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Aluna relata transfobia em escola por repreensão ao usar banheiro feminino

Garota trans foi repreendida por usar banheiro feminino e protestou em rede social - Reprodução/Instagram
Garota trans foi repreendida por usar banheiro feminino e protestou em rede social Imagem: Reprodução/Instagram

Tatiana Campbell

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

10/02/2022 13h39Atualizada em 10/02/2022 15h40

Uma aluna do Ensino Médio da Escola Estadual Liceu Nilo Peçanha, em Niterói (RJ), denunciou nas redes sociais que sofreu transfobia por parte de uma das inspetoras e pela diretora da unidade. O caso, segundo ela, ocorreu ontem pela manhã.

Na postagem, a estudante diz que havia entrado no banheiro feminino e ao sair foi abordada por uma funcionária da escola: "Uma das inspetoras da escola me abordou e me perguntou se eu estava usando o banheiro feminino. Eu a respondi que sim e ela disse: 'Não! Você não pode usar o banheiro feminino, porque é o banheiro das meninas e lá na sua matrícula diz que seu nome é outro [referindo-se ao meu nome de registro que ocorre de ser masculino]".

Ainda na publicação, a aluna conta que logo após o ocorrido encontrou com uma amiga no corredor, que também é trans, e contou o que havia acontecido.

Logo ela me levou a diretoria para relatar a transfobia. Chegando lá fui orientada pela diretora a usar o banheiro masculino para pessoas com algum tipo de deficiência nas pernas até que o caso fosse levado a Secretaria.

Uma amiga da adolescente, que também estuda na escola e pediu para não ser identificada, conversou com Universa e disse que toda a escola ficou comovida com o ocorrido.

Ela ficou muito sentida com o que aconteceu. Não abaixou a cabeça, foi atrás pelo direito dela, mas claro que machuca. Tem outras pessoas trans na escola, todos ficam sentidos. Estamos em 2022 e isso continua acontecendo. É o cúmulo. Isso não pode ficar assim. Vamos apoiar e ficar do lado dela. Se ela quiser, vai usar o banheiro feminino sim.

escola - Reprodução/Facebook - Reprodução/Facebook
A Escola Estadual Liceu Nilo Peçanha, em Niterói (RJ)
Imagem: Reprodução/Facebook

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro informou que "apoia totalmente a defesa dos direitos e o tratamento respeitoso e inclusivo com todas as minorias que fazem parte da comunidade escolar". A pasta destacou que o que aconteceu foi um "equívoco de uma funcionária do Liceu Nilo Peçanha que abordou erroneamente uma aluna trans".

"Por uma reivindicação realizada pelos próprios alunos há dois anos, um banheiro especial foi criado para atender ao público LGBTQIA+ na escola. No entanto, não há regra para o uso exclusivo deste banheiro. A direção da unidade vai registrar o caso em ata e orientar a funcionária a agir de maneira adequada", finalizou a Seeduc.

Universa questionou a Secretaria, já que a aluna alegou ter escutado da diretora que ela deve usar o "banheiro masculino para pessoas com algum tipo de deficiência". Ainda em nota, a Seeduc afirmou que "a direção negou o uso dessa expressão com qualquer aluno".