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Dor na sola do pé ao se levantar? É sinal de fascite plantar; entenda lesão

Um dos sintomas clássico de fascite plantar é a dor na sola ao apoiar o pé no chão após muito tempo parado  - iStock
Um dos sintomas clássico de fascite plantar é a dor na sola ao apoiar o pé no chão após muito tempo parado Imagem: iStock

Zé Augusto Aguiar

Colaboração para o UOL VivaBem

18/03/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A fascite plantar é uma lesão muito comum em quem pratica esportes de impacto, é iniciante no treino ou está acima do peso
  • Ela tem como principal sintoma a dor na sola do pé, que ocorre devido à inflamação da fascia (tecido que recobre os músculos)
  • Fortalecer a musculatura da parte inferior do corpo e aumentar progressivamente a carga de treino é importante para evitar o problema

Você começa a caminhar ou correr na academia cheio de motivação para perder peso e/ou ter mais saúde. Aí, um belo dia, após um período de dedicação aos treinos, vai colocar o pé no chão quando acorda e sente uma forte dor na sola.

Geralmente, o incômodo é causado pela fascite plantar, uma inflamação na fáscia que recobre quase toda a musculatura da planta do pé. O problema é muito comum em iniciantes no exercício, pessoas que estão acima do peso ou exageram na carga de atividade física.

O que é a fáscia?

Basicamente, a fáscia é um tecido conjuntivo fibroso que envolve músculos, articulações, ossos e órgãos, dando sustentação a eles. Sabe aquela "pele" dura que encontramos em algumas peças de carne bovina? Ela é a fáscia.

A fáscia plantar reveste quase toda a musculatura da planta do pé, estendendo-se do calcanhar até a região anterior aos dedos. Ela é a estrutura responsável por manter a arcada óssea estável, trabalha como uma absorvedora de choques e na transmissão de energia do pé, contribuindo para o mecanismo da passada.

"Feita de colágeno, uma proteína rígida e pouco elástica, a fáscia ajuda a manter a estabilidade e a curvatura do pé firme enquanto ele aterrissa no solo, e depois o empurra a cada passada, ajudando na movimentação", explica o ortopedista Mauro Dinato, especialista em cirurgia do pé e do tornozelo pelo Hospital das Clínicas da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

A fascite plantar costuma atingir quem pratica exercícios de grande impacto, como corrida e caminhada - iStock
A fascite plantar costuma atingir quem pratica exercícios de grande impacto, como corrida e caminhada
Imagem: iStock

Quais são as causas da fascite plantar?

Movimentos repetitivos de grande impacto na sola do pé podem machucar a fáscia, gerando a inflamação da região. A lesão acomete muitos corredores, saltadores, ginastas, bailarinos, jogadores de basquete e de vôlei. Entre os praticantes de atividade física, os principais fatores de risco são:

  • Aumento repentino de carga ou volume de exercícios, típicos da falta de orientação profissional;
  • Excesso de treinos de corrida em subidas e descidas;
  • Falta de alongamento da panturrilha e da planta do pé;
  • Prática de atividade física de grande impacto sempre em pisos duros, como concreto e asfalto;
  • Uso de calçados inadequados para a prática de exercícios ou até mesmo no dia a dia (como salto alto ou sapatênis para fazer longas caminhadas).

Segundo a Sbed (Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor), além dos traumas no esporte que causam inflamação da região, estudos mais recentes sugerem que a dor da fascite pode ser consequência do excesso de peso --que gera grande carga e impacto na sola dos pés -- e de processos degenerativos naturais da idade, mais comuns entre pessoas de 40 a 60 anos.

Quais os sintomas

Um dos principais sinais da lesão é uma dor aguda na parte mais interna do calcanhar ao caminhar ou correr: "A sensação é parecida com uma facada ou agulhada", afirma Dinato. Mas o desconforto também pode ocorrer no meio da sola e no antepé, dependendo do ponto do pé com que você toca o solo primeiro (e consequentemente recebe maior impacto) ao se movimentar.

Outro sintoma clássico da fascite plantar é a dor aguda ao apoiar o pé no chão após ficar muito tempo parado --quando você se levanta ao acordar, por exemplo, ou depois de muitas horas sentado.

O diagnóstico da lesão ocorre pela manipulação do médico e histórico do paciente. Exames de imagem como ultrassom e ressonância servem para confirmar o problema e excluir outras possibilidades com sintomas semelhantes --esporão calcâneo, fratura por estresse no calcanhar e até trombose nas veias plantares.

Fortalecer e melhorar a flexibilidade dos pés, pernas e glúteos é importante para evitar a fascite plantar   - iStock
Fortalecer e melhorar a flexibilidade dos pés, pernas e glúteos é importante para evitar a fascite plantar
Imagem: iStock

Como é o tratamento

Segundo a médica do esporte Ana Paula Simões, professora da Santa Casa de São Paulo, a fase inicial e aguda da lesão geralmente é tratada com repouso e medicamentos anti-inflamatórios. Também podem ser usados outros métodos para reduzir a dor, como aplicação de gelo, acupuntura, infravermelho, ondas curtas, eletromagnetoterapia etc.

Em casos mais graves e de dor persistente, pode ser necessário o uso de infiltração no local, com corticoide. "Caso o paciente não melhore, o que corresponde a uma porcentagem bem pequena de casos, indicamos uma cirurgia simples de liberação da fáscia", diz Marco Antonio Gonçalves Pontes Filho, reumatologista do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Preciso interromper os treinos?

Dependendo do grau da lesão, sim, pois é preciso evitar o impacto na sola dos pés. Mas você pode realizar outras atividades para não perder o condicionamento físico e o "embalo" nos treinos, como natação, ciclismo, corrida na piscina e até exercícios funcionais (sem saltos).

Após o tratamento agudo da lesão (ou até paralelamente a ele), é recomendado o fortalecimento muscular dos membros inferiores e exercícios para a recuperação da mobilidade e flexibilidade dos pés e tornozelos. "Em caso de corredores, também podem ser indicados exercícios educativos para melhora da técnica", diz o fisioterapeuta Hélio Nichioka.

Essas atividades podem ser realizadas antes ou em conjunto com a volta aos treinos, que geralmente ocorre entre quatro e 12 semanas, dependendo da gravidade da lesão. O atleta deve retornar à sua modalidade principal com atividades leves e aumentar gradualmente a carga de exercício.

Como prevenir a fascite plantar

Alguns cuidados são importantes para evitar a lesão:

  • Usar o calçado adequado para a sua atividade física;
  • Alongar os músculos da parte inferior do corpo;
  • Fortalecer a musculatura dos membros inferiores e dos pés (existe um exercício simples, que pode ser feito em casa: estenda uma toalha no chão e, com os dedos dos pés, puxe-a e "enrugue-a").
  • Manter o peso adequado;
  • Utilizar a técnica adequada para a corrida ou outra modalidade que pratica;
  • Aumentar lentamente o volume e intensidade de treino, e nunca de maneira muito abrupta.

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