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Como dizer para criança que ela tem câncer? Grupo cria vídeo para facilitar

Maria Júlia Marques

Do UOL VivaBem, em São Paulo

12/01/2019 14h30

Falar sobre câncer não é uma tarefa fácil. O assunto já é delicado para adultos, não é mesmo? Imagine então como é difícil a missão de explicar para uma criança o que é o diagnóstico de câncer. A conversa é árdua, mas não é tão rara, uma vez que cerca de 12.500 crianças são diagnosticadas com câncer por ano, de acordo com os dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer).

Apesar de o prognóstico soar positivo, o Inca afirma que 80% das crianças podem ser curadas com diagnóstico precoce, o psicológico dos pequenos também é afetado e precisa de cuidados. Pensando nisso, um grupo de cinco psicólogas se uniu para facilitar a comunicação e compreensão do câncer pelas crianças e até familiares, que também ficam em uma posição sensível neste contexto. 

As profissionais formaram o Enfrente, Instituto de Psicologia, para dar assistência as famílias e aos jovens pacientes. "Tendo em vista que os estudos de psicologia com público infantil mostram que brincadeiras e desenhos podem ser ferramentas importantes para compreensão e elaboração das angústias vivenciadas pelas crianças, criamos também o projeto Enfrentinho", contam as psicólogas responsáveis Isadora Cocenza, Natalia Araujo, Priscilla Godoy, Raquel Neto e Simone Gomes. 

O projeto visa criar uma série de vídeos como o acima com um sobrevivente de leucemia contando de forma lúdica e simples sua experiência com o câncer, explicando conceitos, tratamentos e angústias. Esta é apenas o episódio número um, mas para conseguir terminar os seguintes capítulos o grupo pede ajuda em uma campanha de financiamento coletivo

Como conversar sobre o câncer com a criança?

Não é positivo esconder o problema, os pequenos conseguem captar quando algo está diferente no ambiente, e no caso de seu próprio adoecimento, sentem na pele as mudanças no organismo.

Mesmo que nada lhes seja dito, a maioria das crianças entende que está em um hospital e que alguma coisa está errada e se ninguém esclarece a situação ela pode criar fantasias ainda piores que a realidade ou pode ficar sabendo da verdade por um desconhecido, que pode não ter tato ou pouco conhecimento sobre o diagnóstico. 

"Ciente da verdade, a criança terá a chance de expressar suas angústias, fazer perguntas sempre que surgirem dúvidas e poderá ser confortada quando sentir medo. Além disso, contar a verdade favorece o estabelecimento de vínculo e de uma relação de confiança entre o médico, a família e o paciente, ajudando a criança com a aceitação e resposta ao tratamento", explicam as psicólogas.

Por mais que se queira, não há como proteger as crianças das dificuldades, mas é possível compartilhar com elas os momentos tristes, criando um canal de apoio mútuo. Psicólogos e oncologistas podem ajudar a escolher um local e momento adequado para conversar e ao abordar o tema de forma clara para a criança compreender. 

As responsáveis pelo projeto Enfrentinho esclareceram as facilidades e dificuldades de cada idade. Veja como a cabeça dos pequenos funciona:

  • Crianças de até 2 anos: Ainda não são capazes de compreender uma doença como o câncer. Entretanto, mesmo que não compreendam o significado exato das palavras, os pais devem associar os acontecimentos durante o diagnóstico e tratamento a gestos que passem segurança, apoio e aceitação. 
  • Crianças de 3 a 7 anos: Já são capazes de compreender o que é doença. Elas veem o mundo somente sob o seu ponto de vista, dessa forma, é muito importante que ela seja assegurada de que a doença não foi causada por algo que ela tenha feito, dito ou pensado, que não culpada pelo seu adoecimento, nem pelo sofrimento dos familiares ao seu redor.
  • Crianças de 7 a 12 anos: Ainda estão limitadas às suas próprias experiências, mas já são capazes de entender as relações entre situações. Assim, elas podem definir a doença como uma combinação de sintomas. A explicação sobre o câncer já pode ser mais detalhada, devendo incluir situações com as quais elas já estejam familiarizadas. É aconselhável sempre deixar claro que a doença não está relacionada algo errado que elas tenham feito. 
  • A partir dos 12 anos: O entendimento das crianças não se limita às suas experiências, sendo possível a compreensão de situações abstratas e que ainda não tenham sido vivenciadas. O câncer já pode ser definido como uma doença em que algumas células do corpo se multiplicam desordenadamente e mais rapidamente do que outras, comprometendo o funcionamento normal do organismo. Já é possível também esclarecer os objetivos do tratamento e dos procedimentos de maneira direta.

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