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Cientistas desvendam paladar e descobrem como desativar vontade por doces

O cérebro controla seu paladar e uma mudança nas configurações cerebrais pode mudar todos os seus gostos - iStock
O cérebro controla seu paladar e uma mudança nas configurações cerebrais pode mudar todos os seus gostos Imagem: iStock

Do VivaBem, em São Paulo

01/06/2018 18h55

Imagine se nós tivéssemos o controle do nosso cérebro para mudar nosso paladar, de uma hora para a outra os sabores que preferimos se tornassem desagradáveis ou se de repente você não sentisse mais gosto de nada mesmo. Ia ser, no mínimo, maluco e podia até ajudar em alguma dieta, não é mesmo? Uma pesquisa feita na Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, mostrou que isso é possível.

Segundo o novo estudo, publicado na Nature, o cérebro é programado para gerar respostas a gostos específicos e os sentimentos resultantes de prazer ou repulsa separam as características dos gostos que nos permitem identifica-los.

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Soa como roteiro de filme de ficção científica, mas ao descobrir o funcionamento desse circuito os cientistas esperam conseguir “desligar” o desejo por doces, por exemplo, enquanto alteram ou bloqueiam as respostas cerebrais.

O grupo, liderado pelo neurocientista Charles Zuker, mostrou anteriormente que temos receptores na língua que respondem aos cinco sabores -doce, amargo, salgado, azedo e agradável- e eles enviam sinais para partes específicas do córtex (a região mais externa do cérebro responsável por funções cognitivas superiores). Ou seja, cada gosto ativa um pedacinho diferente do seu cérebro.

Nos testes, estimular diretamente esses neurônios responsáveis pelo paladar fez com que ratos se comportassem como se estivessem experimentando gostos específicos. “Simplesmente ative algumas centenas de células na parte ‘amarga’ do córtex e o animal acha que está comendo algo amargo e executa todos os comportamentos associados a isso, como querer limpar logo a boca”, explicou Zucker.

Resumindo, assim os pesquisadores descobriram que o gosto não está na língua, e sim, no cérebro.

E qual a nova descoberta?

Aprofundando as análises, os cientistas manipularam geneticamente ratos para produzir proteínas coloridas em cada parte do cérebro relacionada a um sabor: a parte doce do córtex era verde, a amarga, vermelha, e assim por diante.

Com as cores, eles conseguiram traçar as conexões que emanavam dessas células para outros lugares do cérebro. As respostas levaram os cientistas até a amígdala, uma estrutura cerebral responsável pelo processamento de emoções e na atribuição de valores positivos ou negativos.

Aconteceu que as células doces foram ligadas primariamente a uma área chamada amígdala basolateral anterior, enquanto células amargas foram ligadas à amígdala central. "O estudo dá uma nova visão sobre a arquitetura do paladar. A segregação de conexões doces e amargas em diferentes núcleos amigdalares foi impressionante," concluiu a neurocientista Kay Tye.

O que aprendemos com tudo isso?

Compreendemos que nosso cérebro processa de formas diferentes os gostos. E fazemos isso sem pensar: você sabe que algo doce como um bolo de chocolate é mais convidativo que algo amargo.

Os pesquisadores raciocinaram que as conexões descobertas estão por trás da função da amígdala em atribuir valor aos gostos, o que, então, impulsiona o comportamento humano em relação a cada sabor.

Como teste, os cientistas ativaram as conexões doces enquanto ratos bebiam água e isso estimulou os animais a beberem furiosamente, enquanto as conexões amargas suprimiram a bebida. A ativação das células nas amígdalas dos animais era suficiente para tornar a água de sabor neutro atraente ou aversiva.

Além disso, se os ratos comessem alimentos doces, como adoçante, mas os cientistas ativassem a parte amarga do cérebro, os animais transformavam o sabor doce -normalmente atraente- em algo horrível. Ficou claro que a amígdala é fundamental para determinar o valoir dos sabores.

Esta é uma pesquisa fundamental sem aplicação imediata, mas poderia ter implicações para os pesquisadores que procuram tratar pessoas com problemas graves de obesidade, bloqueando certas respostas a certos gostos. Pode até haver implicações para a compreensão dos transtornos alimentares, porque o valor dos alimentos pode estar ligada à culpa experimentada em condições como a anorexia.

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