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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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6 coisas que você deveria saber antes de começar uma terapia

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Imagem: iStock

Malu Echeverria

Colaboração para VivaBem

14/10/2019 04h00Atualizada em 18/10/2019 18h18

Expectativa: conselhos, bate-papo, paz interior. Realidade: divagação, choro, frustração. Quando o assunto é psicoterapia, a desinformação sobre as abordagens teóricas e os métodos de trabalho podem atrapalhar o tratamento. "Nem todos os profissionais trabalham da mesma forma, o paciente precisa ter noção disso previamente para não se frustrar", explica Lucas Nápoli, psicólogo no Setor de Apoio Estudantil da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).

Segundo o especialista, as sessões de psicanálise, por exemplo, são baseadas na escuta do que o paciente tem a dizer, com mínimas intervenções. Enquanto a terapia cognitivo-comportamental é mais diretiva e tem metas claras, definidas em conjunto pelo paciente e pelo profissional.

E o esforço vale a pena. Indicada tanto para o tratamento de condições de média ou alta complexidade, como depressão e autismo, a queixas pontuais (traumas, luto ou até mesmo uma decepção amorosa), a terapia traz resultados positivos para até 75% dos pacientes, de acordo com um levantamento da Associação Americana de Psiquiatria. A seguir, veja seis tópicos a levar em consideração antes de começar a sua!

1. O terapeuta não é médico

De um modo geral, existem três profissionais que lançam mão da psicoterapia para curar problemas mentais: psicólogos, psicanalistas e psiquiatras. Deles, somente os psiquiatras, que são formados em medicina, estão autorizados a prescrever medicamentos. "Mas o terapeuta pode encaminhar o paciente ao médico, como psiquiatra ou neurologista, se achar necessário. Um paciente com depressão grave, por exemplo, pode ter dificuldade até mesmo para sair de casa e ir à sessão. Nesse caso, a medicação provavelmente vai ajudar", afirma Nápoli.

2. A conexão faz diferença

O vínculo entre paciente e profissional é um dos fatores que determinam o sucesso do tratamento. O primeiro a notar isso foi o pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), em 1913. De lá para cá, inúmeros estudos comprovaram que a teoria é verdadeira, independentemente do método de psicoterapia escolhido —como mostra um artigo do Instituto Família, da Universidade Northwestern (EUA), de 2015.

"Dito isso, caso o paciente se veja com muita dificuldade para encontrar um terapeuta com o qual se sinta confortável, pode haver alguma defesa por trás do comportamento, como uma hesitação em entrar de verdade no processo terapêutico", alerta o psicólogo André Fiker, especialista em análise do comportamento, de São Paulo.

3. Terapia é o mesmo que um desabafo?

Na verdade, as primeiras sessões costumam ser, sim. É o que Freud chamava de catarse, ou seja, o cérebro "coloca para fora" as emoções guardadas ou mesmo escondidas. O que gera logo de cara um baita alívio nos pacientes.

No entanto, vale ter em mente que o objetivo da terapia vai além do falar: é preciso refletir sobre a fala. E isso exige esforço, já o processo implica em relembrar fatos nem sempre agradáveis e/ou decidir o que fazer para mudar certos comportamentos. Se as questões a resolver forem muito intensas, aliás, a tendência é sair do consultório mais cansado do que ao chegar.

4. Você pode "piorar" antes de melhorar

É verdade! Como falamos acima, questões mal resolvidas podem vir à tona, causando tristeza ou outros sentimentos ruins. Além disso, de acordo com Nápoli, o problema pode ser tornado uma muleta ou ferramenta para lidar com a vida ao longo do tempo.

"Um exemplo são as pessoas que não sabem dizer não. Elas podem ter se habituado a esse comportamento porque detestam conflitos. E a partir do momento que são convidados a abandoná-lo e têm de aprender a enfrentar os outros, podem ficar perdidos", conta.

5. Leva tempo

Muitos problemas mentais levam meses ou anos para se instalar. Sendo assim, dificilmente são resolvidos da "noite para o dia" com a ajuda da psicoterapia. Trata-se de um processo complexo, tal qual a mente humana.

Cada caso é único, entretanto. Algumas pessoas podem resolver suas questões em meses, enquanto outras, em anos a fio. A disponibilidade do paciente para se abrir e confiar no terapeuta também influencia —o que só aumenta a importância de estabelecer um vínculo com o profissional.

6. O terapeuta não é coach

Muito menos guru! "Ele tem muitos papéis, e nada impede que ele dê conselhos. Mas a tarefa central é produzir mudanças efetivas na vida do paciente, e isso envolve ajudá-lo a ser independente, inclusive do próprio terapeuta", resume o psicólogo Fiker. Pense no profissional como um copiloto: ele vai estar ao lado para ajudar e apontar detalhes que podem passar despercebidos, porém, quem está no comando é você.

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