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H. pylori é grave? Saiba o que é, causas, sintomas e tratamento

Helicobactéria, H. pylori: saiba o que é, sintomas e tratamento - iStock
Helicobactéria, H. pylori: saiba o que é, sintomas e tratamento Imagem: iStock

Samantha Cerquetani

Colaboração para VivaBem

06/06/2022 04h00

Se você já fez endoscopia, um exame que analisa o sistema digestivo por meio de uma câmera, é provável que já tenha se deparado com o termo H. pylori. A Helicobacter pylori (ou apenas H. pylori) é uma bactéria que está presente no estômago de algumas pessoas e causa processos inflamatórios como gastrite, úlcera péptica e câncer gástrico, em alguns casos.

Geralmente, esta bactéria infecta o órgão ainda na infância e consegue sobreviver à acidez estomacal. Pode agredir a parede do estômago, o que acarretará em uma lesão.

Estima-se que a H. pylori esteja presente em cerca de 40% da população adulta, mas nem sempre provoca doenças ou complicações. No entanto, algumas pessoas são mais predispostas a desenvolver lesões no estômago, quando infectadas por essa bactéria.

A bactéria foi identificada pela primeira vez por Barry Marshall e Robin Warren, em 1983, na Austrália. Esta descoberta rendeu aos cientistas o prêmio Nobel em Medicina em 2005.

A seguir, você confere as principais dúvidas sobre H.pylori, sintomas, formas de tratamento e quais são os fatores de risco.

H. pylori: o que é, sintomas e como tratar

O que é H. pylori?

A H. pylori ou Helicobacter pylori é um tipo de bactéria que entra no organismo e se aloja no trato digestivo. Depois de muitos anos, provoca desconfortos estomacais como gastrite e feridas, chamadas de úlceras, no revestimento do estômago ou na parte superior do intestino delgado.

É considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como um agente carcinogênico, ou seja, em alguns casos pode ainda ser fator de risco para o câncer de estômago. A maioria das pessoas convive com a H. pylori sem apresentar sintomas. Vale lembrar que o homem é o único hospedeiro desta bactéria.

Como é transmitida?

A infecção por H. pylori ocorre com mais frequência na infância, antes dos 10 anos. O baixo nível socioeconômico, acompanhado de condições de habitação e higiene inadequados, facilitam o surgimento do problema.

A transmissão dessa bactéria ocorre ao entrar em contato com fezes, saliva, alimentos e água contaminados. Pode ser transmitida de pessoa para pessoa, principalmente quando as mãos não são lavadas adequadamente após a evacuação ou ao compartilhar objetos pessoais como talheres e copos.

Quais são os principais sintomas do H.pylori?

A infecção em si pela bactéria é assintomática. O que acontece é que a sua presença no estômago resulta em uma inflamação na mucosa gástrica, gerando como principal sintoma a dispepsia, ou seja, dor, azia, queimação e indigestão estomacal.

Perda de peso, sangramento intestinal, falta de apetite e vômitos são sintomas mais tardios da doença. Nesses casos, geralmente são situações mais graves de saúde e indicam câncer gástrico.

Porém, vale lembrar que esses sintomas também estão presentes em várias outras doenças, devendo ser devidamente investigados, antes de se atribuir à infecção por essa bactéria.

Como é feito o diagnóstico?

Existem diversos meios de se detectar a infecção pela H. pylori. Na maioria das vezes, o diagnóstico é realizado por meio da endoscopia digestiva alta, quando se retiram pequenos fragmentos da parede do estômago para avaliar a presença da bactéria com um microscópio, após o preparo do material. Esse exame é popularmente conhecido como biópsia.

Ainda pela endoscopia, é possível fazer o chamado teste da urease, quando se retira um pequeno fragmento da parede do estômago e se coloca dentro de um pequeno frasco com um líquido transparente, contendo a ureia.

Um terceiro exame é o teste respiratório, que é realizado após a administração oral de um suco de fruta e de um comprimido com ureia marcada com carbono-13, que é uma substância sem cheiro, sem gosto e que não traz riscos à saúde. Trata-se de um exame de maior custo e não é tão acessível.

Exames de fezes e sangue também poderão ser solicitados para verificar a presença da H. pylori no organismo ou anticorpos atuando contra a bactéria.

Como é o tratamento da H. pylori?

Por ser uma bactéria, o tratamento consiste na administração de antibióticos, associados a uma classe de medicamentos chamada de inibidores da bomba de prótons, que diminuem a acidez do estômago. Os fármacos devem ser usados por cerca de uma semana até 14 dias.

Após o tratamento, deve-se esperar algumas semanas e fazer novo teste para avaliar se a bactéria foi erradicada. Caso a pessoa ainda apresente H. pylori, um novo tratamento deverá ser indicado. Na maioria dos casos, apenas uma rodada de antibióticos é necessária para eliminar a infecção.

Quais são os fatores de risco?

A infecção pela H. pylori é mais comum em populações com condições inadequadas de vida, precariedade sanitária e baixa renda familiar. Isso porque objetos contaminados e compartilhados são as principais fontes de contaminação, bem como a falta de água tratada e esgoto.

Por isso, a contaminação ocorre geralmente na infância, atingindo com mais frequência a população em situação de pobreza.

Sabe-se que aqueles que têm um parente de primeiro grau (pai ou mãe) que já teve câncer gástrico ou úlcera, terão um risco maior de desenvolver a infecção pela H. pylori.

Pessoas que fumam ou tomam muitos anti-inflamatórios, se infectadas pela H. pylori, têm risco aumentado de desenvolver úlceras no estômago ou duodeno e até câncer.

Dá para prevenir?

Sim. Países desenvolvidos, com boas condições de higiene sanitária possuem taxas baixas de infecção pela bactéria H. pylori.

Algumas formas de prevenção:

  • Não compartilhe copos e talheres;
  • Faça a higiene correta das mãos após defecar e antes de se alimentar ou manusear alimentos;
  • Tenha cuidado na manutenção e preparação dos alimentos para evitar a contaminação;
  • Certifique-se de que a água consumida é potável.

Como deve ser a dieta de quem tem H. pylori?

Não existe uma dieta específica para o infectado por esse microrganismo. Há algumas recomendações para as pessoas que apresentam lesões causadas por essa bactéria, ou seja, com gastrites ou úlceras.

Nesses casos, deve-se evitar alimentos condimentados, pimenta, molho de tomate, frituras e itens gordurosos. O uso de café deve ser moderado.

Durante o tratamento da erradicação da bactéria pode-se utilizar probióticos para evitar as sensações de gases e diarreias, sintomas presentes comumente pelo uso de antibióticos. Prefira sempre uma alimentação balanceada com legumes, verduras, carnes magras, cereais e alimentos in natura.

Por que a H. pylori aumenta o risco de câncer de estômago?

A contaminação pela bactéria H. pylori também aumenta o risco de câncer de estômago. Quando ela se instala dentro do órgão pode causar gastrite e úlceras. E, em alguns casos, provoca um processo inflamatório crônico, que aumenta o risco de aparecimento deste tipo de tumor.

No entanto, diversos fatores ambientais, o tabagismo e a dieta inadequada também são fatores de risco para o câncer de estômago.

Quando consultar um médico?

Marque uma consulta com um gastroenterologista assim que notar quaisquer sinais e sintomas que possam indicar gastrite ou úlcera.

Sendo assim, procure um especialista quando sentir dor de estômago, vômitos, alterações nas fezes, perda de apetite e queimação ou náuseas após se alimentar.

Fontes

Henrique Perobelli, gastroenterologista e proctologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo; Auzelívia Rêgo, gastroenterologista e hepatologista do HUOL-UFRN (Hospital Universitário Onofre Lopes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte), que faz parte da rede Ebserh; e Vanessa Prado, cirurgiã do aparelho digestivo e médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho (SP).

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