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Jejum intermitente reduz gordura no pâncreas e pode prevenir diabetes

StephanieFrey/iStock
Imagem: StephanieFrey/iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

03/07/2019 16h12

A polêmica em torno do jejum intermitente é grande -- enquanto algumas pesquisas relatam os benefícios do método, outras alertam que ele pode ser perigoso.

Agora, um grupo de cientistas demonstrou que para ratos, a técnica resulta em menor quantidade de gordura pancreática. E qual o benefício disso? De acordo com a pesquisa, publicada no periódico científico Metabolism, existe um mecanismo pelo qual a gordura do pâncreas poderia contribuir para o desenvolvimento do diabetes tipo 2, logo, a redução da substância seria benéfica para a prevenção da doença.

Como o estudo foi feito

  • Durante a investigação, a equipe descobriu que os ratos com excesso de peso propensos a diabetes têm um alto acúmulo de células adiposas no pâncreas.
  • A equipe de cientistas dividiu os animais com excesso de peso, que eram propensos a diabetes, em dois grupos: o primeiro podia comer tudo que quisessem, a qualquer momento. Já o segundo grupo foi submetido a um regime de jejum intermitente: recebiam ração ilimitada em um dia, e no dia seguinte não eram alimentados.
  • Após cinco semanas, os pesquisadores observaram diferenças no pâncreas dos camundongos: as células de gordura no pâncreas continuaram presentes no primeiro grupo, mas o segundo quase não apresentava a substância.

Qual a relação entre gordura no pâncreas e diabetes?

Buscando descobrir como as células de gordura podem prejudicar a função do pâncreas, os pesquisadores isolaram células precursoras de gordura no órgão e permitiram que elas se diferenciassem em células de gordura maduras.

Se essas células adiposas fossem subsequentemente cultivadas em conjunto com as ilhotas de Langerhans -- grupo especial de células do pâncreas que produzem insulina e glucagon, importantes para regular os níveis de açúcar no sangue -- as células beta das "ilhotas" segregavam cada vez mais insulina.

De acordo com os cientistas, isso levou à suspeita de que o aumento da secreção de insulina faz com que as ilhotas de Langerhans de animais com diabetes percam sua função após algum tempo, Desta forma, o acúmulo de gordura no pâncreas poderia contribuir para o desenvolvimento do diabetes tipo 2.

Segundo com Tim Schulz, um dos principais responsáveis pela pesquisa, os dados sugerem que não apenas a gordura hepática deve ser reduzida para prevenir o diabetes tipo 2. "Sob certas condições genéticas, o acúmulo de gordura no pâncreas pode ter um papel decisivo no desenvolvimento do diabetes tipo 2", disse.

Para o especialista, o jejum intermitente pode ser uma abordagem terapêutica promissora no futuro já que é não invasivo, é fácil de integrar no dia a dia e não requer medicamentos.

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