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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que é uma urgência ginecológica? Conheça casos que podem exigir cirurgia

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

25/05/2022 04h00

Para quem sente algum desconforto, seja uma dor, corrimento, sangramento ou qualquer sintoma ginecológico, a sensação de que essa queixa é algo que necessita de avaliação com urgência é sempre muito relativa e, sem dúvidas, se por algum motivo essa queixa for acompanhada de algum grau de ansiedade, várias outras questões poderão emergir em conjunto.

De maneira geral, falar sobre casos de urgência e emergência não é algo fácil, mundo afora existem diversas definições, protocolos e calculadoras de risco para definir o tempo que uma conduta pode levar, mas mesmo entre as melhores calculadoras, algumas situações podem não ser contempladas.

Além disso, mesmo nos casos em que as condutas já foram definidas, não é raro que dúvidas do tipo: 'é melhor intervir agora ou aguardar o período do antibiótico ou jejum?', surjam entre os profissionais.

Uma das formas de controle e avaliação de risco é através do chamado de Sistema Manchester de Classificação. Um modelo em que logo na admissão o enfermeiro colhe dados clínicos e verifica os sinais vitais com o objetivo de direcionar o atendimento clínico de maneira oportuna e resolutiva, visando priorizar os atendimentos de maior urgência de acordo com critérios preestabelecidos e deixando de levar em consideração apenas a ordem de chegada.

Assim, utilizando esses critérios, o sistema classifica a gravidade das queixas e dos sintomas dos pacientes através de protocolos pré-definidos para 52 condições clínicas.

Na ginecologia, poucas situações necessitam de abordagem cirúrgicas de urgência, mas em diversos casos a abordagem com tratamento clínico vai precisar de uma abordagem de urgência.

Entre as situações que podem necessitar de cirurgias no atendimento ginecológico, temos:

Cistos ovarianos torcidos: geralmente são cistos grandes, com risco maior para os que possuem entre 8 e 12 cm, diferentes dos cistos vistos de rotina no ultrassom ou de ovários micropolicísticos. Neste caso, quando acontece a torção, parte da vascularização é comprometida e realizar a intervenção o mais rápido possível é fundamental para manter o ovário.

A torção pode levar a dor forte que inicia subitamente em um lado da pelve, e que pode ser acompanhada de náusea e vômitos e melhorar ou piorar com determinadas posições. Na suspeita de torção ovariana, a recomendação é a cirurgia para confirmar o diagnóstico e distorção do ovário e tuba torcidos.

Laceração após relação sexual: após penetração vaginal, algumas posições, movimentos mais vigorosos e ausência de lubrificação podem favorecer a lesão de áreas da vagina causando o que chamamos de laceração, nos casos mais complexos essas lacerações podem ser grandes, levando a sangramento e dor intensa. Neste caso é necessário buscar atendimento para que essa área seja suturada o mais rápido possível.

Cada caso possui uma particularidade e não há como generalizar, o que pode ser para uma pessoa pode mudar para outra, por detalhes muito sutis, o mais seguro em caso de dúvida é buscar por ajuda especializada sempre que um sintoma chamar a atenção.

O mioma: é uma das condições ginecológicas mais frequentes de mulheres em idade fértil. Para esses casos, o tratamento vai depender de tamanho, localização, sintomas, desejo reprodutivo, podendo ser feito com medicamentos, cirurgia e embolização da artéria uterina, uma técnica que consiste na introdução de microesferas nas artérias do útero, assim o mioma para de ser vascularizado.

Na maioria dos casos, os miomas não necessitarão de tratamento de urgência, mas em algumas situações será necessária a abordagem de urgência, como quando há hemorragia intensa, que pode levar a quadros de anemia. Neste caso, reduzir o sangramento e, se necessário, transfundir sangue são algumas das possibilidades.

Dor pélvica intensa: algumas condições, como endometriose, cisto de ovário que se rompe, infecção urinária e inflamação pélvica, podem levar a quadros de intensa dor com comprometimento das atividades de quem a sente. Neste caso, cada situação terá uma abordagem específica, mas de maneira geral, em todas essas situações o controle inicial da dor será o foco principal.

Referência:

Febronio, Eduardo Miguel et al. Torção ovariana: ensaio iconográfico com enfoque em achados de ressonância magnética e tomografia computadorizada. Radiologia Brasileira [online]. 2012, v. 45, n. 4
Costa, Kamilla Rosales e Metzger, Patrick BastosTratamento endovascular da miomatose uterina: uma revisão sistemática. Jornal Vascular Brasileiro [online]. 2020, v. 19.