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Conheça os segredos do tutorial de massagem tântrica mais visto do YouTube

Alisha abriu um espaço de massagem tântrica aos 26 anos - Acervo pessoal
Alisha abriu um espaço de massagem tântrica aos 26 anos Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa

21/04/2021 04h00

"Recebo todo tipo de feedback. Algumas mulheres dizem que foi a salvação do casamento, outras confessam que estão treinando os movimentos no desodorante para surpreender o parceiro": é assim que Alisha, terapeuta holística, especialista em tantra e sexualidade, define a repercussão do vídeo "Aula: Massagem Tântrica Masculina Ep 1", que postou no YouTube em novembro de 2018 e que hoje é o tutorial tântrico mais acessado do YouTube no Brasil, com 3 milhões de visualizações.

No vídeo, que só pode ser visto por maiores de idade, Alisha faz uma introdução sobre o tantra e em seguida demonstra, em um pênis de borracha, cinco movimentos que prometem "enlouquecer" os homens. Logo no início, avisa que a massagem deve ser feita com o parceiro de olhos vendados, para que o foco seja apenas nas sensações e não visual. Em seguida, ensina manobras para serem feitas com as duas mãos, devidamente lubrificadas, para estimular a glande e outras partes do pênis.

E funciona mesmo? A maior parte dos 2981 comentários indica que sim. "Foi tudo muito intenso", diz um dos mais curtidos, de uma mulher que relata ter praticado com o marido, que estava apresentando problemas de ereção. Em entrevista a Universa, Alisha explica o porquê do sucesso. "O tantra desperta o poder orgástico que existe em cada um de nós, as sensações de prazer que estão adormecidas, esperando apenas uma oportunidade para se manifestarem. Ali, ensino alguns dos movimentos que praticamos em atendimento, mas existem muitos outros", afirma.

Entenda mais sobre os bastidores do vídeo:

"Fui funkeira e viajei o Brasil me apresentando"

Alisha começou no funk aos 20 anos - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Alisha começou no funk aos 20 anos
Imagem: Acervo pessoal

Antes de trabalhar como terapeuta tântrica, Alisha, de 30 anos, era funkeira. "Passei cinco anos viajando o Brasil, cantando e fazendo shows", conta. Aos 25, recebeu pela primeira vez uma massagem tântrica e se encantou por esse universo. "Comecei a falar desse assunto para amigas e pesquisar sobre como os movimentos eram feitos. Descobri que adorava o estudo da sexualidade humana e decidi fazer cursos para especializar na área. Não demorou, abri meu espaço para realizar os atendimentos", relembra.

Segundo ela, muitos procuram pelos serviços acreditando se tratar de prostituição, o que não é verdade. "Como terapeuta, apresento as ferramentas para homens e mulheres com diferentes tipos de bloqueios ou problemas sexuais. Estudamos e nos preparamos para ajudar no tratamento de disfunções masculinas, tais como ejaculação precoce, e para as queixas femininas, como vaginismo e dificuldade para chegar ao orgasmo", diz.

Atualmente, além de gerenciar seu espaço, ter um curso online sobre tantra e produzir conteúdo para as redes sociais, Alisha também é participante da segunda temporada do reality "Se Sobreviver Case", do Multishow.

Sucesso do vídeo esconde pensamento machista

Além do tutorial para massagem tântrica masculina, dividido em duas partes, Alisha tem também três aulas de passo a passo para massagem feminina. Usando uma vulva de borracha, ela ensina os movimentos que podem ser feitos tanto pelos(as) parceiros(as) quanto pelas próprias mulheres, a fim de explorarem e conhecerem melhor a região íntima. O vídeo com o passo a passo, porém, tem uma visualização bem mais baixa: apenas 880 mil.

"Isso acontece por um problema social: as mulheres se interessam em aprender sobre sexo para agradar e surpreender os parceiros. Já quando é algo voltado para elas mesmas, como aprender a se tocar, o interesse é bem mais baixo, principalmente porque a masturbação feminina é carregada de uma série de tabus", comenta. Além disso, a terapeuta explica que os homens dificilmente consomem conteúdo visando melhorar o desempenho ou proporcionar mais prazer para as mulheres na cama. "Quando se trata de sexo, a maioria deles busca estímulos visuais. Quase nunca buscam se aprofundar no assunto", diz.

Feedbacks: treino no desodorante e gente atrapalhada

Apesar de o passo a passo do vídeo masculino ser bastante detalhado, nem todos acertam na hora de colocar as técnicas em prática. Alisha acumula uma série de mensagens engraçadas, de pessoas contando que se enrolaram na hora H. "Uma das dicas mais importantes é memorizar as manobras, porque é muito difícil 'colar' quando você já começou", comenta. Ainda assim, alguns dão seu jeitinho.

"Já ouvi relatos de pessoas que deixaram o vídeo, sem som, rolando no celular ao lado da cama. Sempre dou risada quando leio isso, porque é quase como se estivesse participando do momento

Além disso, outro senso comum faz sucesso entre os iniciantes: o treino no desodorante. "Muita gente diz que prefere testar sozinho antes, para não se atrapalhar. O frasco de desodorante é um recurso que se popularizou nos comentários e que realmente pode ajudar", afirma.

Por fim, Alisha adianta um dos "efeitos colaterais" mais comuns, que são motivo de queixa entre as mulheres: a de que seus parceiros dormiram na hora da massagem. "Quando isso acontece, muitas ficam desapontadas, achando que foi um fracasso, quando na verdade, é algo comum e que não indica nenhum erro da parte de quem aplicou. O tantra desperta diferentes sensações físicas no corpo e é como se pudéssemos ouvir com maior precisão aquilo de que o organismo precisa. Se o homem estava muito tenso ou cansado, a massagem pode fazer com que ele durma, o que indica que ele alcançou o que mais precisava naquele momento: relaxar", tranquiliza.

Para realmente aproveitar o momento, o conselho da terapeuta é encarar a experiência como um momento de carinho, sem a preocupação de uma performance incrível. "Só o fato de se dispor a proporcionar mais prazer para o outro, sair da rotina e aumentar a conexão entre o casal já é um sinal positivo. A melhora vem com o tempo", brinca.

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