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Gabi Brandt lembra casos de violência psicológica em namoro com Gui Araujo

Gabi Brandt e Gui Araújo (Foto: Reprodução/Instagram) - Reprodução / Internet
Gabi Brandt e Gui Araújo (Foto: Reprodução/Instagram) Imagem: Reprodução / Internet

Júlia Flores

De Universa

29/10/2021 18h45

Em participação no podcast "PodCats", a influenciadora digital Gabi Brandt disse ter sofrido ameaças e chantagem emocional enquanto estava com Gui Araujo, agora seu ex. "Ele dizia que ia se matar caso terminássemos o relacionamento. Falou também que acabaria com a minha vida, entre outros absurdos. Ele nunca me bateu, mas já socou um móvel do meu lado, colocou o dedo na minha cara e gritou", contou a influencer de 25 anos às apresentadoras Virginia Fonseca e Camila Loures.

Gui Araujo está participando da 13ª edição de "A Fazenda", reality show da Record, e se encontra confinado, sem contato com o mundo exterior. Ele e Gabi namoraram por cerca de dois anos, de 2016 a 2018. Eles se conheceram no reality show "De Férias Com O Ex". "É complicado falar sobre o assunto. Ele está na 'Fazenda' e, por isso, não pode se defender", disse a influenciadora.

A ameaça de se matar, quando a intenção é responsabilizar a outra pessoa por isso, pode ser classificada como violência psicológica, dizem especialistas. E, dependendo da gravidade da situação, chega a ser crime, podendo levar o abusador à cadeia, com pena de seis meses a dois anos de reclusão.

É o que explica a advogada coordenadora do Me Too Brasil e colunista de Universa Isabela Del Monde: "De acordo com a Lei Maria da Penha, violência psicológica é qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar as ações da parceira".

Gabi Brandt contou, durante o programa, que tinha dificuldade de encarar a relação com Gui Araujo como abusiva.

Ameaçar tirar a própria vida é tão sério que o Formulário Nacional de Avaliação de Risco das mulheres tem como uma de suas perguntas este questionamento: se o agressor já tentou se matar ou disse que o faria por causa da parceira. - Isabela Del Monde, colunista de Universa

Isabela explica que a violência psicológica pode acontecer mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, insulto, chantagem ou violação da intimidade da vítima. Esse tipo de conduta, porém, não é fácil de ser identificado em relacionamentos amorosos, uma vez que várias dessas atitudes são naturalizadas como "românticas".

Insegurança, medo e culpa

A especialista em análise de perfil, neurociência e relacionamentos Stella Azulay aponta que, por meio da chantagem emocional, o parceiro abusador tenta transferir o sentimento de culpa, a insegurança e o medo para a vítima. "A violência psicológica não deixa marcas visíveis; ela confunde, fazendo com que a vítima oscile entre sentir raiva e pena do outro".

Com essa confusão, portanto, o abusador faz com que a relação se estenda, gerando codependência emocional e comportamento tóxicos —o que acaba virando rotina para o casal.

As vítimas de abuso e violência psicológica vão ficando cada vez mais sem sistema de defesa e vulneráveis a estigmas e críticas, desenvolvendo uma visão distorcida de si mesmas. — Stella Azulay, especialista em relacionamentos

Stella diz que, justamente por isso, é importante conversar e abrir o jogo com amigos próximos ou familiares.

Para Isa Del Monde, uma maneira de identificar a violência psicológica é refletindo sobre a relação: "Se a mulher se sente sempre ou quase sempre inadequada, feia, desinteressante, culpada por todas as questões que acontecem na relação, ou com medo de falar algo —porque isso pode ser usado contra ela mesma—, provavelmente ela é vítima de um relacionamento tóxico".

Violência psicológica é crime

A lei que tornou a violência psicológica crime no Brasil foi criada em julho deste ano. Trata-se do artigo 147B do Código Penal. A advogada Isabela Del Monde orienta que as vítimas desse tipo de situação se dirijam à delegacia para realizar boletim de ocorrência contra o agressor.

Em flagrantes de violência doméstica, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190.

O Ligue 180 é o canal criado para mulheres que estão passando por situações de violência. A Central de Atendimento à Mulher funciona em todo o país e também no exterior, 24 horas por dia. A ligação é gratuita. O Ligue 180 recebe denúncias, dá orientação de especialistas e encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. Também é possível acionar esse serviço pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Os crimes de violência doméstica podem ser registrados em qualquer delegacia, caso não haja uma Delegacia da Mulher próxima à vítima. Em casos de risco à vida da mulher ou de seus familiares, uma medida protetiva pode ser solicitada pelo delegado de polícia no momento do registro de ocorrência, ou diretamente à Justiça pela vítima ou sua advogada.

A vítima também pode buscar apoio nos núcleos de Atendimento à Mulher nas Defensorias Públicas, Centros de Referência em Assistência Social, Centros de Referência de Assistência em Saúde ou nas Casas da Mulher Brasileira. A unidade mais próxima da vítima pode ser localizada no site do governo de cada estado.

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