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Prisão de jornalistas mulheres teve aumento de 35% em 2020, afirma ONG

Neste final de ano, 42 mulheres jornalistas estão privadas de liberdade, contra 31 profissionais em dezembro de 2019 - Bill Oxford/Getty Images
Neste final de ano, 42 mulheres jornalistas estão privadas de liberdade, contra 31 profissionais em dezembro de 2019 Imagem: Bill Oxford/Getty Images

14/12/2020 11h52

O número de jornalistas detidos de forma arbitrária permaneceu "historicamente elevado" em 2020, segundo o relatório anual da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado hoje. O documento destaca um aumento de 35% no número de mulheres presas que trabalham em mídias de informação.

O número de jornalistas detidos no mundo alcança 387 no fim de 2020, dado que praticamente não mudou em 12 meses, apesar do aumento das prisões arbitrárias relacionadas com a crise de saúde, afirma o balanço anual da RSF. Neste final de ano, 42 mulheres jornalistas estão privadas de liberdade, contra 31 profissionais em dezembro de 2019 - um aumento de 35%.

Cinco países concentram mais da metade das prisões (61%), destaca a ONG em seu relatório. A China continua no primeiro lugar da lista, com 117 jornalistas (profissionais ou não) detidos, à frente de Egito (30), Arábia Saudita (34), Vietnã (28) e Síria (27).

"O número de jornalistas detidos em todo mundo permanece em um nível historicamente alto", afirma a RSF. E as mulheres, "cada vez mais numerosas na profissão, não estão livres", denunciou o secretário-geral da entidade, Christophe Deloire, em um comunicado.

Dezessete mulheres que trabalham com mídias de informação foram presas durante o ano, quatro delas em Belarus, centro de uma repressão sem precedentes desde a reeleição, considerada fraudulenta, de Alexander Lukashenko. Ele governa a ex-república soviética desde 1994.

Cobertura da crise sanitária

O balanço da RSF destaca ainda o aumento das detenções vinculadas com a crise de saúde, com 14 jornalistas presos por sua cobertura da pandemia, sete deles na China. A ONG, que criou em março o Observatório 19, dedicado exclusivamente à questão, registrou "mais de 300 incidentes diretamente relacionados à cobertura jornalística da crise de saúde" entre fevereiro e o fim de novembro, que envolveram quase 450 repórteres.

"As detenções arbitrárias, que representam 35% dos abusos registrados [à frente da violência física, ou psíquica], quadruplicam entre março e maio", indica o documento. "As leis de emergência, ou as medidas de emergência na maioria dos países para conter a pandemia contribuíram para confinar a informação", explica a RSF.

Os jornalistas detidos pela cobertura da pandemia são liberados, de modo geral, em algumas horas, dias ou semanas. No entanto, 14 deles "permanecem presos" na Ásia (7 na China, 2 em Bangladesh, 1 em Mianmar), no Oriente Médio (2 no Irã, 1 na Jordânia) e na África (1 em Ruanda).

A China, que "censurou amplamente as críticas de sua gestão da crise" nas redes sociais, tem entre os detidos pela Covid-19 a advogada e jornalista não profissional Zhang Zhan. Ela foi presa após realizar uma transmissão ao vivo no Twitter e no YouTube em fevereiro sobre a epidemia em Wuhan, berço da pandemia.

Em Bangladesh, o escritor e blogueiro Mushtaq Ahmed permanece em prisão preventiva, acusado de "divulgar boatos e desinformação no Facebook", após um artigo em que "denunciava a falta de material de proteção para os profissionais da saúde".

Além disso, "pelo menos 54 jornalistas estão presos atualmente como reféns" na Síria, Iêmen e Iraque, 5% a menos que há 12 meses.

A ONG informou ainda que quatro jornalistas foram declarados desaparecidos em 2020, enquanto em 2019 não foi registrado nenhum novo caso de desaparecimento.

(Com informações da AFP)