicionado a acreditar que o thermedol era mais efetivo que o outro. Os "pacientes" não sabiam qual creme era qual.
  • Com o thermedol, os "pacientes" relataram menos dor e indicaram acreditar que esse tratamento era mais efetivo que o outro.
  • Os "médicos" também usam uma câmera GoPro ligada a um sistema de inteligência artificial para medir as expressões faciais de dor dos participantes; o resultado mostrou que os pacientes pareciam demonstrar menos dor em suas expressões quando recebiam o thermedol.

Por que isso é importante?

Os médicos autores do estudo acreditam que os resultados mostram a importância e a influência das interações sociais —por mais discretas que elas sejam — durante um tratamento. Isso porque muitas das expectativas envolvidas nessa relação não são transmitidas de forma verbal, e sim por meio de "dicas sutis" de comportamento.

Embora o estudo tenha sido feito com participantes interpretando os papéis de médico e paciente, os cientistas acreditam que, em um contexto clínico, se o médico parecer confiante e competente, o impacto pode ser ainda maior.

Eles ainda ressaltaram que, quando os supostos médicos acreditaram no tratamento, eles pareceram se mostrar mais empáticos e até mais calorosos, e que muitas das dicas sutis eram repassas de forma não-verbal.

No entanto, eles ainda não sabem exatamente quais atitudes do "médico" causaram essa impressão, e pretendem desenvolver mais estudos para descobrir isso e analisar como essa dinâmica funcionaria no mundo real.


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