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Larissa Cassiano

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como escolher uma maternidade?

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do VivaBem

24/11/2021 04h00

Essa é uma dúvida que sempre está presente no pré-natal e, embora não possua dados na literatura, a prática acaba levando a alguns pensamentos que resolvi compartilhar. Essa escolha não tem ponto certo, mas quanto antes conseguir pensar sobre ela, mais tranquilidade e possibilidade de troca você terá.

Em alguns casos, limitações podem ocorrer. Por exemplo: para quem está no SUS e possui maternidade de referência que não pode ser alterada, ou quem está pelo convênio e só possui uma opção. Diante deste cenário, em que as opções não são negociáveis, a minha dica é que vá até o hospital, se for possível, conheça a dinâmica do local, converse com pessoas que estiveram internadas, busque avaliações na internet e saiba filtrar as informações.

Em se tratando de saúde, é frequente encontrarmos mais relatos negativos, experiencias ruins ou ótimas, porque lidamos com um momento de muita expectativa —e algumas quebras nessa expectativa podem levar a uma mudança completa da experiência, assim como um mimo recebido pode fazer a pessoa esquecer todos os detalhes. Então olhe de forma ampla, pergunte o porquê de tal consideração e se algo específico chamou mais a atenção.

Já no cenário em que as restrições na escolha são pequenas ou de pouco impacto, vamos a algumas dicas:

  • Localização: ter uma maternidade próxima ou de acesso fácil é bom tanto para quem interna quanto para os familiares e amigos que poderão visitar. Independente da via de parto escolhida, emergências podem acontecer e o deslocamento rápido poderá ser necessário. Por isso, saber o caminho, deixar salva a localização, ter noção de como chegar caso precise de um aplicativo ou carona é algo para deixar organizado.
  • Acomodação: saber como é a estrutura, a distribuição dos quartos e número de pacientes em acomodações de enfermaria.
  • Acompanhante: a presença do acompanhante é lei, mas infelizmente, por diversas questões, em alguns locais isso não se respeita ou é feito parcialmente, por exemplo, o acompanhante pode permanecer no parto, mas não pode ficar na recuperação pós-parto ou no quarto.
  • Cuidados com o recém-nascido: saber se o hospital preza para presença do recém-nascido com a mãe na primeira hora e nas seguintes, sem necessidade de berçário caso tudo esteja bem. Nos casos de intercorrência, se existe UTI neonatal; caso não exista, saber qual a dinâmica se uma remoção for necessária.
  • Valor: para quem irá pagar, é importante checar o valor e o que está incluso no pacote, geralmente, dois a três dias de internação, assistência ao parto, recém-nascido com mãe em alojamento conjunto e exames para a admissão (cardiotocografia, teste de HIV e Sífilis) são parte principal do pacote. Medicações extras e internação na UTI neonatal ou adulto não estão inclusas e não são necessárias geralmente, mas conhecer esse valor para o caso de uma eventualidade é importante.
  • Visita antes do parto: a maioria das maternidades permite visita ao local, não perca essa oportunidade, essa é uma forma de se familiarizar com o local.
  • Equipe: verifique com a equipe que irá acompanhar o parto se eles possuem disponibilidade para o hospital que você deseja ou se podem fazer algum ajuste para isso ser possível.
  • Plano B: tenha uma segunda opção no caso de alguma eventualidade, considerando os pontos anteriores.
  • Gestantes de alto risco: checar tanto a presença de UTI adulto quanto neonatal são formas de aumentar a segurança, bem como o suporte de outros especialistas e se o hospital dispõe de suporte das especialidades clínicas e cirúrgicas.

Para quem deseja o parto vaginal, prestar atenção nos percentuais de realização de parto vaginal e cesárea da instituição pode ajudar na definição do hospital. Verificar quais profissionais estão envolvidos no parto, se o hospital possui enfermeira obstétrica, se permite a entrada de doula, anestesista que realize analgesia de parto e a presença de itens como bola, banqueta, banheira também ajuda a entender se há estrutura para isso acontecer.

Por fim, vale ressaltar que o plano de parto (um documento elaborado pela gestante que informa como ela deseja que seu parto seja assistido pela equipe) é uma das maneiras de ter a sua vontade ouvida, independente do hospital ou da via de parto ele pode ser feito e entregue para que a equipe te acompanhe da forma mais respeitosa possível.

Nem sempre alinhar todos os desejos com estrutura da maternidade escolhida é possível, por inúmeros motivos, mas acredite que muito do parto está relacionado com a equipe e informação. Busque conhecimento e compreenda o que você deseja para esse momento tão especial.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para: dralarissacassiano@uol.com.br.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL