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Por que pequenos ácaros que vivem e se reproduzem nas profundezas do seu rosto estão ameaçados

Os ácaros Demodex folliculorum, como os cientistas os chamam, têm apenas 0,3 mm de comprimento - UNIVERSITY OF READING via BBC NEWS BRASIL
Os ácaros Demodex folliculorum, como os cientistas os chamam, têm apenas 0,3 mm de comprimento Imagem: UNIVERSITY OF READING via BBC NEWS BRASIL

Sam Harris - BBC Newsbeat

24/06/2022 12h14

Organismos de 0,3 mm de comprimento vivem nas profundidades dos poros, mas podem estar próximos da extinção.

Esfoliar, hidratar e passar protetor solar todos os dias são o padrão na rotina de cuidados com a pele de muitas pessoas.

Mas e os ácaros que limpam nossos poros, como o Demodex folliculorum, que passam a vida inteira no fundo de nosso rosto?

À noite, esses organismos de 0,3 milímetro de comprimento saem dos poros para encontrar um novo folículo da pele e acasalar com um parceiro.

Um novo estudo acaba de descobrir que esses pequenos ácaros podem estar enfrentando um problema dos grandes: o DNA deles está se erodindo, o que significa que estão perto da extinção.

Nós podemos imaginar o que você está pensando agora. Não adianta correr para o banheiro, pegar todos os sabonetes faciais e esfregar cada centímetro de sua pele.

Essa faxina não terá efeito: os ácaros vivem em camadas muito profundas da pele, que não podem ser lavadas com água e sabão.

Mais de 90% dos seres humanos carregam esses bichinhos no rosto. Nós fornecemos um lar desde quando nascemos, eles geralmente são transmitidos pela nossa própria mãe, durante a amamentação.

Sim, este é o ácaro que vive na nossa cara - Getty Images via BBC News Brasil - Getty Images via BBC News Brasil
Sim, este é o ácaro que vive na nossa cara
Imagem: Getty Images via BBC News Brasil

A bióloga Alejandra Perotti, professora da Universidade de Reading, no Reino Unido, e coautora do estudo publicado recentemente, diz que devemos ser "gratos" por oferecer um lar aos ácaros e ter um relacionamento tão íntimo com eles.

"Eles são muito pequenos e fofos. Não há nada para se preocupar em tê-los. Eles limpam nossos poros e os mantêm em ordem", esclareceu a especialista à Radio 1 Newsbeat da BBC.

"Não se preocupe. Fique feliz por ter uma pequena criatura microscópica vivendo com você, pois eles não causam nenhum dano."

O estudo mostra o quanto nosso relacionamento com esses bichinhos é próximo, mas também como os ácaros têm o menor número de genes em comparação com insetos, aracnídeos ou crustáceos.

O gene que protege o corpo do ácaro da luz ultravioleta, por exemplo, foi perdido. Mas isso até faz sentido, já que eles só estão ativos à noite, em momentos de pouca luminosidade.

E é justamente essa "atividade noturna" dos ácaros que pode te deixar assustado.

"À noite, enquanto dormimos profundamente, eles visitam os poros para fazer sexo e ter bebês", conta Perotti.

Sim, essas criaturas estão usando nossos poros como esconderijos do amor. Uma noção bastante romântica e agradável.

Pesquisas sugerem que essa espécie pode estar a caminho de ser completamente dependente de nós para sobreviver - UNIVERSITY OF READING via BBC News Brasil - UNIVERSITY OF READING via BBC News Brasil
Pesquisas sugerem que essa espécie pode estar a caminho de ser completamente dependente de nós para sobreviver
Imagem: UNIVERSITY OF READING via BBC News Brasil

O estudo mostra que, à medida que a diversidade genética dos ácaros diminui, a dependência deles aumenta, o que significa que correm o risco de uma possível extinção.

A pesquisa esperava encontrar um gene que acorda os ácaros e os faz dormir, mas ele não estava presente nas amostras analisadas.

Em vez disso, o Demodex folliculorum detecta uma pequena quantidade de hormônios secretados pela nossa própria pele enquanto dormimos, e é isso que os faz despertar.

Essas alterações estão causando problemas. Quanto mais esses organismos se adaptam a nós, mais genes eles perdem e, eventualmente, se tornarão inteiramente dependentes para continuar existindo.

Por causa dessa dependência, eles não poderão sair de nossos poros e encontrar um novo parceiro para se acasalar. E isso, por sua vez, representa uma ameaça ao futuro da espécie.

Mas qual é o problema se os perdermos para sempre?

"Eles estão associados a uma pele saudável. Então, se forem extintos, poderemos enfrentar mais problemas dermatológicos", alerta Perotti.

'Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-61924936'.

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