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Shantal sobre violência obstétrica: 'Vídeo do meu parto é show de horror'

Shantal Verdelho em entrevista à GloboNews - Reprodução/Globonews
Shantal Verdelho em entrevista à GloboNews Imagem: Reprodução/Globonews

De Universa

14/01/2022 11h34

"Quando assisti, fiquei em choque", a influenciadora Shantal Verdelho ao ver o vídeo de seu parto e se dar conta de que havia sofrido violência obstétrica. "É um show de horror. No meu caso, não foi uma coisa só, teve uma reunião de vários pontos de violência obstétrica", contou ela a GloboNews na manhã desta sexta-feira (14).

O médico do parto, Renato Kalil, já denunciado por ela, afirmou à emissora que não cometeu violência obstétrica, que os vídeos mostrados nas redes são pequenos trechos do que ocorreu e que está à disposição das autoridades para esclarecer o caso.

Na entrevista, a influenciadora contou que, "como estava naquela posição ginecológica, não consegui enxergar algumas coisas, como a tentativa de abrir minha vagina, como tirar a bebê antes de uma contração para que ela saísse naturalmente".

"Algumas coisas tinham me incomodado naquela hora, como a manobra de Kristeller, estava focando só em me proteger daquela pressão e daquela dor, mas a hora que a gente olhou o vídeo e falou 'Meu deus'. Doeu quando a gente assistiu."

Shantal ainda conta que, depois que um áudio compartilhado em um grupo de conhecidas no Whatsapp, se assustou com a repercussão. "Precisei desse período para absorver, me reestruturar emocionalmente, e agora estou forte para falar. Estou aqui junto com muitas mulheres que passaram por isso", salientou.

Novos detalhes sobre o parto foram relatados durante a entrevista. "Fiquei 12 horas no hospital, foram 48 horas em trabalho de parto. Nas últimas duas horas do parto, em que o médico esteve presente, eu não tive nem forças pra dizer 'não fala isso', porque eu estava realmente muito cansada, esgotada."

Como está o processo?

A denúncia contra o médico foi feita por Shantal em dezembro. "Tive que fazer corpo de delito, é bem chato de fazer, a gente deu entrada com uma queixa criminal, está com a polícia averiguar tudo que a gente tem de prova, testemunhas estão sendo ouvidas, estamos nesse processo", explicou.

"Gostaria muito que acontecessem duas coisas: primeiro, que todos os médicos obstetras fossem obrigados a passar por um curso de reciclagem entendendo o que é violência obstétrica. Vejo que muitos apendem na faculdade a fazer a manobra, a episiotomia, porque era de rotina, e não se reciclam e continuam achando que tem que ser feito como procedimento de rotina", disse.

"Mas, a partir do momento que eles têm essa consciência do que deve ou não ser feita, tem que ter um próximo passo que puna quem fizer, que tenha uma lei que proíba a violência obstétrica. A gente está falando de humanos, a medicina tem que ser mais humanizada e menos robotizada."

"Quando peguei minha filha no colo, estava decepcionada"

A influenciadora afirma que as violências não aconteceram durante o parto todo. "Sendo muito justa, não é que o parto inteiro ele me xinga, existiram nuances dele estar legalzão e lidando com o parto de forma extrovertida. De repente tinha esses acessos de ficar irritado porque estava demorando [para o bebê nascer]", contou.

"Tive alguns momentos de desconforto com a pressa, os gritos, mas eu tava com o foco da minha filha nascer bem, não passar mal, porque assim que ela saiu eu passei mal, e para ter aquele momento especial com o meu marido. Na hora eu consegui me proteger, mas quando pego minha filha no colo, nas fotos dá para ver minha cara de cansada de ter ouvido aquelas palavras, decepcionada pelo parto não ter sido como imaginei."

"Após meu relato, pessoas tentaram me descredibilizar"

Ainda na entrevista a GloboNews, Shantal desabafou sobre a tentativa de descredibilizá-la após seu relato vir a público. "No início eu recebi algumas pessoas me descredibilizando. A gente ainda tem muito essa cultura de descredibilizar a vítima, as pessoas levam para um lado de 'nao vai se meter em confusão', sempre de tentar privar a vítima de levar para o caminho correto, seja uma denúncia, seja tirar satisfação", contou.

"Inclusive de pessoas próximas, [dizendo] 'isso é mimimi'. Isso antes das pessoas verem as imagens do parto, hoje as pessoas estão mais conscientes, porque ninguém merece passar por isso. Se você é mulher tem grandes chances de passar por isso, se você não, foi parido por uma. Pensando na manobra de Kristeller, eu me sinto muito mal de pensar que minha filha pode ter sofrido com isso, sentido dor."

Leilane Neubarth diz ter percebido que também sofreu violência obstétrica com relato de Shantal

Apresentadora do programa que entrevistava Shantal, a jornalista Leilane Neubarth contou que também sofreu violência obstétrica no parto do filho que hoje tem 40 anos.

"Acabei de me dar conta. Eles fizeram uma manobra de Kristeller e sofri episiotomia. A gente nem pensa sobre isso. Por isso é importante que uma pessoa que tem projeção pública fale. Isso ajuda outras mulheres a compreender e avançar neste debate."