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Um olhar diferente sobre o que bomba nas redes sociais


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Ela tem 1 metro de cabelo: "Invejosas já grudaram até chiclete nele"

Vídeo da estudante Júlia Carvalho mostrando as críticas que recebe sobre o cabelo repercutiu nas redes sociais - Arquivo pessoal
Vídeo da estudante Júlia Carvalho mostrando as críticas que recebe sobre o cabelo repercutiu nas redes sociais Imagem: Arquivo pessoal

Camila Brandalise

De Universa

05/01/2021 04h00Atualizada em 05/01/2021 15h39

O cabelo com comprimento até os joelhos da estudante Júlia Carvalho Oliveira Florentino, 17, é o motivo que a faz ser parada nas ruas de Recife, onde vive, o tempo todo. "Perguntam se é aplique, se é de verdade. Eu respondo que é de verdade e falo: 'Vem cá, pode puxar para ver'", conta a Universa.

É mais de um metro de fios, pelas contas da jovem, que tem 1,70 m de altura. "Eu me acho mais gata com ele assim, chama a atenção por onde passo." Apesar da autoestima que o cabelão lhe traz, Júlia diz ouvir muitos comentários maldosos. "Dizem que é horrível, que acham nojento, falam para cortar. Isso vindo de pessoas na rua mesmo, gente que não conheço, para quem não pedi a opinião."

Essas frases que ela costuma ouvir com mais frequência apareceram em um vídeo, feito por ela no TikTok e postado no Instagram há duas semanas. Já são mais de 150 mil likes no post do salão de beleza da mãe, onde foi gravado. A música de fundo é "Reza", da Rita Lee, que entre outras frases traz: "Deus me proteja da sua inveja". Veja:

"Não vou negar que dói ouvir uma pessoa dizer: 'Você se acha linda, mas está horrível'. São comentários que não deveriam ser feitos. Por que estão se importando com a minha aparência se eu gosto dela? As pessoas não pensam, parecem que querem dar opinião para serem más mesmo", avalia.

Ela conta que a maioria dos comentários é de mulheres. "Parece que tentam ser uma melhor que a outra, essa coisa da rivalidade feminina. Mas não tem nada a ver continuar com isso."

Além das opiniões não solicitadas, Júlia conta que acontece de, em festas, jogarem bebida e chiclete em seus cabelos. A última vez foi em uma celebração ao ar livre, em 2019. "Cheguei em casa e não conseguia pentear. Aí vi que tinha um chiclete. Passei óleo, manteiga e comecei a puxar com força porque já estava agoniada. Não saía. Quando lavei é que consegui tirar", diz.

Júlia Rocha cabelão - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Júlia sobre seu cabelão: "Adoro chamar a atenção com ele"
Imagem: Arquivo pessoal

Mas ela também recebe muitos elogios. "Sempre escuto as pessoas falando: 'Que cabelão', ou elogiando, dizendo que é lindo, perguntando como faço para cuidar. Eu adoro chamar a atenção com ele."


Três anos para crescer e uma hora para lavar

A mãe de Júlia, Myssirlene, é cabeleireira desde que Júlia nasceu. "Meu cabelo sempre crescia muito rápido, e ela cortava, vendia, doava. Sempre tive ele curto, na altura do queixo", conta Júlia.

Ao fazer 14 anos, pediu de presente de aniversário a autorização da mãe para deixar os fios crescerem mais. "Ela deixou, desde que eu cuidasse. A ideia não era deixar do tamanho que está hoje. Mas foi crescendo até ficar assim, três anos depois", conta ela, que apara as pontas com frequência e, de vez em quando, diminui o tamanho por causa do calor recifense.

O acordo com Myssirlene foi cumprido. "Tem que ter muito cuidado, usar produtos bons, e ela tem. O cabelo dela realmente chama muita atenção e vejo até que incentiva outras meninas a quererem ter também", diz a mãe.

Toda vez que lava, Júlia também hidrata os fios com produtos do salão da mãe. O xampu é usado três vezes a cada lavada, feita de uma a duas vezes na semana, e no cabelo todo. Ela gasta de um a dois tubos por mês. Um produto específico para a hidratação é usado na sequência, e é preciso aguardar um tempo para fazer efeito. No total, leva uma hora para a lavagem.

"Antes passava duas, três horas lavando. O pessoal em casa ficava arretado. Batia na porta e perguntava se eu estava passando mal", diz, rindo.

O maior perrengue, para ela, é o cuidado que é preciso ter no dia a dia, com as lavagens e hidratação. Além disso, também evita roupas abertas nas costas. "O cabelo gruda na pele, e os fios se enrolam. Aí fica muito difícil para desembaraçar. Também não dá para andar no vento se não estiver preso", conta.

"Mas hoje já acostumei com tudo isso e não penso em cortar tão cedo. Eu sou aquele tipo de pessoa que quero chegar causando nos lugares. Com esse cabelo dá certo. Ele sempre chega primeiro."

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