Moda na passarela: saiba decifrar os looks para não tropeçar
Por Fernanda Ezabella
SÃO PAULO (Reuters) - A modelo magérrima bota o pé na passarela, as luzes da sala de desfile se acendem com estardalhaço e logo surge a pergunta. Mas é um vestido? Um casaco? Ou é um mantô? Provavelmente, nenhum dos três. Talvez, apenas uma "peça-conceito".
Desfiles de moda profissionais, tais como os que acontecem no São Paulo Fashion Week, podem confundir os mais inexperientes e até causar repulsa nos mais descrentes.
A verdade, no entanto, é que é preciso saber decifrar um desfile de moda.
"As pessoas dizem que roupa de passarela ninguém usa. E às vezes não é para usar mesmo. É para chamar a atenção", explica a veterana editora de moda Iesa Rodrigues. "Muitas pessoas ficam inseguras, mas é preciso ter autoconfiança e bom senso."
Segundo a especialista, cerca de 30 por cento das peças exibidas em um desfile foram feitas apenas para aquela ocasião. São roupas que extrapolam o desejo do estilista para aquela coleção.
Ela cita como exemplo os casacos de nylon acolchoados, que têm aparecido bastante nesta temporada outono-inverno, embora muitas vezes eles possam parecer tudo, menos um casaco.
"Eles são bem interessantes, mas desde que não se exagere no volume, porque na passarela eles são enormes para chamar a atenção", diz.
Outras vezes, as roupas aparecem exageradamente sobrepostas. "Você tem que aprender a decupar e dizer, 'nossa, eu gostei daquela camisetinha, aquela que só aparece a gola"', afirma.
Para a consultora de moda Costanza Pascolato, o desfile de moda profissional "se aproxima muito de um show".
"É o auge de todo o processo da moda. É uma grande publicidade grátis que todo mundo está contando", afirma Pascolato. "Então, não pode ser igual a uma roupa que você usa todo dia, certo?"
PROCESSO CRIATIVO
Até chegar à loja mais próxima de sua casa, aquelas roupas fotografas na passarela podem passar por uma grande transformação -- o que significa ficar mais palatável ao gosto e bolso do consumidor.
O estilista Dudu Bertholini, da grife Neon, explica que atualmente quase metade da coleção exibida na passarela é conceitual. "A maioria a gente tenta fazer algumas adaptações comerciais", conta.
Como exemplo ele cita um casaco estilo casulo de matelassê. "É uma peça única, supercara, que levou dias e dias para fazer", disse. "Talvez a gente faça um desdobramento comercial em moletom, sem o matelassê, para ficar acessível."
Mas, peças conceituais podem dar dor-de-cabeça para o próprio estilista, como lembra Erika Ikezili, que disponibiliza até as roupas mais complexas em seu show-room.
"E é engraçado que elas vendem, para a nossa tristeza", diz, rindo. "Muitas vezes a gente nem quer, porque algumas são muito trabalhadas e dão um trabalhão para produzir em série."
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