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Lésbicas, demi e bissexuais contam suas melhores experiências na cama

"Nós, mulheres lésbicas, conseguimos entender mais o corpo da parceira", diz a influenciadora digital Thais Ribeiro - Danylo Martins
"Nós, mulheres lésbicas, conseguimos entender mais o corpo da parceira", diz a influenciadora digital Thais Ribeiro Imagem: Danylo Martins

Rafaela Polo

Colaboração para Universa

03/02/2021 04h00

A jornada para a mulher lésbica ou bissexual para ser dona do seu próprio prazer, em alguns casos, não é tão diferente das mulheres hétero. Trajetórias de superação de tabus e julgamentos sociais são necessárias para que encontremos nossos orgasmos.

Mas mulheres como Thaís, Camila, Marina, M.Zink e Ana Ester ainda tiveram que derrubar mais barreiras e preconceitos para abraçar sua sexualidade e se entregar ao prazer. Aqui, elas contam suas histórias.

"Sexo bom é quando a pessoa me deixa confortável com meu corpo"

"Sou homossexual assumida desde os 14 anos. Minha questão com o sexo é muito relacionada à energia. Namorei seis vezes e, quando tenho uma intimidade maior, fico mais segura e livre. Coleciono relações sexuais incríveis em minha trajetória, mas, para mim sexo bom é quando a pessoa me deixa confortável comigo e com meu corpo. Tenho problemas de autoestima e demoro para me soltar.

Quando a parceira demonstra que posso confiar e ficar sem roupa sem que ela fique reparando em minhas imperfeições, celulites e gordurinhas, já sei que vai ser ótimo.

Gosto muito de fazer sexo oral, mas para receber não tem um estímulo único que eu prefira: tanto penetração, oral e carícias no clitóris são bons. Acredito que nós, mulheres lésbicas, conseguimos entender mais o corpo das nossas parceira, mas os estímulos que deixa cada uma mais confortável é único." Thais Ribeiro, 29 anos, influenciadora digital

"Chorei de emoção com meu primeiro orgasmo aos 40 anos"

Ana Ester, 41 anos, Reverenda - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Ana Ester teve seu primeiro orgasmo recentemente com a esposa
Imagem: arquivo pessoal

"Tenho 41 anos e, aos 13, vivi um trauma sexual - fui abusada por um homem. Talvez por isso, eu nunca tenha tido um orgasmo com as pessoas com as quais me relacionei até conhecer a minha esposa. E com ela, gozei pela primeira vez apenas com masturbação.

Meu primeiro orgasmo foi com ela em 2019. Ela tem 70 anos, por isso muitos acham que não temos uma vida sexual ativa, mas estou vivendo o meu melhor momento agora.

Talvez isso seja reflexo da tranquilidade e de saber que minha esposa tem mais experiência, da segurança de não ter que performar de forma espetacular, mas principalmente pelo amor e cumplicidade que criamos em nossa relação.

Ela é norte-americana e fui aos Estados Unidos encontrá-la há 3 anos. Íamos passar 15 dias juntas. Até então, só tínhamos nos beijado em um evento quando nos conhecemos. Foram duas semanas de lua de mel.

Em uma de nossas transas tive meu primeiro orgasmo. Chorei horrores, foi um momento de libertação, de reencontro com a minha sexualidade. Nunca imaginei que isso era possível, nem criava expectativa. Foi uma alegria e um grande alívio. Ela se esforça para me trazer prazer na relação, mas depois disso, destravou." Ana Ester, 41 anos, reverenda


"Quem fala que dedo e língua é pouca coisa, não entende nada"

"Quero começar falando que, pra mim, não há vantagem em ser mulher e transar com outra mulher. Sou bissexual e descobrir o sexo lésbico me abriu várias questões sobre relacionamentos. Quando falamos de pessoas héteros, a relação é muito pautada pelo sexo. Quando estamos em um cenário LGBTQ+, acho que o sexo é só um bônus.

O diferencial do sexo lésbico é que, pra mim, o orgasmo está garantido. Não há a necessidade de penetração e mesmo assim você sai satisfeita.

Camila Rainho - acervo pessoal - acervo pessoal
Camila Rainho é bissexual e está casada com uma mulher ha 5 anos
Imagem: acervo pessoal

Vivi um relacionamento com um homem por 12 anos e demorou 8 para ele achar meu clitóris. Com mulher, nunca tive esse problema. Minha primeira vez com uma mulher foi mais do que uma descoberta, me permitiu conhecer também a troca. Doei e recebi prazer de uma forma intensa, o que me ajudou a encontrar outros caminhos para chegar ao orgasmo. Quando estava em um relacionamento hétero, nunca tinha usado nenhum tipo sex toy, mas quando comecei a me relacionar com a minha esposa tinha vontade de incluir.

Compramos a Doris - sim, 'ela' tem nome - um um dildo cor de rosa. Posso dizer que foi o pior investimento que fizemos. Se usamos umas três vezes foi muito. Não sinto falta da penetração, não faz diferença para mim.

Muita gente acha que dedo e língua é pouca coisa, mas não entendem nada sobre como funciona essa troca entre mulheres. Existem coisas que conseguimos fazer com a mão que os homens não fazem com o pênis - o leque é muito grande. Descobri também posições que me agradam: sinto prazer em ficar de quatro. Mas quando estou oferecendo o prazer, prefiro estar totalmente por cima, para ver as reações do corpo todo. Tive muito mais orgasmos com a minha esposa do que com relações anteriores. Estamos juntas há 5 anos." Camila Rainho, operadora de telemarketing, 34 anos

"Falar sobre sexo foi importante nessa relação"

"Sou demissexual, o que significa que só consigo me envolver sexualmente com alguém que tenho ou quero ter um envolvimento emocional. Isso deixa as minhas experiências sexuais ainda melhores, pois crio vínculos, o que facilita a comunicação na hora da transa. Na minha melhor experiência sexual compartilhamos muito sobre os nossos desejos, dividimos o que queríamos, falamos sobre o que gostávamos.

Nos exploramos muito nas trocas de ideias e praticamos bastante o sexo verbal até chegarmos no dia que foi o nosso ápice, o melhor de todos. Sabíamos o que iria acontecer e tínhamos a segurança do que cada uma de nós gostava. Por isso, falar sobre sexo foi parte importante dessa relação.

Há muito tabu quando falamos sobre esse assunto, principalmente de sexo anal, inclusive no mundo lésbico. Se não fossemos tão abertas, não teríamos aproveitado tanto.

Acho até que seria um fracasso. Sempre senti mais prazer em dar prazer do que em receber, e na época minha parceira era o oposto - por isso nos dávamos tão bem. No dia, nos beijamos, nos despimos e comecei a fazer sexo oral nela. Ela se virou, ficou de quatro e parti para o anal. Foi muito bom, pois ela tinha muito prazer ali. Tanto que repetimos a experiência algumas vezes - quase virou rotina." Marina Dantas, 28 anos, analista de marketing

"Procuro sentir o que minha parceira gosta"

"O que me dá mais prazer no sexo é estar apaixonada - sou brega, me julgue [risos]. Curto dar prazer para a parceira, fazer sexo oral... É muito bom vê-la se contorcendo de prazer. E para mim sexo em silêncio não tem a menor graça: gosto de fazer bastante barulho. E se formos falar em posição, curto a famosa tesoura.

M.Zink - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Para M.Zink o segredo do prazer é transar apaixonada
Imagem: arquivo pessoal

Uma vez reencontrei uma menina pela qual eu era completamente apaixonada em uma festa. Saímos de lá, fomos para a minha casa e transamos a noite toda até cansar. Isso aconteceu quando eu tinha 31 anos. Mas posso pensar até em experiências mais recentes, como a de hoje de manhã. Acabei de começar um namoro e estamos muito apaixonadas. Estávamos há uma semana sem nos ver e quando nos encontramos foi uma loucura.

Eu acredito que o principal em um sexo entre duas mulheres é a escuta. Nosso prazer é algo tão pouco discutido e ensinado, que acredito que o único lado bom é que não há uma fórmula do prazer: o que é legal para uma pode não ser para a outra.

Por isso, sempre procuro sentir o que minha parceira gosta. Às vezes, até pergunto com jeitinho [risos]. Mulher é pele com pele e as descobertas são uma delícia." M Zink, artista de voz, 33 anos.

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