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Lucas Veiga

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que é importante nomear os afetos?

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Lucas Veiga

Lucas Veiga é psicólogo e mestre em psicologia clínica pela Universidade Federal Fluminense.

Colunista do UOL

09/11/2021 04h00

Cada vez mais as discussões em torno da saúde mental têm crescido nas mídias e nas redes. Pensar em estratégias de cuidado para com as nossas emoções neste momento complexo que vivenciamos é fundamental para conseguirmos nos manter de pé diante de um cenário hostil e de uma série de notícias indesejáveis.

Estamos todos, em alguma medida, mais angustiados, e para lidar com o que sentimos diante daquilo que nos acontece e diante do que tem acontecido ao nosso redor, é importante conseguirmos dar nomes aos nossos afetos.

Identificar como estamos nos sentindo é uma habilidade necessária quando falamos em autocuidado e saúde mental. Como estou me sentindo agora? Como me sinto diante dessa situação? Perguntas que podemos nos fazer com mais frequência no intuito de, com nossas próprias palavras, darmos um contorno para nossas emoções, elaborarmos os efeitos que as vivências produzem sobre nosso corpo e nossa subjetividade.

Traduzir as nossas emoções em palavras é importante inclusive para que a gente possa buscar as ferramentas de cuidado necessárias para lidar com elas. Quando, por exemplo, atentos ao nosso corpo e às nossas emoções percebemos que estamos ansiosos, a própria nomeação "estou ansioso" nos ajuda a pensar em como vamos cuidar daquela ansiedade. Por que estou ansioso? O que está me gerando ansiedade? E como posso cuidar dessa sensação?

Fazer exercícios de respiração, levar para a terapia, conversar com alguém, escrever, meditar, enfim, estando cientes do nosso estado emocional, podemos lançar mão da ferramenta de cuidado que faça sentido para a gente e que nos ajude a lidar com aquele afeto, a passar por ele e a deixá-lo passar.

Convido você a fazer esse exercício de nomeação das suas emoções, de entender como você está se sentindo em determinada situação e porque se sente daquela maneira. A partir desse exercício de elaboração, a gente vai tendo mais recursos para manejar com os nossos afetos e com as situações cotidianas que vivenciamos, além de passarmos a ter mais clareza do que pode nos ajudar a cuidar de como estamos nos sentindo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL