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"Só superei a compulsão alimentar após cortar o açúcar", diz ex-MasterChef

Izabel Alvares perdeu 35 kg seguindo uma alimentação low carb - Reprodução/ Instagram @izabel_alvares
Izabel Alvares perdeu 35 kg seguindo uma alimentação low carb Imagem: Reprodução/ Instagram @izabel_alvares

Giulia Granchi

Do VivaBem, em São Paulo

25/09/2019 17h18

Após anos lutando contra a compulsão alimentar, a ex-participante do programa MasterChef Izabel Alvares, vencedora do programa em 2015, sabe exatamente de quais comidas deve passar longe para evitar o exagero. Coxinha, pizza, bolo, cachorro-quente... Qualquer "clássico" conhecido por agradar o paladar infantil.

Isso porque foi ainda na infância quando Izabel passou a ter uma relação emocional com a alimentação. "Meus pais viajavam muito e me deixavam na casa da minha avó, que fazia pratos deliciosos. Quando ficava com saudade ou me sentia solitária, atacava. Foi quando comecei a comer meus sentimentos", lembra.

Ela começou a ganhar peso na adolescência e ouviu dos médicos que precisava diminuir as opções supercalóricas e pouco nutritivas. "Isso só me fez ter mais vontade. Acabava comendo escondido", conta.

Aos 22, Izabel já se sentia incomodada com o peso extra, e sem ter sucesso nas dietas, apostou em remédios para emagrecer, como a anfepramona e a sibutramina, conhecidos por reduzir o apetite e aumentar a sensação de saciedade. A princípio, os efeitos foram incríveis. As guloseimas, que antes pareciam irresistíveis, já nem atraiam mais a sua atenção. Mas com passar do tempo, seu corpo aumentou a tolerância às drogas e ela sentiu os efeitos diminuindo.

Diagnóstico só veio na fase adulta

Um dia, sem recomendação médica, Izabel decidiu deixar de ser refém dos medicamentos. O efeito, no entanto, não foi o que ela imaginava. Em vez de uma vida à prova de tentações, ela sofreu o efeito rebote. "Foi quando eu deixei de me considerar gulosa e passei a enxergar um problema. Cheguei a pedir quatro lanches de fast-food de uma vez, comia até a me sentir a ponto de explodir. Ganhei mais de 40 kg e prejudiquei muito minha saúde", explica.

Com a ajuda de um psiquiatra, Izabel recebeu o diagnóstico e apesar de não ter encontrado o equilíbrio prontamente, aprendeu a lidar com a ansiedade e saber identificar os gatilhos do distúrbio.

O que é a compulsão alimentar e como ela age no corpo?

A compulsão alimentar acontece quando alguém come descontroladamente, mesmo após já estar satisfeito. "Os pacientes com esse transtorno passam por descontroles emocionais que os levam ao comer compulsivamente. O quadro geralmente causa muito sofrimento, já que a pessoa sabe que está errada mas ele não consegue se controlar. Muitos esperam a madrugada, ou momentos que estão sozinhos para comer tudo que tem na geladeira", explica Rejane Vaz Bezerra Cruz, médica endocrinologista do Hospital Beneficência Portuguesa e da Clínica de Endocrinologia e Metabologia Endoclínica.

De acordo com Cruz, o açúcar e os carboidratos como farinha branca (que transformam-se em açúcar no organismo), substância comum em alimentos calóricos, é absorvida rapidamente pelo corpo. "O açúcar aumenta glicose no sangue, que libera insulina para colocar a glicose do sangue dentro da célula. Depois que o pico termina, o paciente fica com vontade de comer novamente, criando um ciclo vicioso."

Qual é o tratamento?

O tratamento geralmente é feito com uma equipe multidisciplinar que conta com apoio de nutricionista ou nutrólogo, endocrinologista e psicólogo ou psiquiatra. Dependendo do caso de cada paciente, medicamentos para controlar a ansiedade e suprimir o apetite podem ser utilizados.

Sucesso quase por acaso

Ao longo dos anos, Izabel desenvolveu duas doenças autoimunes: artrite reumatoide, que afeta as articulações, e psoríase, que se manifesta como escamas e manchas na pele. Em 2015, ano no qual ganhou o MasterChef, a segunda acometeu a planta de seu pé, causando feridas dolorosas. Foi quando a cozinheira recebeu a indicação do livro Barriga de Trigo, do cardiologista norte-americano William Davis, que descrevia uma dieta supostamente benéfica para as inflamações.

Mais para tratar as dores do que para tentar alcançar algum benefício de perda de peso, Izabel deu uma chance ao cardápio pronto. "Retirei determinados carboidratos, açúcares, glúten... O efeito da dieta foi quase imediato. No quarto dia, parecia que alguém tinha aberto uma janela. Tirar completamente era o que eu precisava para controlar a compulsão."

Rotina consciente

Apesar de abrir exceções para curtir momentos prazerosos e saborear receitas, a chef, que já eliminou 35 kg, mantém uma alimentação low carb e sem doces na maioria dos dias. "Hoje sei que sou uma pessoa que não pode consumir um pouquinho de açúcar todos os dias, se não acabo perdendo o controle", explica.

Para manter o peso e as articulações saudáveis, ela também aposta em treinos funcionais curtos que misturam exercícios de força com cardiorrespiratórios.

Cruz explica que mesmo após alcançar o equilíbrio, o paciente que passou pelo quadro precisa ter um controle emocional muito grande. "Mesmo por problemas não relacionados à imagem corporal, essa pessoa pode ter recaídas. É aconselhável que o paciente mantenha a terapia e pratique atividades físicas, já que o exercício libera serotonina, que funciona como um remédio, aumentando a sensação de bem-estar", aponta a médica.

"Se você quer emagrecer, comece hoje"

Se Izabel pudesse dar algum conselho para pessoas que estão passando pelo que ela passou, seria este: comece hoje. "Eu sempre achava que ia começar no dia seguinte. Achava que segunda-feira seria um dia mágico, que eu ia miraculosamente seguir a dieta com muito foco e emagrecer rapidamente. Mesmo que você saia da dieta no almoço, isso não é um impedimento para que você possa fazer escolhas melhores no jantar", aconselha.

Novo livro foca em compartilhar momentos

Para dividir a revolução que viveu na alimentação, a cozinheira lançou o livro "Delícias da Izabel", composto por 100 receitas low carb e divididos em capítulos específicos para diferentes refeições.

"É um prazer poder apresentar essa gastronomia como acessível para o cotidiano, para que as pessoas deixem de ver essa alimentação como tão restritiva, porque não precisa ser. Essas receitas são inclusivas, para você compartilhar com a sua família ou seus amigos", explica a autora.

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