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Na Letônia, turista paga para dormir em prisão e ser maltratado por guardas

Viajantes são tratados como prisioneiros em atração turística da Letônia - Divulgação/Karosta Prison
Viajantes são tratados como prisioneiros em atração turística da Letônia Imagem: Divulgação/Karosta Prison

Marcel Vincenti

Colaboração para o UOL

17/06/2018 04h00

Você pagaria para, durante suas férias, dormir em uma cela de prisão e ser maltratado por homens disfarçados de guardas? Trata-se, certamente, de um cenário de pesadelo, mas que é encarado como diversão por turistas de diversas partes do mundo. 

Na cidade de Liepaja, no oeste da ex-república soviética da Letônia, localizada bem ao lado da Rússia, existe um antigo cárcere que, hoje, opera como uma espécie de hotel onde os hóspedes são tratados como prisioneiros. 

Na prisão de Karosta, turistas vivem clima de opressão da era soviética - Divulgação/Karosta Prison
Na prisão de Karosta, turistas vivem clima de opressão da era soviética
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

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O nome do local é Karosta Prison e oferece um passeio que se chama "Extreme Night" (Noite Extrema), definido, pelo próprio estabelecimento, como uma experiência "sombria". 

Os turistas chegam ao local por volta das 21h, e não demora para que sejam enquadrados pelos atores vestidos como guardas do lugar: todos têm que se posicionar em filas e receber ordens (muitas vezes no indecifrável idioma letão e aos gritos) dos homens vestidos em uniformes policiais e militares.

Ao ingressar nos corredores das celas, o público também deve manter a disciplina, ficando com as costas coladas às paredes e segurando seus lençóis e cobertores. Aqui, há mais ordens autoritárias: os "carcereiros" chegam inclusive a ensinar os presentes, de maneira um tanto ríspida, a como fazer suas camas. 

A prisão de Karosta foi usada como centro de detenção por nazistas e soviéticos - Divulgação/Karosta Prison
A prisão de Karosta foi usada como centro de detenção por nazistas e soviéticos
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

E aqueles que desobedecem as determinações (ou não as executam corretamente) são punidos. Os castigos vão desde sessões de flexões de braço até a obrigação, nada agradável, de limpar partes sujas do interior da prisão. 

E há ainda outros procedimentos inspirados no mundo real dos prisioneiros, como as famosas "mugshots" (aquelas fotos de rosto tiradas de detentos segurando placas com números) e sessões de interrogatório (geralmente feitas em inglês).

Na hora de dormir, os turistas são colocados nas opressivas celas do lugar e, às vezes, só para aumentar um pouco a tensão, alguns dos "guardas" passam chutando as portas de metal dos cubículos. 

Turista é conduzido por corredor sombrio da prisão de Karosta, na Letônia - Divulgação/Karosta Prison
Turista é conduzido por corredor sombrio da prisão de Karosta, na Letônia
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

Antes deste passeio, todos os viajantes devem assinar um documento que diz que "os visitantes são detentos" e que, dentro da prisão, "a ordem e a disciplina devem ser mantidas". O termo também afirma que todos estão sujeitos a receber "abuso verbal". 

Passado sombrio

Apesar de tensa, toda a experiência, logicamente, não passa de uma brincadeira. Mas há diversos elementos reais neste passeio turístico na Letônia.

Cela da prisão de Karosta onde turistas passam a noite - Divulgação/Karosta Prison
Cela da prisão de Karosta onde turistas passam a noite
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

Primeiro porque Karosta foi realmente uma temida prisão durante o século 20, construída pelos czares russos, utilizada como centro de detenção e execução pelos nazistas quando estes dominaram os territórios bálticos (onde fica a Letônia) durante a Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, usada como cárcere pelas forças de segurança da União Soviética. 

E, segunda relata a administração atual da Karosta Prison, ninguém jamais escapou daqui. 

Pelos seus corredores e salas (muitos ainda preservando seu aspecto original), aparecem retratos de Vladimir Lênin por todos os lados. E um dos objetivos desta atração turística é fazer o viajante sentir (pelo menos um pouco) como era ser um detento em épocas soviéticas. 

É também possível explorar Karosta durante o dia (sem a necessidade de dormir por lá). De acordo com Monta Krafte, porta-voz desta atração turística, o local recebe a visita de mais de 20 mil pessoas por ano (com cerca de 400 delas se arriscando a passar uma noite nas celas). 

E há mais um elemento para aumentar a adrenalina do local: reza a lenda que Karosta Prison é um local mal-assombrado, onde portas se abrem sozinhas e passos são ouvidos em corredores vazios. 

Na prisão de Karosta, turistas recebem ordens de guardas autoritários  - Divulgação/Karosta Prison
Na prisão de Karosta, turistas recebem ordens de guardas autoritários
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

A experiência da "Noite Extrema", que dura entre as 21h e as 9h do dia seguinte, custa, atualmente, 17 euros por pessoa.

Karosta Prison fica a aproximadamente 230 km da capital da Letônia, Riga. 

Mais informações: karostascietums.lv/en/

Imagens de Lênin aparecem por toda a prisão de Karosta, na Letônia - Divulgação/Karosta Prison
Imagens de Lênin aparecem por toda a prisão de Karosta, na Letônia
Imagem: Divulgação/Karosta Prison

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