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Passar duas horas ao ar livre por semana traz benefícios à saúde

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Imagem: iStock

Knvul Sheikh

Do New York Times

30/06/2019 04h00

É fato comprovado pela medicina: passar tempo ao ar livre, especialmente em espaços arborizados, faz bem para você.

Um grande número de pesquisas indica que atividades como ir ao parque do bairro, caminhar em trilhas em meio à natureza ou passar um fim de semana à beira de um lago podem baixar os níveis de estresse de uma pessoa, diminuir a pressão arterial e reduzir o risco de asma, alergias, diabetes e doenças cardiovasculares, ao mesmo tempo que estimulam a saúde mental e aumentam a expectativa de vida.

Médicos em todo o mundo passaram a prescrever tempo na natureza como estratégia para melhorar a saúde de seus pacientes.

Uma questão, no entanto, continuava em aberto: quanto tempo, ou com que frequência, devemos ficar ao ar livre para colher grandes benefícios? Existe uma dose recomendada? Quanto de natureza basta? Segundo um trabalho publicado recentemente no periódico Scientific Reports, a resposta é: aproximadamente 120 minutos por semana.

O estudo analisou dados de mais ou menos 20.000 pessoas na Inglaterra que participaram de uma pesquisa que monitorou o envolvimento delas com o ambiente natural (Monitor of Engagement with the Natural Environment Survey) entre 2014 e 2016. O estudo pedia aos participantes que registrassem suas atividades durante a semana imediatamente anterior à pesquisa.

Descobriu-se que os indivíduos que passavam no mínimo duas horas ao ar livre relataram estar em melhor estado de saúde e ter uma maior sensação de bem-estar do que aqueles que não saíam de forma alguma. Passar apenas 60 ou 90 minutos na natureza não teve um efeito tão significativo. E cinco horas por semana em meio à natureza não trouxeram benefícios adicionais à saúde.

"O que realmente nos surpreendeu foi que as descobertas se mostraram verdadeiras para todos os grupos de pessoas. Duas horas por semana foram o limite para homens e mulheres, adultos jovens e mais velhos, grupos étnicos diferentes, pessoas que moram em áreas mais ricas ou pobres e mesmo para aqueles que vivem com enfermidades de longo prazo", afirmou Mathew P. White, psicólogo ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Exeter, que liderou o estudo.

Não fez diferença a distância entre a casa das pessoas e os espaços recreacionais, ou com que regularidade elas os frequentavam, desde que acumulassem duas horas de atividades ao ar livre no fim da semana.

"A natureza não é como uma pílula que o médico prescreve e é preciso tomar em pequenas doses todos os dias. O mais importante é ser capaz de ajustá-la ao seu estilo de vida", acrescentou White.

Nem todos têm o privilégio de viver perto de paisagens naturais ou de parques aos quais podem ir todos os dias. Mas, ainda assim, podem usufruir dos mesmos benefícios ao fazerem uma longa caminhada em um dia ou uma viagem para uma área de lazer no fim de semana.

Nooshin Razani, pediatra do Hospital Pediátrico Benioff da UCSF, em Oakland, na Califórnia, passou a prescrever horas ao ar livre a seus pacientes, que habitam áreas mais pobres. Ela frequentemente organiza excursões em grupo para áreas de lazer na vizinhança, no East Bay Regional Park District (distrito na Califórnia que mantém e opera um sistema de parques regionais).

"Quando você vai a um parque com a família, acontecem tantas coisas boas. As crianças podem brincar e ficar fisicamente ativas. Elas têm a chance de socializar e aliviar o estresse", justificou Razani, acrescentando que os adultos experimentam os mesmos benefícios.

Especificar a causa exata desses benefícios para a saúde é difícil. Estar ao ar livre estimula a atividade física? Será que qualquer coisa que nos tire do sofá e da frente das telas nos deixa mais saudáveis? Ou pessoas mais saudáveis e mais felizes estão simplesmente mais propensas a passar o tempo ao ar livre?

"A maioria dos estudos como esse é transversal, ou seja, eles analisam apenas um ponto específico no tempo", explicou Carla Nooijen, pesquisadora da Escola Sueca de Esporte e Ciências da Saúde, em Estocolmo, cujo estudo examinou os efeitos de ambientes naturais. Rastrear hábitos e respostas durante um período pode ajudar a esclarecer os possíveis mecanismos, argumentou.

Mesmo assim, prescrever tempo na natureza está ficando cada vez mais comum. Na Suécia, o termo "friluftsliv", que significa viver perto da natureza, está tão enraizado na vida cotidiana - desde a locomoção por bicicleta até o relaxamento em saunas à beira de lagos - que é oferecido abatimento de imposto como incentivo para quem assumir esse estilo de vida.

Na Coreia do Sul, o governo está estabelecendo dezenas de "florestas de cura" para seus cidadãos extenuados. No ano passado, o NHS Shetland, sistema nacional de hospitais da Escócia, começou a permitir que médicos de certas especialidades prescrevessem atividades ao ar livre como parte rotineira do tratamento do paciente.

Esse estudo mais recente é o primeiro passo importante para o desenvolvimento de diretrizes concretas para a prescrição de momentos na natureza, semelhantes às diretrizes para exercícios semanais. (A recomendação atual por semana para o adulto americano é de, no mínimo, 150 minutos de atividade moderada, 75 minutos de atividade vigorosa ou alguma combinação dos dois.)

"Esse estudo vai ajudar os médicos que clinicam, como eu, a aconselhar melhor os pacientes", disse Razani. E, complementou, ele oferece um objetivo realista e alcançável para a maioria das pessoas. De baixo custo e com baixo risco, exatamente o que o médico receitou.

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