PUBLICIDADE

Topo

Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Entenda a diferença entre hidratante vaginal e lubrificante íntimo

iStock
Imagem: iStock
Conteúdo exclusivo para assinantes
Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

19/01/2022 04h00

A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é a definição utilizada para substituir atrofia vulvovaginal e atrofia genital. Entre os sintomas da SGM temos: secura, prurido, ardência, dor e sangramento durante a relação sexual.

A secura vaginal pode ocorrer por baixo nível de estrogênio antes e depois da menopausa, durante a amamentação, após alguns tratamentos como rádio e quimioterapia, estresse, uso de medicações e alterações hormonais.

A queda na quantidade de estrogênio leva a uma atrofia da vagina que consequentemente diminui a produção de secreções naturais. A secura vaginal pode ocasionar a sensação de queimação, coceira, irritação, relações sexuais dolorosas, sangramento após a relação sexual, infecção urinária recorrente, desconforto e dor para urinar, infecções na vagina e vulva.

As opções de tratamento dependem do antecedente clínico, desejo da pessoa e da intensidade dos sintomas. Para tratar é possível utilizar estrogênio tópico (creme e gel vaginal), na forma de reposição hormonal, hidratantes, lubrificantes isolados ou em uso conjunto com estrogênio e o laser vaginal (que é um tema controverso entre os especialistas).

  • Hidratantes vaginais

Os hidratantes vaginais possuem formulações com água, ingredientes para manter a viscosidade, pH e contaminação microbiana sem utilizar hormônios, podendo ser utilizados por pessoas que tem contraindicações ao tratamento hormonal ou que não desejam utilizar hormônios. Eles hidratam o tecido que está seco, são absorvidos e se aderem ao tecido vaginal imitando secreções e dando a sensação úmida. O intervalo de aplicação depende dos sintomas, resposta e recomendação do produto, variando de 2 a 3 dias.

  • Lubrificantes íntimos

São mais conhecidos, produzidos principalmente à base de água em apresentação gel. Alguns contêm corantes, essência e aromatizante, podem ser aplicados na vagina, vulva, pênis e objetos sexuais, antes ou durante a atividade sexual.

O objetivo do produto é reduzir o atrito causado ao tecido aliviando os sintomas de desconforto e dor, mas, diferente dos hidratantes, seu efeito possui uma duração menor, sendo mais indicado para pessoas que estão com maior desconforto relacionado a secura vaginal durante o sexo.

No momento da escolha alguns dados podem ajudar, que o produto possua acido hialurônico, seja livre de parabenos, com pH próximo ao pH vaginal, para reduzir a possibilidade de irritação e efeitos colaterais.

  • Óleo de coco

O óleo de coco virgem possui diversos benefícios à saúde. A extração é feita através da polpa do coco maduro e passa por três processos físicos: trituração, prensagem e tripla filtração. Sem uso de insumos químicos, conservantes, substâncias para clarear ou alterar o produto e sem gorduras trans. No momento o óleo de coco tem sido utilizado como antifúngico, antiviral e antibacteriano.

Na literatura ainda faltam estudos identificando a dose e a melhor forma de utilização, mas o recomendado é utilizar o óleo de coco em preparações ginecológicas feitas nas farmácias de manipulação. Quando utilizado como lubrificante é importante saber que produtos à base de óleo podem levar a rotura do preservativo de látex.

Para quem tem secura vaginal causando alterações além da relação sexual, o hidratante vaginal pode ser uma opção, nos casos de desconforto nas relações sexuais, lubrificantes industriais ou óleo de coco podem ser uma opção, lembrando que se o preservativo de látex for utilizado lubrificantes à base de óleo não devem ser utilizados.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para dralarissacassiano@uol.com.br.

Bibliografia:

Potter N, Panay N. Vaginal lubricants and moisturizers: a review into use, efficacy, and safety. Climacteric. 2021 Feb;24(1):19-24. doi: 10.1080/13697137.2020.1820478. Epub 2020 Sep 29. PMID: 32990054.

Giraldo, Paulo César et al. Hábitos e costumes de mulheres universitárias quanto ao uso de roupas íntimas, adornos genitais, depilação e práticas sexuais. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2013, v. 35, n. 9 [Acessado 16 Janeiro 2022] , pp. 401-406. Disponível em: doi.org/10.1590/S0100-72032013000900004>. Epub 06 Nov 2013. ISSN 1806-9339. https://doi.org/10.1590/S0100-72032013000900004.

Portman DJ, Gass ML; Vulvovaginal Atrophy Terminology Consensus Conference Panel. Genitourinary syndrome of menopause: new terminology for vulvovaginal atrophy from the International Society for the Study of Women's Sexual Health and the North American Menopause Society. Menopause. 2014;21(10):1063-8. doi: 10.1097/GME.0000000000000329