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Professor pede para aluna que se diz sem roupa abrir câmera e oferece ponto

Felipe de Souza

Colaboração para Universa, em Campinas (SP)

30/09/2020 13h02

Uma aula online do curso de direito da Faculdade de Direito de Franca (a 399 km de São Paulo) repercutiu nas redes sociais, com acusações de assédio. Nela, uma aluna, que estava com a câmera desligada afirmando estar nua, é incentivada pelo professor a "mostrar" o que estava escondendo. O caso foi visto como assédio pelo Diretório Acadêmico, enquanto o docente afirma não ter passado de uma "brincadeira mal interpretada".

O caso aconteceu durante uma aula de direito penal, ministrada segunda-feira (28) em uma plataforma de vídeos criada pela universidade para atuar durante a pandemia do coronavirus.

Em determinado momento, o professor William Tristão, 34 anos, percebe que uma das alunas não está com a câmera ligada e se inicia um diálogo:

Professor: "Abre a câmera aí"
Aluna: "Não dá."
Professor: "É tão horrível?"
Aluna: "Não é isso não, é porque eu ia tomar banho e tô sem roupa. Não posso abrir (risos)"
Professor: "Você tá te sacanagem comigo (risos)"
Aluna: "Não, tô falando sério".
Professor: "Sério que você me falou isso no meio da aula?"
Aluna: "Você vai ficar insistindo, melhor já falar a verdade, né".

Na sequência, o professor avisa que vai dar "meio ponto" se a jovem ligasse a câmera. Ela rebate, dizendo que estuda e que o meio ponto não valeria nesse caso. Antes que o vídeo que caiu na internet terminasse, Tristão diz a um outro aluno: "Ela me provocou".

O outro lado

Em entrevista ao UOL, Tristão disse que o caso foi uma "brincadeira mal interpretada", e que jamais praticaria assédio.

A aula em questão era um tira-dúvidas que aconteceu antes de uma prova, marcada para a próxima segunda-feira. Ele contou que o diálogo com a aluna foi próximo ao final do período, após todo o conteúdo repassado, e que essa "liberdade" é fruto de uma relação de anos com a família dela.

"Nossos pais já trabalharam juntos. Isso fez com que tenhamos uma intimidade, respeitosa como sempre. Trabalho com liberdade nas minhas aulas, sem ser aquele 'direito rígido', e por isso algumas brincadeiras acontecem", explicou.

O Diretório Acadêmico 28 de Março publicou uma nota de repúdio ao que considera assédio sexual, moral e ameaça. "Reiteramos, como uma pauta já expressa, que todo e qualquer tipo de abuso agravado pela manipulação através das relações de poder instituídas na academia são absolutamente inaceitáveis. Tais práticas, apesar do tom de brincadeira, ferem não apenas a ética das relações educacionais, mas o próprio processo de construção científica e a responsabilidade das instituições na formação de recursos humanos", informou.

O vice diretor da FDF, José Sérgio Saraiva, confirmou que um procedimento interno foi instaurado para apurar o caso, e que a comissão tem 30 dias para publicar o resultado. "Nós recebemos o vídeo editado, então precisamos ver exatamente como a conversa aconteceu. É a primeira vez em mais de 60 anos de história da faculdade que algo do tipo chega até nós", disse ao UOL. Saraiva preferiu não comentar "hipóteses" do que pode acontecer ao professor.

A jovem não foi encontrada para comentar o vídeo. Porém, segundo a faculdade, ela procurou a direção para explicar que não se sentiu ofendida com a brincadeira.

Até a publicação deste texto não foi registrado boletim de ocorrência sobre o caso.

Tristão disse que também foi procurado pela aluna. "Ela me ligou e desabafou, falando que todos estavam perguntando se ela havia sido assediada, e ela garantiu que não", completou.

O professor pretende tomar atitudes contra o diretório acadêmico, por considerar que houve "calúnia" e "crime contra a honra" na primeira publicação feita pelo grupo, em conteúdo editado ontem à noite para atenuar as críticas.

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