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Incenso faz mal? Veja como usar com segurança e evitar os possíveis riscos

Especialistas explicam os riscos da exposição constante à fumaça e como usar - iStock
Especialistas explicam os riscos da exposição constante à fumaça e como usar Imagem: iStock

Malu Echeverria

Colaboração para o UOL VivaBem

28/03/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O uso de incensos é comum, mas a exposição prolongada a sua fumaça pode causar problemas respiratórios
  • Usá-los com parcimônia, em ambientes arejados e longe de crianças são precauções importantes
  • Além disso, preferir ervas secas, resinas e madeiras é melhor do que as varetinhas

Seja para aromatizar o ambiente, repelir insetos ou --para quem acredita -- trazer boas energias, os incensos são usados há milhares de anos. Mas tanto a fumaça quanto o cheiro forte podem fazer mal à saúde em casos de exposição excessiva. Ou seja, se você é fã da prática, é preciso tomar alguns cuidados.

Isso ocorre por que a inalação de qualquer tipo de fumaça pode inflamar, progressivamente, as vias aéreas. Dessa forma o organismo produz mais muco e, por outro lado, tem dificuldade de colocá-lo para fora, já que as estruturas responsáveis por esse processo são lesionadas, como explica o pneumologista Luiz Fernando Pereira, coordenador da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia).

Mas isso não quer dizer que o uso de incensos esteja totalmente proibido. "Está comprovado que a inalação de fumaça pode levar ao desenvolvimento de doenças como enfisema pulmonar e bronquite a longo prazo. No entanto, a exposição tem de ocorrer com frequência, por muitas horas e em ambientes fechados", diz Pereira.

Inclusive, existem benefícios do seu uso: uma pesquisa feita por um time internacional de especialistas, incluindo pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (EUA) e da Universidade Hebraica de Jerusalém (Israel) mostrou que a queima da resina do olíbano (árvore do gênero Boswellia, de origem africana, usada em alguns tipos de incensos) ajudam a diminuir a ansiedade e a depressão.

Para Pereira, o uso esporádico não faz mal desde que você não tenha nenhuma doença respiratória. "O risco é diferente, por exemplo, para uma pessoa que trabalha em um templo onde o hábito seja diário e constante", completa. Tanto que, na Ásia, onde a prática é comum, há inúmeros estudos que relacionam a prática a doenças pulmonares e até mesmo cardíacas.

Reações alérgicas também podem ocorrer

Incenso - iStock - iStock
Imagem: iStock
De acordo com a alergologista Meire Komatsu, do Hospital Santa Cruz, de São Paulo, o problema não é só a fumaça, como também a composição química dos produtos, já que algumas marcas contêm benzeno e aromas sintéticos. "Por isso, o uso é contraindicado para pessoas que tenham algum tipo de alergia respiratória, como asma, bronquite e rinite, entre outras", alerta a especialista. Nesses casos, a inalação dessa fumaça pode causar crises respiratórias e piora do quadro.

Além disso, convém evitar a prática se você tem crianças em casa. Elas são mais suscetíveis a reações alérgicas, segundo a médica, por conta do sistema imune ainda em desenvolvimento, especialmente nos primeiros dois anos de vida.

E o odor do incenso pode causar alguma reação? Se for muito acentuado, sim. Pode irritar a fossa nasal, causar dor de cabeça, enjoo e tontura em algumas pessoas, como acontece com a nicotina, por exemplo. Mas vai depender do tipo de incenso e, como há inúmeros disponíveis no mercado, é difícil prever. "Por isso, o ideal é fazer um teste. Ficou perto de um incenso e sentiu algum efeito colateral? Então, suspenda o uso", afirma Pereira.

Os incensos são classificados como cosméticos e/ou saneantes de baixo risco e, embora não necessitem registro, são notificados no banco de dados da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Antes de comprar, portanto, vale conferir a procedência do produto e escolher uma versão mais natural possível.

3 dicas para usar com segurança

- Ainda que os incensos em forma de vareta sejam os mais comuns no Brasil, pela praticidade, a queima de substâncias aromáticas in natura (desde ervas secas, resinas, madeiras a sementes naturais) tende a ser menos tóxica

- Para os incensos naturais, existem recipientes específicos de cerâmica, metal ou pedra. Já as versões em forma de varetas podem ser queimadas em pé, em modelos (de madeira ou cerâmica) com encaixe ao centro ou na lateral. Lembre-se: para evitar acidentes, o incenso deve ser aceso em ambientes arejados, longe do alcance das crianças e dos animais e apenas quando houver alguém por perto.

- Queimar cascas de limão e laranja, assim como varetas à base de outros cítricos, por exemplo, são bons para eliminar maus odores. Já os feitos com a planta citronela são ótimos repelentes.

Fontes: Luiz Fernando Pereira, coordenador da Comissão Científica de Tabagismo da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia); Meire Komatsu, alergologista do Hospital Santa Cruz; Emília Kiyohara, aromaterapeuta, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Pesquisas em Aromaterapia; Sylvia de Seganttini, aromaterapeuta, da Associação Brasileira de Clínicas e SPAs do Brasil.

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