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Sangramento no ânus nem sempre é hemorroida; conheça outras causas

A presença de sangue no papel higiênico é algo que sempre deve ser investigado - iStock
A presença de sangue no papel higiênico é algo que sempre deve ser investigado Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para o VivaBem

13/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Dor e sangramento no ânus são problemas comuns, muitas vezes associados a hemorroidas
  • Apesar de essa doenças atingir 75% das pessoas em algum momento da vida, ela não é a única que gera essas sintomas
  • Fissuras e fístulas, por exemplo, têm consequências bem parecidas com a hemorroida
  • Qualquer sangramento no ânus deve ser investigado, pois pode ser alerta de algo mais grave, como um tumor maligno

Não precisa se sentir desconfortável caso você tenha (ou já teve) um sangramento no ânus. Muitas vezes provocado por causa de hemorroidas, o problema é normal, já que aproximadamente 75% das pessoas já enfrentaram ou vão enfrentar essa doença em algum momento da vida.

No entanto, a presença de sangue no papel higiênico ou dores no ânus também são sinais de outras doenças e por isso nunca devem ser ignoradas. "Por achar que o problema é 'apenas' hemorroidas, muitas pessoas não levam o sintoma a sério e acabam descobrindo tardiamente que estão com algo mais grave, como um tumor maligno no ânus. Por isso, sangrou, procure um médico o quanto antes", alerta Marcelo Averbach, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Sírio-Libanês.

Hemorroida, fissura ou fístula?

Apesar de serem problemas bem diferentes entre si, a fissura e a fístula são condições muitas vezes confundidos com hemorroidas, por apresentarem sintomas parecidos.

A hemorroida ocorre devido à dilatação de vasos sanguíneos do ânus. Com o esforço físico excessivo ao evacuar e a passagem das fezes ressecadas e endurecidas, eles podem eventualmente se romper, ocasionando hemorragias e dor local. Já a fissura é como um corte na borda do ânus e a fístula, uma feridinha entre o canal e a pele externa do ânus. Ela surge, em 90% dos casos, por infecção e inflamação de glândulas dessa região.

"Se a fissura for aguda, pode ter sido provocada por força ao evacuar, relação sexual anal ou mesmo por alergia e ressecamento da pele a algum produto, como papel higiênico. Quando crônica, seu desenvolvimento é associado a uma contração involuntária da musculatura do ânus e que pode ser bastante dolorosa", explica Camila Cannato, médica e cirurgiã do aparelho digestivo pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Essa contração involuntária a que Cannato se refere pode ser desencadeada por estresse, ansiedade, medicamentos que relaxem a musculatura esfincteriana, ou mesmo por uma fissura anal aguda —nesse caso, a contração provocada por ela é uma resposta natural do organismo, que busca diminuir a passagem de fezes pela região anal a fim de minimizar os sintomas de dor e ardência. Como não consegue, o quadro piora e evolui para crônico.

Quanto à fístula, existem várias glândulas que produzem secreção perto da borda do ânus, dentro do canal anal. "Às vezes, elas entopem e formam um abcesso (tipo um furúnculo), que pode estourar para a pele do lado de fora do ânus, formando um buraquinho que coça, sangra, dói e vaza pus constantemente", explica Alexandre Sakano, gastrocirurgião da BP, a Beneficência Portuguesa, de São Paulo. O problema pode ocorrer espontaneamente, sem uma causa específica ou estar relacionado a doenças inflamatórias intestinais, como colite ulcerosa, doença de Crohn e diverticulite intestinal.

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Como identificar qual é o problema

A diferenciação entre os casos (hemorroida, fissura e fístula) deve ser feita por um médico, que para chegar a um diagnóstico preciso, além de avaliar clinicamente os sintomas, pode solicitar exames de imagens da região anal, como sigmoidoscopia, anuscopia e proctoscopia.

Em geral, para diminuir as chances de surgimento e avanço dessas doenças, os especialistas recomendam medidas que reduzam a constipação e o esforço ao evacuar. "É importante manter uma dieta rica em líquidos e fibras, o que inclui verduras, legumes e alimentos integrais. Também é essencial fazer a higienização correta do ânus com água e sabão, em vez de papel higiênico, que não é eficiente", diz Averbach.

A fissura não precisa operar, pois é causada por traumatismo local. Com uma mudança alimentar, aplicação de pomadas, medicações que reduzem a contração involuntária da musculatura do ânus e abstinência sexual, no caso de quem pratica sexo anal, a ferida fecha sozinha. Diferentemente da fístula, que requer cirurgia. Se for um quadro simples, basta localizá-la, abrir e retirar o tecido comprometido e fechar. "Porém, há casos mais complicados, que podem envolver a introdução de um cateter para drenar o abcesso e até mais de uma cirurgia", explica Cannato.

No que se refere ao tratamento da doença hemorroidária, esse vai depender da intensidade dos sintomas e do grau de comprometimento da região afetada. Casos leves podem ser solucionados com uma revisão de hábitos de rotina, mais utilização de pomadas, analgésicos, anti-inflamatórios e remédios que melhorem a circulação sanguínea. Se não surtir efeito ou se o caso for mais grave, o mais indicado é a cirurgia, sendo a hemorroidectomia, que utiliza bisturis para remover as veias inflamadas —a mais efetiva, porém também a mais dolorida.