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Alimentos com aditivos químicos fazem mal à saúde?

Não se alarme, mantendo uma alimentação equilibrada, os aditivos não causam mal - iStock
Não se alarme, mantendo uma alimentação equilibrada, os aditivos não causam mal Imagem: iStock

Sibele Oliveira

Colaboração para o VivaBem

26/08/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Os aditivos químicos são importantes para melhorar a aparência, a textura e o sabor dos alimentos, além de evitar desperdícios
  • Ao contrário do que muitas pessoas pensam, essas substâncias não anulam os benefícios dos alimentos, mas podem fazer mal à saúde em excesso
  • Estudos mostram que alguns aditivos químicos estão associados a efeitos cancerígenos

O que há em comum na maior parte dos alimentos que encontramos nos supermercados? De chocolates a embutidos, todos contêm aditivos químicos. Ou seja, ingredientes adicionados com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, segundo definição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O problema é que o consumidor não está familiarizado com a nomenclatura que aparece ali e, portanto, fica em dúvida se as substâncias fazem bem ou mal.

Eles melhoram a aparência, a textura e o sabor dos alimentos, além de reduzir perdas durante o processamento, transporte e armazenamento. Além disso, são todos fiscalizados. "No Brasil, segundo as resoluções da Anvisa, eles só são autorizados ao uso após um rigoroso estudo de avaliação toxicológica, sendo que os mesmos são constantemente avaliados", ressalta Ângelo Luiz Fazani Cavallieri, coordenador do curso de engenharia de alimentos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Há pessoas que evitam alimentos com aditivos químicos por acreditar que os nutrientes são reduzidos neles. Mas estão erradas. "Os aditivos empregados em alimentos não anulam os nutrientes, mas podem agregar malefícios importantes", afirma Lenita Borba, conselheira titular do Conselho Regional de Nutricionistas Terceira Região (CRN-3) e membro da Comissão de Políticas Públicas.

Esses malefícios ocorrem quando há um consumo exagerado de alimentos processados e industrializados. O que acontece cada vez mais na vida moderna, pois muitas pessoas não querem ter trabalho na cozinha e compõem a dieta principalmente com eles. E é justamente no excesso que mora o perigo, pois as doses de substâncias que a princípio não fariam mal, acabam sendo nocivas se ingeridas sem um limite.

Quando a quantidade de aditivos químicos é excessiva, as consequências podem ser sérias. "Periodicamente surgem estudos em animais mostrando associação com doenças crônicas de algumas substâncias como, por exemplo, efeitos cancerígenos", relata Andrea Pereira, médica nutróloga do Departamento de Oncologia e Hematologia do Hospital Israelita Albert Einstein.

Não devemos demonizar os alimentos processados. Eles são necessários, uma vez que possibilitam que lidemos com muitos aspectos de nossas vidas, como a utilização de alimentos práticos e de fácil preparo Ângelo Luiz Fazani Cavallieri

O contraponto é que é verdadeiro: o benefício dos alimentos naturais é que é bem maior.

"Os nutrientes naturais são mais biodisponíveis, têm uma digestibilidade melhor e mais fibras. Com isso, a pessoa tem um melhor funcionamento do trato gastrintestinal", explica Pereira.

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Imagem: iStock

Não precisa se alarmar

Uma das substâncias que mais causam temor nas pessoas é o glutamato monossódico (sal sódico do ácido glutâmico), um realçador de sabor que proporciona o quinto gosto do paladar, o umami. Porém, não há motivos para se alarmar, pois o aditivo químico é autorizado pela legislação dentro de níveis considerados seguros ao consumo, segundo Cavallieri.

Mas como saber se estamos passando do ponto? A nutróloga Hospital Israelita Albert Einstein dá uma dica. "O ideal é termos 50% do nosso prato de verduras e legumes, 25% de proteínas de origem animal e vegetal e 25% de carboidratos. Abrir menos pacotes e latas e descascar mais", aconselha.

Ela diz que não precisamos ter uma alimentação 100% natural, mas ressalta que os alimentos in natura devem ser a nossa prioridade. "Isso é trabalhoso, mas reduz risco de doenças crônicas como câncer, pressão alta, síndrome metabólica, obesidade etc. Precisamos usar os industrializados como exceção. Não como regra".

Saiba identificar os aditivos

Realçadores de sabor, antiespumantes, corantes, espessantes, conservantes, flavorizantes e melhoradores de farinha, são muitos os tipos de aditivos. Por isso, Borba elaborou uma lista com alguns tipos comuns e seus efeitos para a saúde:

  • Bromato de potássio - substância utilizada para amaciar e branquear a massa do pão de fast-food e de pizzas congeladas. Já é proibida no Brasil, pois tem potencial cancerígeno.
  • Acrilamida - produto químico presente em frituras e alimentos preparados em altas temperaturas. Ele aparece tanto em alimentos in natura fritos em casa quanto em alguns processados e possui potencial cancerígeno.
  • Nitrato de sódio - tipo de sal presente em alimentos processados e embutidos, como salsichas e bacon. É associado ao surgimento de câncer quando consumido em excesso. O limite diário aceitável é de 3,7 mg/kg.
  • Xarope de milho - tipo de açúcar extraído do milho, presente em refrigerantes, doces, sucos concentrados, biscoitos e cereais processados, entre outros alimentos. Em excesso, colabora para o desenvolvimento de diabetes e síndrome metabólica.
  • Óleo vegetal bromado (BVO) - aditivo já proibido na União Europeia, Japão e Austrália devido ao risco de causar problemas neurológicos. É encontrado em alguns tipos de refrigerantes e de bebidas esportivas, com a finalidade de manter seus aromas. É proibido em refrigerantes pela Anvisa.
  • Benzoato de sódio - conservante usado para impedir o crescimento de fungos e leveduras em sucos, conservas, refrigerantes, molhos para saladas e condimentos. Em excesso, está sendo associado ao surgimento de hiperatividade em crianças e câncer. A dose diária aceitável é de até 5 mg por kg de peso corporal.