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Larissa Cassiano

Mioma: entenda o que é, sintomas e quais os tipos de tratamento

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Larissa Cassiano

Larissa Cassiano é médica ginecologista e obstetra, especializada em gestação de alto risco pela USP (Universidade de São Paulo). Fez residência médica na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (SP), uma das maiores do Brasil, referência em parto humanizado no SUS e em gestação de alto risco.

Colunista do UOL

06/10/2020 04h00

- É só um mioma pequeno de 1 cm e vamos acompanhar.

- Estou com um sangramento por causa do mioma.

- Vamos usar anticoncepcional para tratar.

Um tempo depois...

- Ele cresceu. É melhor não engravidar, pois seu mioma está grande.

E muitas vezes é assim que a história de muitas pacientes com mioma acontece. Os miomas são tumores benignos frequentes, presentes em até 77% das mulheres, algumas dessas mulheres nem chegam a ter o diagnóstico, pois se tratam de miomas pequenos a ponto de não aparecerem nos exames de rotina.

Se você tem mioma e quer saber um pouco mais sobre como ele é e como se comporta, aqui vai uma listinha explicando cada tipo e suas características.

Mioma suberoso: se localiza na parte externa do útero, geralmente são os que trazem menos desconforto e não possuem indicação de tratamento na maioria das vezes.

Mioma intramural: localizando na parte muscular do útero, podem causar sangramento por alterarem a parte interna do útero.

Mioma submucoso: o vilão, geralmente é o que mais causa desconforto, principalmente sangramento e dificuldade para engravidar, está localizado bem perto do endométrio, a camada do útero que descama para que a menstruação ocorra.

Quais desconfortos o mioma pode causar?

  • Sangramento vaginal;
  • Aumento do abdome;
  • Dificuldade para engravidar;
  • Dor abdominal;
  • Retenção urinária.

Quando devemos tratar e como podemos tratar?

Os consensos mais novos consideram que miomas maiores de 5 cm devem ser retirados, além disso, miomas que dificultem a gestação, causem sangramento intenso com anemia devem, sempre que possível, ser avaliados e operados, checando as condições e o histórico de cada paciente.

Falando em medicamentos, é possível utilizar anti-inflamatórios; anticoncepcionais orais; implante hormonal; análogo do GnRH, uma medicação com uso restrito que cria um bloqueio hormonal; cirurgias de retirada do mioma, a miomectomia; retirada do útero, a histerectomia, e uma das técnicas mais novas, a embolização das artérias uterinas, um bloqueio da vascularização próxima ao mioma.

É importante dizer que, em alguns casos, o acompanhamento é complexo e algumas dificuldades podem acontecer sem que isso signifique que houve erro ou falta de conhecimento médico. Em alguns casos, um mioma pequeno, sem indicação de cirurgia, passa para um mioma grande que pode comprometer a fertilidade feminina sem dar qualquer sinal.

E por que médicos optam em não operar miomas pequenos?

Uma das cirurgias para retirada de miomas, conhecida como miomectomia, é um procedimento cirúrgico de grande porte, com risco de sangramento e, em casos mais graves, não é possível preservar o útero mesmo nas mãos mais habilidosas. Além disso, a cirurgia não garante que outros miomas não poderão surgir trazendo novamente a necessidade de outra cirurgia.

Então, quando falamos sobre miomas, o primeiro ponto é a informação. O risco de malignidade é muito pequeno, a maioria das mulheres não terá problemas ou dificuldades para engravidar, porém o tamanho e o padrão de crescimento do mioma não seguem uma regra e pode ser necessário retirá-lo em algum momento.

Além disso, quem desejar e tiver indicações de tratamento, esse deve ser sempre ofertado. A autonomia da mulher é sempre o melhor caminho para o tratamento.

Gostou deste texto? Dúvidas, comentários, críticas e sugestões podem ser enviadas para contato@larissacassiano.com.br.