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Dante Senra


Osteoporose pode ser prevenida: entenda melhor a doença e como evitá-la

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Dante Senra

Doutor em Emergências Clinicas pela FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) e médico especialista em cardiologia, clínica médica e terapia intensiva. Também é autor do livro Terapia Intensiva Fundamentos e Prática, ganhador do Prêmio Jabuti.

Colunista do UOL

13/07/2019 04h00

Óbvio que com o envelhecimento ocorrem perdas de funcionalidades, mas precisamos de atenção e cuidados para mantermos a saúde o melhor possível. Um destes cuidados é com nossos ossos, afinal a osteoporose faz parte do grupo das doenças silenciosas.

Esta doença se caracteriza pela diminuição da massa óssea, tornando nossos ossos porosos, frágeis e quebradiços. Não há sintomas manifestos até que ocorra a fratura. Quando ela acontece, vem para complicar ou comprometer a qualidade de vida, sobretudo quando isso ocorre na coluna vertebral, bacia ou fêmur --os locais mais frequentes. Muitas vezes essas fraturas são responsáveis por dores crônicas que acompanham muitos idosos.

No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a cada ano ocorrem cerca de 2,4 milhões de fraturas decorrentes da osteoporose sendo que 200 mil pessoas morrem todos os anos no país em decorrência delas e de suas complicações. Acredita-se que 10 milhões de brasileiros sofrem de osteoporose. Em todo o mundo, aproximadamente 1,7 milhão de fraturas no quadril são atribuídas à osteoporose a cada ano. Estima-se que mulheres acima de 45 anos permaneçam mais dias de suas vidas hospitalizadas em decorrência da osteoporose do que devido a inúmeras outras doenças, incluindo diabetes, problemas cardíacos e câncer de mama.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu recentemente a osteoporose como uma doença inaceitável, negligenciada, pouco diagnosticada e que afeta aproximadamente 200 milhões de pessoas (maioria de mulheres) no mundo.

Quem tem mais risco de ter osteoporose?

Ainda de acordo com a Organização, uma a cada quatro mulheres com mais de 50 anos desenvolverá a doença. Isto em decorrência da queda do estrogênio que ocorre na menopausa, porque este hormônio controla o ganho e a perda da massa óssea. Sendo assim, se você está ou já passou pela menopausa, peça ao seu ginecologista ou clinico geral que lhe solicite um exame capaz de medir a densidade óssea, chamado densitometria óssea. Alias, esse é o único modo de se realizar o diagnóstico.

Os homens também são afetados, mas em uma frequência menor. Estima-se que 10% deles apresentem osteoporose acima dos 60 anos de idade. A falta de estrogênio nas mulheres e da testosterona nos homens aumentam a reabsorção desses ossos, deixando-os enfraquecidos. Portanto se você, homem, tem essa idade deve conhecer seus níveis desse hormônio e também realizar o mesmo exame.

Não é preciso que ocorra muita perda óssea para se estar em risco. Diversos estudos mostram que uma perda de 10% da massa óssea na coluna pode dobrar o risco de fraturas nessa região, e uma perda de 10% no quadril aumenta em 2,5 vezes o risco de fraturas neste local.

Além das mulheres em período pós-menopausa, e dos homens com níveis baixos de testosterona, entram no grupo de risco para terem osteoporose indivíduos que utilizam cortisona por longo tempo. Também os que utilizam cronicamente medicamentos protetores do estômago (para acidez), antiinflamatórios, indivíduos sedentários e tabagistas. Ainda quem faz uso excessivo de álcool e café, descendentes de asiáticos, indivíduos da raça branca, quem tem dieta com escassez de cálcio, além de pessoas que tem histórico na família tem risco aumentado da doença.

Como prevenir?

Um estudo publicado na Revista Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabolismo em 2010 mostrou uma prevalência de osteopenia (estagio pré-osteoporose) de 22% nas mulheres pré-menopausa. Nesta fase acredita-se que se deve iniciar o tratamento. Entretanto, a prevenção, ainda antes desse estágio, com a informação, é sem dúvida a melhor estratégia para esta doença (há quem afirme que deve começar pelo pediatra, para se formar uma reserva óssea).

Seu risco pode ser reduzido com as seguintes medidas ao longo da vida:

  • Alimentação rica em cálcio;
  • Manutenção de uma atividade física (o exercício, sobretudo o de impacto, faz pressão sobre uma célula chamada osteócito, que vai ativar a remodelação óssea);
  • Aporte adequado de Vitamina D, pois essa vitamina é um hormônio que pode ser ativado com a exposição solar e é essencial para o tratamento da osteoporose, pois promove a absorção de cálcio da dieta, nutriente necessário para o crescimento normal dos ossos.

Entretanto no Brasil, apesar de existir abundancia de sol, parece não haver preocupação com essa importante vitamina. Um estudo realizado em 2009 (e publicado em 2012) revelou que 60% dos adolescentes saudáveis apresentavam insuficiência de vitamina D. Neste estudo observou-se que, no Brasil, poucos alimentos são fortificados com vitamina D.

Em outra publicação no Journal of Internal Medicine (uma respeitada revista médica) em 2006, observou-se que de 151 mulheres pós-menopáusicas brasileiras com osteoporose examinadas, 42% apresentavam níveis de baixos de vitamina D.

A exposição ao sol (15 a 20 minutos por dia), como disse, ativa sua produção. Lembrar que o organismo não acumula os efeitos dos raios solares, ou seja, são necessárias exposições regulares.

O cuidado com nossos ossos é o cuidado mais negligenciado durante nossa vida e como vimos, fundamental para se obter uma longevidade saudável. Quem dera nossos ossos se tornem "ossos duros de roer", como têm sido a maioria de nossa existência.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL